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, 19 maio 2024
 
 

Somos românticos

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(*) Sérgio Cintra

Somos românticos. Intensa ou minimamente, mas românticos. Daí termos, corriqueiramente, o passado muito presente em nossas vidas; talvez porque há muito de fantasia e neblina nele, ainda mais o longínquo. Não faz muito tempo que tomávamos banho na “Praia dos Milionários”, ali atrás das boates Sayonara e Balneário. Aos finais de semana, dividíamos as areias brancas com centenas de pessoas e as águas cristalinas mostravam-nos belas “Pêras” e Dourados. Já não os há mais. Agora, pululam garrafas “pet”, fezes e toda sorte de poluentes. Soluções existem, dentre elas: coleta seletiva de lixo, tratamento do esgoto e educação ambiental. Se não conscientizarmos a população, nada adiantará.

Sou daquele tempo em que andávamos sem camisas pelo centro da cidade como se ele fosse os nossos quintais. Jogávamos figurinhas com os “turcos” ali na Coxim (Isaac Póvoas) e nossas mães sempre sabiam onde estávamos. Lá no “Morro” (Museu da Caixa d’Água Velha), o campinho reunia grandes jogadores, inclusive profissionais e peladeiros cabeças-de-bagre que enterravam a tarde e traziam a noite. Sempre que posso vou à Praça Alencastro. Divido, à noite, o espaço com alguns “skatistas” que, não fosse pelo barulho que fazem, pouco incomodam. Lá, tomando um sorvete de Bocaiuva, volto no tempo em que fazíamos dela e de sua fonte luminosa nosso melhor artifício para uma troca de olhares ou simples “oi” que soava como uma eloquente declaração de amor. E as noites voavam…

Quarta-feira, fui ao Verdão assistir ao jogo Grêmio de Jaciara e Grêmio de Porto Alegre. Fui com meu velho “radinho” de pilhas ouvindo a Cultura do cuiabaníssimo Rosenil Luiz que, aos domingos, brinda-nos com o programa SOS Social. Ao vê-lo quase repleto de torcedores (mesmo que o borderô da Federação diga o contrário) lembrei-me do futebol de antanho. O belíssimo futebol praticado pelo elegante Glauco Marcelo (na minha modesta opinião, o maior zagueiro mato-grossense de todos os tempos), Adilson, Barga e Gonçalves, do Dom Bosco, que infernizaram as defesas de Mixto e Operário, anos a fio. E o tenso duelo do inigualável Ruiter Jorge de Carvalho e o volante Adalberto, do Azulão da Colina Iluminada. Dentre tantos, outro inesquecível é o artilheiro Nasser, um dos responsáveis pelo título do Alviceleste de 1991, no empate de 1 x 1 com o União, de Gilson Lira.

Grêmio e Grêmio fizeram um jogo apenas razoável. Esperava-se mais do time dos pampas e que o time de Mato Grosso não fizesse um primeiro tempo que fez: sentindo um verdadeiro pavor do adversário. Faltou confiança.

Talvez a praça e sua fonte não fossem tão bonitas; nem as areias do Coxipó, tão brancas e muito menos que o futebol de minha geração fosse tão maravilhoso como eu o imagino. Mas acontece que somos românticos e os nossos olhos brilham quando voltamos naqueles tempos em que Cuiabá era apenas uma cidade pacata e pequena, de pessoas de hábitos singelos e sorrisos largos como se a nossa simplicidade nos fizesse melhores e maiores que o mundo…

(*) SÉRGIO CINTRA é professor em Cuiabá e servidor do TCE-MT. Artigo de opinião escrito em 2009 que agora, em 2024, republico

 

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