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Rondonópolis
, 15 junho 2024
 
 

Equipamentos da farmácia Santa Terezinha (1955) tombados pelo museu Rosa Bororo

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(*) Letícia Maria

Alguns cidadãos de Rondonópolis nunca visitaram o Museu Rosa Bororo e sequer sabem seu endereço. Assim, é importante ressaltar que se encontra localizado na Praça Brasil, na esquina das ruas Arnaldo Estevão de Figueiredo e Av. Cuiabá. A visita a este espaço foi marcante para mim, considerando minha condição de estudante do curso de licenciatura em História e profissional atuante no setor farmacêutico, assim, destacando-se a significativa história representada pelos equipamentos da Farmácia Santa Terezinha, ali presentes.

O Museu Rosa Bororo é responsável por abrigar Documentos Tombados ou seja, objetos de variados materiais, papéis oficiais e particulares, fotografias e equipamentos que foram musealizados. Este é o caso da Coleção Histórica da Farmácia Stª Terezinha, inaugurada no dia 10 de dezembro de 1955 pelo farmacêutico Elzio Borges Leal, pioneiro na cidade de Rondonópolis e ex-vice prefeito. A Farmácia funcionou na avenida Marechal Rondon e oferecia um serviço de entrega domiciliar por meio de um número de telefone. Além disso, o estabelecimento atuava na comercialização de medicamentos, aplicação de injeções e produtos de perfumaria em geral.

Esta coleção e várias outras são mantidas nas salas/depósitos e, em exposição no Museu Rosa Bororo, contudo, apresentam uma situação precária em termos de conservação e identificação do material histórico. Diversos itens encontram-se desprotegidos e sem identificação adequada, o que pode comprometer a história, a preservação documental e quando integrante de uma exposição, dificultar a compreensão do público visitante.

Fato ainda mais sério são os danos existentes no telhado do Museu, considerando a presença de infiltrações em várias paredes. Estas infiltrações nas instalações do Museu representam um risco potencial para a integridade da edificação Tombada pelo Patrimônio Histórico Municipal, bem como para os documentos conservados nos armários, podendo resultar em danos irreparáveis, visto que ainda estão em processo de digitalização.

O Museu Rosa Bororo desempenha um papel significativo para a História Local. É um Lugar de Memória, onde se faz a preservação documental relacionada a fatos históricos e objetos do cotidiano que várias famílias doaram ao Museu. Estes objetos mantêm ligações afetivas com as famílias, foram retirados dos contextos privados e ao serem musealizados, se tornaram públicos; portanto, a sua conservação se tornou de responsabilidade do Museu, da Secretaria Municipal de Cultura ou seja, da Prefeitura Municipal de Rondonópolis.

Ao visitar o Museu Rosa Bororo, se observa documentos históricos relevantes para o Município de Rondonópolis. Acredita-se que este é o motivo que os levaram ao Tombamento Museal. Assim, a visita a esta instituição nos ajudou a refletir sobre a seleção empreendida pelo Museu, ou mais exatamente, pelos seus funcionários – que têm ou deveriam ter, a capacidade técnica, reflexiva e crítica – para exercerem tais funções. Este Equipamento Cultural tem o papel social de fazer a guarda da memória pretérita para a posteridade. Os museus precisam comunicar seus acervos para desempenharem entre tantas funções, também a de ensinar criticamente, as questões sociais.

Uma visita a um museu pode levar à ampliação da capacidade de observação, ao entendimento de questões sociais – muitas vezes tratadas pelos artistas, ao enriquecimento do repertório de técnicas, materiais e ações que envolvam a expressividade. O ambiente diferenciado dos museus já é um estímulo à percepção e ao questionamento. (ROSA; SCALÉA, 2006, p. 70)3

Quais os conteúdos sociais, econômicos, políticos, culturais são apresentados no discurso expositivo deste Museu? Os discursos deste Museu apresentam reflexão e criticidade? Serão decoloniais? Parece-me que não.
A precariedade do Museu Rosa Bororo e como é tratado o Patrimônio Histórico e Cultural, representa o entendimento dos eleitos para os cargos públicos do município de Rondonópolis, principalmente o Prefeito e os Vereadores e, por extensão o Secretário de Cultura e outros responsáveis pelas políticas públicas para o setor.

Há urgência em se restaurar e promover melhorias no Museu Rosa Bororo. Esta urgência requer uma articulação entre a instituição e a Prefeitura. É essencial que a sociedade se envolva ativamente em defesa deste espaço cultural, evitando o esquecimento e a negligência em relação ao Patrimônio Histórico de Rondonópolis. Enfim, é preocupante a conservação dos documentos e objetos históricos, bem como, a relevância histórica de todo acervo, inclusive da coleção doada pela Farmácia da família Borges Leal ao Museu Rosa Bororo.

(*) Letícia Maria Pereira Alves é acadêmica do curso de História da Universidade Federal de Rondonópolis (UFR)

 

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