Uma geração de rebelde sem utopia

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(*) Prof. Dr. Ademar

É impressionante como a geração está aderindo o projeto político, que defende a cultura de morte, em detrimento da defesa da vida. A formação social hegemônica do indivíduo abstrato, como mistificação da imaginação conectada a ideia do sagrado, tem sido a configuração da onda social artificializada da vida social. O que subtende é que essa realidade social, constitui um território de disputa, por isso que precisa ser descolonizada do mito do poder da maldade, da esfera do saber e agir reduzidos ao estágio de mercadoria.

A lógica de pensar do indivíduo sobre a vida é controversa. O engraçado é que este jeito de ser intriga a beleza intelectual ou a maluquice humana de um olhar que não ver para além da aparência. Assim como, também a injustiça e a ignorância social produzem a morte da esperança do povo. A permanência de olhar o mundo na vertente dessa prática política tem induzido a geração, para opção o lado da descompensação social. Ato que resulta na ingenuidade de ver o mundo e adesão do projeto político, que destrói a vida humana porque perdeu a inteligibilidade de sujeito igual e consciência de militante na luta pela defesa da vida solidária. Por isso, que apoia ingenuamente a política de encarceramento da juventude, em detrimento da defenda da vida humana integral e investimento na educação e cuidado das crianças e adolescentes, através de políticas públicas consistentes.

No contexto da convivência no mundo a mente humana, sempre transita uma imaginação a procura de uma fresta que sinaliza uma saída. Contudo, quando está mergulhado no porão da reificação, o que resulta é a reprodução da representação da sombra da imagem revestida do opressor. A ruptura da sombra introjetada deixa-o frente o vazio que necessita ser preenchida. Quando o sujeito está desumanizado, a pauta é a prescrição do opressor. Porém, para o tardo de consciência a percepção de saída, somente visualiza a lagoa, como espaço para navegar na onda da negação da vida, que leva ao refúgio ao mito porque teme a liberdade. A educação política como práxis da democracia e soberania popular, como mediação para o envolvimento no processo de construção da autonomia, como marco referencial do pensar e do agir. Frente a atuação da política partidária o transforma num grande de desafio, porque a atuação de um partido precisa ter relação, com um compromisso social. Compreendo que, antes de tudo, a responsabilidade é libertar o povo do medo que apavora a comunidade de base. Para além do ócio do ofício, o compromisso de um político justo, não separa de sua identidade humana e engajamento na promoção da vida digna, para o bem-viver solidário na casa comum.

O mundo da vida é movimento, por isso que a exigência é tornar viva a imaginação criadora, para superação do aprisionamento na realidade dada. Na prática política cotidiana, é preciso movimentar o horizonte da liberdade, como condição para que o povo ocupa o espaço da radicalidade solidária e criatividade na proximidade da originalidade. O que é verdadeiro, transforma a política num espaço social, como movimento de crescimento real, para que concretiza a alegria da vida justa e fraterna.

O mundo real clama por mudança integral da sociedade, num mesmo movimento, em que envolve as estruturas econômicas e dos valores sociais. Quando a vida transforma em instrumento e objeto de manipulação política, vai-se perdendo o sentido de promotora da esperança. É a experiência política e educativa de qualidade social humanizadora que potencializam a geração, para assumir a condução da sociedade renovada. É partindo dessa premissa que compreendo que a política base do bem-comum, não se afasta do ato de afirmação da soberania popular e esperança dos pobres e excluídos que sonham com o mundo justo constituem de direitos humanos necessários.

O estado do bem-estar social, ainda é base fundamental para tomada de prioridade a pessoa humana por inteira, porque o humano não foi criado para viver na condição de escravo, mas de sujeito histórico livre. O evangelho vivo alerta para que compreenda, que é o espírito do amor que transforma o indivíduo, para que possa transitar de forma livre pelo mundo da vida. Por isso que a bondade, a generosidade, a fraternidade, partilha e a subsidieridade são princípios basilares, para o bem-viver do humano histórico. Para transformar o mundo num espaço melhor para viver, não dispensa o seu engajamento político.

Fato singular é que a razão humana tem capacidade e possibilidade de desvendar o ainda desconhecido pela própria racionalidade, como mediação capaz de resolução dos problemas sociais com a participação ativa da comunidade. Aqui justifica-se o papel relevante do orçamento participativo e organização dos movimentos sociais. A democracia fica empobrecida, quando o candidato fica subsumido ao mundo da espetacularização da “mass media” vendendo um produto mistificado de real, enquanto não passa de um persona mascarado da ética do indolor. Realidade que resulta numa doença social como ponto de partida para destruição da amizade social, democracia popular, soberania da nação e direitos humanos fundamentais.

O jogo de poder instituído que institui a tanatologia política e que destrói a vida dos pobres. Dessa forma, a aliança silenciosa movida pela ideologia da captura de símbolo histórico da nação leva a geração, sobretudo a juventude, o analfabeto político e a religião do mercado ao labirinto do obscurantismo como sinal da porta estreita da expiação e que se realiza ideia de mágica do sacrifício eleitoral na autofagia do moralismo, que esconde o real feitor da corrupção social. O mundo político que máscara a verdade, coloca a geração na rota da mentira permanente, como prática de vida social.

No mundo em ebulição e contradição, compreendo que somos ser condicionados. E que existe o modo controverso de perceber a realidade. Ato que na convivência até aceita o outro que está envolto do encantamento pelo desencantamento político pela vida. Mas, o problema que mais chama atenção, é que existe uma mentalidade feita, para que o indivíduo plasma a consciência do determinismo fatalista, que o coloca na condição de negacionista da própria vida, a fim de que se conforma com o paradigma que aposta na desumanização coletiva. Para que não perceba a regra do jogo, pinta e forja em instrumento de naturalização, para que a massa assuma a ideia da morte dos pobres e marginalizados, como necessidade real. Alia a esse modo de perceber o mundo, o clamor popular para que o poder da maldade transforma em verdade política.

Porém, tudo o que é sólido pode “desmanchar no ar”. Assim penso que na roda da história, no tempo de hoje, mesmo que o valor prioritário da modernidade é seguir o movimento para os amigos do “vocarianismo” revestido da modernidade como representação de barrabás. Contudo, na rachadura da construção histórica existe sempre possibilidade de implementar outro projeto de civilidade que não compactua com a conspiração que formata a consciência que naturaliza a desigualdade social.

O ato de votar exige discernimento político e ético para escolha da pessoa que vai representar a coletivo no parlamento e executivo. A rebeldia é um princípio educativo memorável. Mas, o “agir implica luta. Os sonhos são projetos pelos quais se luta. Na verdade, a transformação do mundo a que o sonho aspira é um ato político”, nos ensina Paulo Freire.

(*) Prof. Dr. Ademar de Lima Carvalho/UFR

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