A Organização Mundial da Saúde (OMS) reforçou a recomendação da aplicação do “método canguru” para bebês prematuros ou com baixo peso. Isso significa encaminhar o recém-nascido para o colo da mãe logo após o parto sem passar pela estabilização na incubadora desde que estejam em boas condições de saúde. Vale ressaltar que só no Brasil nascem 340 mil bebês prematuros por ano conforme apontam o Ministério da Saúde.
Como explica a médica Jordanna Leão, que tem mais de 10 anos de experiência em acompanhamento fetal, essa abordagem traz benefícios que vão além da saúde física do bebê. “Esse “simples” ato é capaz tanto de prevenir infecções como de fortalecer famílias, diminuir histórico de violência, estimular o aleitamento materno e muito mais”, afirma.

Importância do “método canguru”
Até o novo posicionamento da OMS acerca dos partos prematuros – que representam mais de 10% do total de nascimentos no mundo todo segundo a entidade -, a indicação era fazer a estabilização do bebê em uma incubadora mesmo se não houvesse condições de saúde que tornassem esse processo obrigatório. Já o “método canguru” é voltado para o cuidado humanizado e reúne estratégias de intervenção biopsicossocial.
A abordagem consiste em estimular o contato pele a pele entre o recém-nascido e a mãe o quanto antes, fazendo alusão à mãe canguru, que carrega seus filhotes em uma bolsa. “Os benefícios são enormes e possuem respaldo de várias pesquisas e estudos da área que comprovam sua eficácia”, avalia Jordanna.
Como funciona?
Embora esteja ancorado no contato entre a mãe e o bebê, o método vai além do contato precoce após o parto e também reserva um papel importante para a participação do pai. “O papel dele é fundamental e sua participação é efetiva na construção de confiança, na diminuição de riscos de violência etc”, pontua Jordanna.
A médica explica que existem três etapas. “A primeira tem início ainda no pré-natal da gestação de alto risco, os pais devem ser acolhidos, receber informações e serem encorajados a pegar o recém-nascido e colocá-lo na posição canguru, que costuma ser cercada de mais receio nessa fase”, ressalta.
Já a segunda etapa acontece após o parto e Jordanna reforça a importância de o bebê permanecer de maneira contínua com sua mãe, que participa ativamente dos cuidados do filho. Por fim, na terceira etapa, o bebê vai para casa e é acompanhado, juntamente com sua família, pelo Ambulatório do Método Canguru, situado em seu hospital de origem. Além disso, é importante que essa família seja acompanhada na Unidade Básica de Saúde em um cuidado compartilhado até que o bebê atinja o peso de 2,5 kg.
Inúmeros benefícios
Dentre os inúmeros benefícios desse método estão o controle da temperatura corporal do bebê, menor risco de infecções, melhora do vínculo com os pais, favorecimento do desenvolvimento neurocomportamental e redução do estresse e dor. Mas um dos efeitos positivos mais relevantes é o estímulo ao aleitamento materno, facilitando tanto o início até a continuidade.
“A amamentação aumenta o QI do bebê, ajudando no seu neurodesenvolvimento. Ela ajuda na parte psicológica de contato da mãe com o filho, na parte oral da fala do bebezinho com a sucção melhorando a musculatura da boca. Para a saúde intelectual e corporal do bebezinho o aleitamento materno é extremamente positivo”, salienta Jordanna.
Visando ajudar famílias a lidarem com a insegurança que cerca a gestação, Jordanna decidiu compilar a experiência que acumulou em mais de uma década de acompanhamento fetal em cursos gratuitos para tentantes, gestantes e mães no pós-parto no site https://jordannaleao.com.



