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Rondonópolis
, 14 junho 2024
 
 

A saúde de Rondonópolis está doente

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(*) Geane Lina / (*) Reuber Teles

O setor público da saúde é um dos mais importantes a serem investidos na União, nos Estados e nos Municípios. É o maior dos orçamentos junto com a Educação. A saúde é o essencial da nossa vida, pois sem ela ficamos impossibilitados de realizarmos as nossas atividades laborais, de lazer e outras. Desta forma, este setor social deveria ser visto pelos gestores públicos como a menina dos olhos, o campo central de investimento em uma administração; é o setor que deveria ser visto na prática como o mais imprescindível para a qualidade de vida de uma sociedade, o que não acontece em Rondonópolis.

Dentro desta perspectiva, trataremos aqui da situação que se passa o setor da saúde municipal e o trabalho do atual prefeito durante as suas duas gestões (2017-2024), tendo Rondonópolis a segunda maior economia do Estado de Mato Grosso e um orçamento milionário a ser investido na área social da saúde pública.

O prefeito Zé do Pátio deixou muito a desejar na área da saúde, com descaso, alienação e serviços mal prestados na área, consequências de seus secretários nomeados, aonde os que foram nomeados pelo atual gestor nesses últimos oito anos não passaram de correligionários, pessoas não técnicas, são os chamados “amiguinhos do rei”, pessoas que entendem muito pouco de Saúde, e que não deixarão nenhuma saudade pelo desserviço prestado nesta área, pois convenhamos: Das centenas de mortes pela COVID 19 durante a pandemia, muitas poderiam ter sido evitadas, se tivessem, por exemplo, seriedade na compra dos benditos e superfaturados respiradores, se desburocratizassem os leitos de UTI para a COVID, se tivessem medicamentos e vacinação em tempo hábil, além de atendimentos precários na UPA e em outros centros de saúde à população. A pandemia passou, mas deixou-nos um legado de incompetência pública na área da saúde que não vai sarar tão facilmente e nem existirá vacina para tanta demência administrativa.

Passada a pandemia, o atual prefeito iniciou um trabalho de construção e reformas de muitos PSFs e centros de saúde pelos bairros, mas que porém e entretanto, foram serviços mal efetuados, com estruturas arcaicas, sem projetos estruturais, que quando vem a chuva, a realidade verdadeira aparece: o caos, a goteira, a infiltração, a sujeira.

O Sindicato dos Servidores públicos Municipais (SISPMUR) recebeu inúmeras denúncias do descaso da saúde em nossa cidade, e começou a realizar BLITZES nos postos, repartições, hospitais e policlínicas pelos bairros da cidade. Nestas repartições se viu de tudo, como: falta de medicamentos, infiltrações, inúmeras goteiras, cobras passeando pelo posto de saúde, matagais em repartições, falta de climatização, servidores sem EPIs, falta de médicos e enfermeiras, enfim, realmente a saúde de nossa cidade sempre teve problemas gravíssimos, aonde nenhum secretário de Saúde municipal, nomeado pelo prefeito, teve a capacidade de resolver.

Outro ponto negativo que se observa nestas gestões desse atual prefeito é o número de servidores comissionados em todas as áreas da municipalidade, mas que na saúde se tornou um exagero. A verdade é que “existe muito cacique pra pouco índio” e, em todas as repartições, o que se observa é um número assustador de gerentes, coordenadores, supervisores, onde na maioria, são cargos comissionados, de fins eleitoreiros, e que na maioria, não entende nada de saúde. Os salários são elevados, normalmente acima dos R$ 5 mil e quando o SISPMUR solicita da administração melhorias salariais para os concursados e efetivos, isto é veementemente negado pelo refeito, por, segundo ele, questões orçamentárias.

Enfim, o setor da Saúde municipal sempre esteve uma lástima, com os servidores efetivos desvalorizados, subjugados, coagidos, ameaçados, e um conjunto enorme de comissionados, que em sua maioria, não prestam serviços relevantes à sociedade porém, ganham elevados salários. É bom lembrar que esses cargos comissionados da saúde e de outras áreas, passaram pelo aval da Câmara Municipal, onde em 2022 e 2023, várias centenas de cargos foram criados em detrimento da valorização dos concursados. Essas Leis criando estes cargos comissionados passaram pela Câmara obtendo dos 21 vereadores, sempre 18 votos, somente 3 edis não jogaram o joguinho do prefeito e deram respaldo ao Sispmur. São eles: Subtenente Guinancio, Kalynka e o Paulo Schu.

Em 2022, o SISPMUR realizou inúmeras paralisações, movimentos na Câmara, no Paço Municipal e até acampamos na frente da casa do prefeito, contra a criação desses novos cargos e pela valorização dos efetivos, mas que no final, os projetos de criação de cargos foram passando com maioria absoluta na Câmara. Foi uma das maiores vergonhas destas gestões Zé do Pátio e dos seus 18 vereadores parceiros de voto. Ultimamente, a brincadeira e a farra com dinheiro público se observam no Diário Oficial, com publicações diárias e cotidianas de alterações na estrutura organizacional, com mais cargos em comissão surgindo obscuramente, etc. Mas, enfim: Qual é o objetivo desta super lotação? Bater palmas, fazer campanha eleitoral, “puxação” de saco, favores? Qual o objetivo destas nomeações??
Por fim, como cidadãos que somos, nos sentimos envergonhados com esta alienação administrativa, principalmente na área da saúde, e esta vergonha se alonga a esses vereadores (18) que apoiaram o prefeito nesta empreitada da criação de novos cargos comissionados no campo da saúde e nos outros também, além lógico de terem jogado o jogo do gestor apoiando-o em todos os projetos do executivo.

Nossa saúde está igual a um paciente acometido de anosognosia que recebe o diagnóstico de uma doença grave e não aceita o diagnóstico e muito menos o tratamento. O que vimos na sessão do dia 08/05/2024, foi uma secretária narrando um sistema de saúde que existe somente na cabeça dela e dos seus ‘puxa sacos’, parecendo que não existe uma crise sistêmica. A mais pura verdade passa sobremaneira na realidade de que Rondonópolis não tem um setor na saúde que funcione com excelência e quando a secretária foi questionada sobre o porquê de o setor da saúde não funcionar, a resposta da mesma deixou muitos de boca aberta, dizendo que é por causa da JUSTIFICATIVA DO PROJETO, onde o que impera e a burocracia em detrimento da saúde.

Caro leitor, sugiro uma reflexão! Tanto dinheiro público investido na saúde e falta o básico pra a sociedade. É como dizia o poeta Carlos Drummond de Andrade, em seu poema … “E agora, José?”
“Sua doce palavra, seu instante de febre, sua gula e jejum, sua biblioteca, sua lavra de ouro, seu terno de vidro, sua incoerência, seu ódio – e agora?”

(*) Geane Lina Teles e Reuber Teles Medeiros, servidores públicos em Rondonópolis e diretores do Sispmur

 

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