Ex-secretário confirma plano para desviar verba da Seduc

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O ex-secretário Permínio Pinto confirmou a existência de um suposto esquema de corrupção para desviar verba da educação e quitar dívidas de campanha do governador Pedro Taques
O ex-secretário Permínio Pinto confirmou a existência de um suposto esquema de corrupção para desviar verba da educação e quitar dívidas de campanha do governador Pedro Taques

O ex-secretário de Estado de Educação, Permínio Pinto, foi interrogado em audiência da ação penal derivada da Operação Rêmora, na tarde de ontem (15), em Cuiabá. A ação apura suposto esquema de propinas e fraudes em licitações que teria operado na Seduc. A audiência foi conduzida pela juíza Selma Arruda, da Vara Contra o Crime Organizado da Capital.
Em seu depoimento, ele chorou e afirmou que as denúncias do Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco) são parcialmente verdadeiras.
O ex-secretário confirmou a existência de um suposto esquema de corrupção para desviar verba da educação e quitar dívidas de campanha do governador Pedro Taques (PSDB). Entre os empresários supostamente beneficiados com o esquema estaria Alan Ayoub Malouf, preso nesta quarta-feira (14).
A juíza Selma Arruda questionou se foi o governador Pedro Taques quem mandou Alan Malouf procurá-lo para recuperar as doações feitas na campanha. Permínio disse que não.
Permínio, que está preso desde julho deste ano, declarou ter sido procurado por Alan Malouf em dezembro de 2014, que lhe apresentou uma proposta para que reavesse valores investidos na campanha de Taques. “Ele se apresentou como coordenador da campanha do governador e disse que havia participado pessoalmente da escolha do meu nome para assumir a secretaria [de Educação]”, afirmou.
Em uma das reuniões que eles tiveram, Malouf o apresentou ao empresário Giovani Guizardi, dono da Dínamo Construtora, que foi preso em maio também por suspeita de participar do esquema e solto no último dia 30 após acordo de delação premiada, dizendo que os dois haviam criado um plano para recuperar o dinheiro investido na campanha eleitoral.
Segundo o ex-secretário, o plano era procurar os prestadores de serviço da Seduc para que entregassem parte do lucro ao grupo.
“PLANO DISCRETO”
O ex-secretário alega que Alan Malouf garantiu que o esquema seria “algo muito discreto e que não chamaria atenção”. Permínio declarou ainda que nunca havia participado de nenhum esquema e que pretendia concorrer ao cargo de vice-prefeito nas eleições municipais deste ano.
Ele disse que aceitou fazer parte, mas que não se envolveu com a organização criminosa. “Meu grande pecado foi permitir que eles fizessem tudo que fizeram”, declarou.
O único cuidado que ele disse ter tido foi procurar o servidor Fábio Frigeri, que também foi preso em maio deste ano, para que ele não deixasse que, durante a operação do esquema, as obras não fossem superfaturadas. “Nunca tratei com empresários sobre valores, nunca pedi nada a ninguém. A única garantia que me deram era de que meu nome não apareceria e que, se acontecesse alguma coisa, ele [Alan] se responsabilizaria”, afirmou.
Durante o esquema, Permínio disse que recebeu propina para dar assistencialismo político. Ele não soube precisar a quantia que recebeu. O ex-secretário disse que quer pedir desculpas aos mato-grossenses e solicitou um novo depoimento para informar o montante que recebeu indevidamente.
Segundo o delator, Permínio ficava com 25% das propinas arrecadadas com o esquema. O restante era dividido com outros integrantes da organização criminosa e para custear as despesas que o grupo tinha com combustível, telefone, energia e aluguel de um imóvel, localizado na Avenida Miguel Sutil, no Bairro Santa Rosa, em Cuiabá.
CONFISSÃO SURPREENDE MPE
A confissão do ex-secretário estadual de Educação Permínio Pinto (PSDB) admitindo a existência de um esquema de cobrança de propina, fraudes e direcionamento de licitações lançadas pela Secretaria Estadual de Educação (Seduc), surpreendeu o Ministério Público Estadual (MPE) e o Grupo de Atuação Especial contra o Crime Organizado (Gaeco). Embora o ex-gestor tenha afirmado que nem tudo o que foi apontado até agora na denúncia e na delação do réu Giovani Belatto Guizardi é verdade, o Gaeco destaca que seu depoimento “tem um alicerce muito firme”.
FRAUDES
Os processos licitatórios teriam sido direcionados mediante pagamento de propina por parte de donos de construtoras a funcionários da Seduc, segundo o Ministério Público Estadual (MPE). Os contratos alvos da operação Rêmora somam R$ 20,7 milhões e são referentes a reformas e construções de escolas estaduais nos municípios de Santo Antônio do Leverger, Rondonópolis, Cuiabá, Barra do Bugres, Primavera do Leste, Tapurah, Várzea Grande, Nobres e Cláudia.

Ameaça dentro da prisão

Em seu depoimento à Justiça, Permínio Pinto também declarou que foi ameaçado dentro da prisão pelo delator do esquema, o empresário Giovani Guizardi. Segundo Permínio, que foi preso na primeira fase da operação Rêmora e levado para o Centro de Custódia de Cuiabá (CCC), onde ficam os presos com ensino superior completo, o delator do esquema o procurou ainda na primeira semana em que ele foi preso.
A ameaça teria ocorrido quando o ex-secretário voltava do banho de sol. “Quando voltei o Giovani estava me esperando com uma reportagem impressa em uma folha de papel na mão”, contou. Segundo Permínio, o texto especulava um possível acordo de delação premiada entre ele o Ministério Público Estadual (MPE). Em seguida, de acordo com o ex-secretário, Guizardi o questionou sobre o conteúdo da reportagem e o intimidou. “Ele [Guizardi] disse que eu não teria coragem para fazer uma delação e que era melhor eu não fazer isso, visto que as pessoas do lado de fora da prisão estavam cuidando de mim”, declarou.

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