
Depois da distribuição de uma carta anônima de um suposto servidor da Câmara Municipal para veículos da imprensa, Ministério Público do Estado (MPE) e para os 21 vereadores relatando suposto envolvimento do secretário de Administração da Câmara, Alessandro Brandão, em casos de corrupção, superfaturamentos e extorsão, o presidente da Câmara, vereador Ibrahim Zaher (PSB), afirmou, durante coletiva de imprensa, que não será aberta uma sindicância para apurar os relatos da correspondência por falta de materialidade e em função da mesma ter cunho de ataque pessoal. “Tudo que foi feito (na Câmara), foi feito dentro da lei”, disse o presidente.
“As acusações foram feitas de forma vaga e sem indícios de materialidade. Ao ler a carta se sente cunho de pessoalidade e não podíamos agir de modo leviano e prejudicar um servidor. Todos os contratos e ações da Câmara Municipal estão abertos ao público pelo Portal do Cidadão e também ao Ministério Público, pois prezamos pela transparência”, justificou o presidente da Câmara.
Na carta, o servidor anônimo fala somente do secretário de Administração, que estaria supostamente envolvido em atos de corrupção, superfaturamentos, extorsões e perseguições a servidores da Câmara Municipal. No entanto, segundo Ibrahim, o Jurídico da Casa de Leis fez uma busca em contratos e não encontrou nada de irregular, bem como, em um ano de gestão, nunca recebeu nenhuma reclamação de um servidor.
Além disso, o presidente complementou afirmando que, se os atos relatados na carta tivessem maior fundamentação, teria que haver no mínimo 20 servidores da Casa de Leis envolvidos nos esquemas citados, como corrupção, superfaturamento e extorsões.
Um dos motivos apontados por Ibrahim como possível motivador para o aparecimento da carta poderia ser o descontentamento do servidor com as medidas adotadas pela gestão, como o maior controle de ponto dos funcionários e a exigência de autorização do chefe do setor para a realização de horas-extras. “O controle do ponto e das horas-extras foi adotado como medida de redução de gastos de gestão e também para atender uma recomendação do TCE (Tribunal de Contas do Estado)”, argumentou Ibrahim Zaher.
Contudo, Ibrahim destacou que, caso surgirem indícios novos sobre o caso, uma sindicância poderá ser aberta. “Caso nos seja encaminhada mais informações, que possam nos dar algum norte para que o servidor seja investigado, assim será feito”, acrescentou.
O secretário de Administração da Câmara Municipal foi uma indicação do vereador Fábio Cardozo (PPS), que disse acompanhar a decisão do presidente da Câmara Municipal. Segundo Cardozo, não foi observado na carta elementos concretos, algo que passe da pessoalidade. “Se houver algum indício que leve a materialidade temos o interesse de apurar”, concluiu.



