A educação para o pensar criativo

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(*) Prof. Dr. Ademar

O que se propõe com o texto é proporcionar espaço para diálogo, como fonte de reflexão sobre a educação instituída, num movimento reflexivo instituinte da educação para o pensar crítico, cuidadoso e necessário para o aprender a conhecer, a pensar e modificar a atitude frente ao mundo da vida, numa perspectiva crítica e libertadora.

No contexto da prática social, o que se tem apresentado no mundo político, é a ideologia do opressor esvaziado de humanidade, que na configuração do projeto de civilidade investe na formação do indivíduo isolado, para que não desenvolva uma consciência crítica, visando reconstituir-se a condição de sujeito coletivo social.

Por outro lado, na atualidade no aspecto da dimensão formativa para vida cristã, percebe-se que o processo pedagógico está focado no desenvolvimento individual, com a intencionalidade da desconstrução da política organizativa que toma como eixo mobilizador a comunidade de base, como suporte necessário a construção de sujeito coletivo, comprometido com a justiça e cuidado com outro, para o bem-viver fraterno, como protagoniza o conteúdo da bem-aventurança.

No contexto da geração transformada em hospedeira da opressão, que introjeta a cultura dominante, para que a massa siga a sua pauta. Porém, imbricada ao malabarismo de costume, que se converte em simbolismo do moralismo, focado no tendão do individualismo absoluto, o que resulta na resistência da condição de sujeito livre e solidário.

O ponto de partida passa pela exigência de perguntar-se a si e a realidade sobre o que mudou. O que mudou para a educação, antes de tudo de forma mais radical, foi o tipo de sociedade que torna possível a práxis educativa na escola. A base e o imaginário social que movem a escola, estão desfocados do tempo coletivo desejado, que torna possível a organização democrática e participativa. Outro ponto sensível que precisa ser entendido na escola é a ordenação do currículo, porque a geração de estudante, hoje vive conectada. Realidade que desafia a formação de sujeito coletivo emancipado.
Frente ao contexto da prática, a capacidade de renovação sem perder a qualidade social e finalidade da educação libertadora, configuram num dilema que precisa ser enfrentado. Diante da encruzilhada da sociedade e da escola, chegou o momento de reinvenção da prática. Prática que não se afasta da base teórica, como suporte de ruptura da inversão da cultura da colônia, visando a assunção cultural que reconstitui a vocação ontológica humana, articulada a racionalidade crítica, comunicativa e criadora. Para tanto, é preciso marcar a escola com experiência de vida e conhecimento, como marco referencial de planejamento participativo, formação centrada escola e prática pedagógica que impulsionam a reinvenção do conhecimento social.

Na concepção da educação Libertadora, o sujeito não vive no vazio, por isso é preciso que se mova a educação, na perspectiva do envolvimento de todos na conquista da condição de sujeito livre. Aposta na educação humana e emancipadora, como espaço de reencantamento da vida, como mediação capaz de transformação da cosmovisão de sociedade neoliberal, num processo político e ético balizados no compromisso com a formação humana, para geração da consciência crítica, movida pelo repensar o pensamento na busca da educação para justiça social, paz e rigorosidade da amorosidade, como alicerce estruturante da sociedade democrática, aberta e livre.

A educação para justiça social atua como antítese do paradigma de educação neoliberal, sobretudo, do contexto teórico que formula as políticas educativas. Na concepção de Carlos Alberto Torres, a educação para justiça social é fundamental, porque explora e contribui com a análise e crítica das desigualdades entre as pessoas. Além do mais, questiona o individualismo possessivo, que se prende a política dominante. A educação humanista é um espaço político e ético significativo, que procura dar poder às pessoas através do conhecimento.

O que significa compreender que o ato educativo não se configura numa estância estática e neutra. Ao contrário, diz Maria Amélia Franco, “a educação deve ser um ato político, que organiza a intencionalidade do ensino, a partir do sujeito, visto sempre em seu coletivo social”. É o que se espera do professor/a que compreenda, o sentido da beleza da diversidade e razões oprimidas, como alternativas epistemológicas e pedagógicas. No contexto da prática educativa e pedagógica, faz-se necessário a entrega a práxis libertadora. Ação que implica a tomada de consciência de que a libertação é uma exigência. Por isso, que o processo educativo emancipador, exige-se solidariedade. “A solidariedade, exigindo de quem se solidariza que assuma a situação de com que solidarizou, é uma atitude radical”.

(*) Dr. Ademar de Lima Carvalho, Prof. de Teoria da educação e filosofia da educação/UFR

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1 COMENTÁRIO

  1. O artigo do Prof. Ademar realizou uma reflexão necessária e profundamente atual sobre os rumos da educação contemporânea, sobretudo num tempo marcado pela padronização do ensino, pela lógica produtivista e pela redução da aprendizagem à repetição mecânica de conteúdos. Vejamos que o texto recupera uma dimensão humanizadora da educação, qual seja, a formação do pensamento crítico e criativo. Mais do que discutir métodos pedagógicos, o professor nos convida a pensar qual projeto de sociedade está por trás da escola que construímos diariamente. Sua defesa de uma educação voltada ao diálogo, à autonomia intelectual e à emancipação humana dialoga com tradições pedagógicas críticas fundamentais da educação brasileira e que fazem parte de nossa formação profissional.

    O texto é sensível, reflexivo e necessário porque reafirma que ensinar não pode ser apenas preparar para provas ou para o mercado, mas também formar sujeitos capazes de compreender, questionar e transformar a realidade em que vivem.

    Uma contribuição extremamente relevante para educadores, pesquisadores e todos aqueles que ainda acreditam na educação como prática de liberdade.

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