Machucou, cortou, doeu?

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(*) Rosildo Barcellos

Urge ressaltar que quando o corpo sofre um ferimento, o organismo começa rapidamente uma sequência de reações que só serão concluídas quando o tecido machucado estiver reconstruído. Independentemente do tipo e da causa da ferida, este processo de cicatrização pode ser tripartido nas explicações que se seguem.

Imediatamente após o ferimento (um corte, por exemplo), alguns elementos que estão no sangue, como as plaquetas, entram em contato com o colágeno e com outras substâncias que as células produzem e eliminam. Com isso, são atraídas para o local da ferida:

As células vasoconstritoras, que diminuem a espessura das veias para atenuar o sangramento. As plaquetas, que liberam substâncias chamadas grânulos que, juntamente com os colágenos, são usadas para formar os coágulos, que funcionam como reserva de proteína. A coagulação é fundamental para a reconstrução da ferida. Os neutrófilos, atraídos pelas plaquetas, são as primeiras células de defesa que chegam 24 horas após o ferimento. Sua função é destruir as bactérias e começar a evitar infecções. Os macrófagos, que começam a substituir os neutrófilos entre 48 e 96 horas depois, para continuar suas funções de defesa e produzir também os chamados fatores de crescimento para a cicatrização.

Numa segunda fase os tecidos feridos começam a ser reconstruídos e onde o local é preparado para receber os colágenos, quando a cicatrização fica concluída. É iniciada geralmente no quarto dia após o ferimento e dura aproximadamente até o final da segunda semana.

Epitelização é a proliferação ou multiplicação das células epiteliais que estão nas bordas da ferida para restaurar a barreira protetora chamada membrana basal, uma lâmina que reveste as células dos nervos, músculos e gorduras. Angiogênese é a formação de novos vasos sanguíneos, que são essenciais para a cicatrização adequada; Formação de tecido de granulação, acontece quando as células chamadas fibroblastos migram dos tecidos vizinhos para a ferida e chegam com duas funções: produzir colágeno do tipo I e transformar-se em miofibroblastos, que fazem a ferida contrair e diminuir de tamanho. Não obstante, temos a deposição de colágeno, que é o início da transição para a próxima fase.

Vem agora a fase mais interessante, pois ocorre a deposição do colágeno de forma organizada e efetivamente concluindo a cicatrização. No início, o colágeno produzido, do tipo III, é mais fino do que o colágeno que está presente na pele normal. Mas com o passar do tempo, este vai sendo reabsorvido e o organismo passa a produzir um colágeno mais espesso, do tipo I, de forma mais organizada ao longo das linhas de tensão da pele, aumentando em cerca de 3 vezes a resistência do local onde existiu a ferida.
Uma boa limpeza inicial, e em seguida um bom estado nutricional, aliada uma alimentação adequada, inclusive com aporte de suplementos minerais e controle de glicemia, durante esse período é fundamental para o sucesso da cicatrização de feridas, pois o organismo acaba consumindo boa parte das reservas corporais. Portanto, fornecer os nutrientes certos, pode trazer melhores resultados para a cicatrização.

(*) Rosildo Barcellos é articulista

 

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