
Liderança é um conceito relativamente novo, que emergiu em meados do século XIX. Uma forma de defini-lo é como “a capacidade de fazer com que pessoas comuns produzam coisas extraordinárias frente a desafios e que constantemente melhorem seu desempenho, trazendo benefícios para todos os envolvidos”. Logo, liderança não é um mero sinônimo de autoridade, embora seja vista por muitos como tal.
Em equipes de saúde, o líder é aquele capaz de compartilhar sua visão e inspirar os demais a colaborar no alcance dos objetivos, em um ambiente de entusiasmo e comprometimento com a saúde de pessoas e comunidades. Ainda, deve responder rapidamente às mudanças, encorajar a inovação e ter uma mentalidade questionadora.
Em pesquisa realizada com fisioterapeutas canadenses, as características mais citadas como “extremamente importantes” para um líder foram: comunicação (75,1%), profissionalismo (64,0%), credibilidade (58,9%), engajamento (48,9%), habilidade de motivar (48,7%), habilidades sociais (43,1%) e empatia (39,5%). Curiosamente, 79,6% dos respondentes se autodeclararam como líderes.
A comunicação é mesmo uma das áreas de maior destaque na literatura sobre liderança em saúde, pois influencia os colaboradores a atuar de forma crítica e reflexiva sobre a sua prática, trazendo benefícios tanto para a equipe quanto para os usuários dos serviços de saúde. Amestoy et al. (2012) revisaram a produção científica da América Latina sobre liderança na área de enfermagem e identificaram que, apesar da importância do tema, ainda são escassos os programas de desenvolvimento de líderes, a fim de prepará-los para uma gestão eficiente quanto à comunicação, estímulo da autonomia e valorização dos colaboradores, para o melhor atendimento das demandas de saúde da população.
Recentemente, Careau et al. (2014) conduziram uma revisão sistemática com busca de estudos em inglês nas bases de dados eletrônicas mais relevantes na área da saúde, com o objetivo de identificar programas educativos cujo conteúdo envolveu a liderança colaborativa, caracterizada pela ausência de uma relação hierárquica e de uma autoridade formal entre os membros da equipe, considerada fundamental para a tomada de decisões coletivas de forma rápida e efetiva em serviços de saúde.
Foram identificados 250 programas, sendo que a maioria abordava a liderança tradicional, e apenas 3,2% a liderança colaborativa. Os programas foram desenvolvidos principalmente no meio acadêmico (65,4%) em relação aos locais de trabalho (34,6%) e variaram quanto à duração (desde algumas horas até um ano) e a metodologia utilizada (ex: palestras, exercícios reflexivos, discussões em grupo, casos simulados, revisão de artigos). Enfermeiros (45,6%) e médicos (26,8%) foram os profissionais envolvidos com maior frequência. Observou-se que em somente 32% dos programas de educação em liderança a abordagem era multi ou interprofissional, contrariando os princípios da liderança colaborativa que cultivam a valorização da diversidade do conhecimento e das opiniões de profissionais de saúde de diferentes áreas de atuação.
Para superar os paradigmas da liderança tradicional, pautada no poder da autoridade e com pouca integração profissional, é essencial que o tema seja incluído no currículo de formação profissional desde a graduação, para formar novos líderes motivados, inspiradores e competentes. Nos ambientes de trabalho, os programas de educação em liderança devem incluir médicos, nutricionistas, assistentes sociais, dentistas, farmacêuticos, administradores e todos os envolvidos no cuidado de pacientes e comunidades. A mensagem principal, segundo Arroliga et al. (2014), é que, para criar um ambiente harmônico, a cultura individualista prevalente na área de saúde deve desaparecer, dando lugar à colaboração.



