Greve dos professores começa a perder força

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A ameaça de corte de ponto para aqueles professores estaduais que continuarem em greve, feita pelo Governo do Estado, acabou interferindo para que alguns docentes voltassem às salas de aula com receio de diminuição por dias parados no salário. Nessa semana, as escolas estaduais Odorico Rosa e Balbino retomaram as aulas. Em outras seis instituições de ensino, os professores já iniciaram o trabalho de ligar para os alunos informando o retorno parcial das atividades. As escolas Renilda, Dom Wunibaldo e Elizabeth trabalham parcialmente. Salmen Hanze, Sebastiana e Carlos Pereira Barbosa decidem hoje se retornam ou não. O Colégio Sagrado Coração de Jesus já comunicou aos alunos que haverá aula na próxima semana.
O Governo do Estado apresentou, no final da tarde de ontem, uma nova proposta que será analisada pela categoria e votada em assembleia geral na segunda-feira, pela manhã, em Cuiabá. De acordo com a assessoria de imprensa do Sintep, uma nova audiência deverá ser realizada com o sindicato para avaliação da evolução da receita do Estado, que poderá resultar em antecipação do reajuste previsto para dezembro.
Para o presidente da subsede do Sindicato dos Trabalhadores da Educação em Mato Grosso (Sintep), João Eudes da Anunciação, a ameaça de corte de ponto foi uma manobra ilegal, utilizada para forçar o enfraquecimento do movimento, mas os protestos prometem continuar até que não haja um consenso entre a classe. Hoje, os servidores comparecerão à sessão da Câmara de Vereadores para pedir o apoio dos parlamentares.
Ele disse que ontem foi realizado um novo protesto na capital, que contou com a caravana de Rondonópolis. “Nosso movimento é legítimo. É um absurdo o Estado ter proposto essa ação para considerar ilegal nosso movimento e agora ameaça cortar o ponto dos professores. Estamos recorrendo, porque isso está errado. Temos o direito em cobrar melhorias salariais. O ponto não será cortado e os contratados não serão exonerados, como alguns assessores pedagógicos do Estado asseguram”, reclamou ele.
O presidente da subsede do Sintep denunciou que as assessorias pedagógicas, que são extensão da Secretaria Estadual de Educação nos municípios, estão encaminhando e-mails convocando os profissionais para retorno às atividades. “Queremos repudiar que o Governo ao invés de negociar, está perseguindo com ameaça de corte de ponto e exoneração de quem tem contrato”, falou.
A assessora pedagógica Clecy Machado de Souza explicou que as escolas é que tem procurado a administração para comunicar o retorno parcial ou não das aulas. Ela explicou ainda que as instituições educacionais Emanuel Pinheiro, Santo Antônio, Ramiro Bernardes e Maria Elza não aderiram à greve. “A carga horária dos alunos é garantida constitucionalmente, então o Estado, inclusive, já expediu uma Portaria de como deverá ser feita a reposição das aulas”, repassou a assessora.
A expectativa da categoria com o movimento é o aumento do piso salarial para R$ 1.324,00 para professores do ensino médio e hoje paga-se para esse profissional R$ 1.248,00. Na avaliação do Sintep, o Governo tem condições de atingir o valor reivindicado, o que causaria a utilização de 57% dos 60% da receita disponível da Secretaria Estadual de Educação para gasto com pagamento de salário.
A entidade quer ainda a posse imediata de todos os aprovados no concurso público; realização de novo concurso; pagamento de hora atividade para contratados; e, transferência das receitas constitucionais (35%) para gastos em educação. A assessoria comunicou que com relação à posse dos aprovados e classificados no concurso, as secretarias de Estado de Educação e de Administração (SAD/MT) afirmam ainda que a nomeação está sendo gradativamente garantida dentro do período de validade do concurso.

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