O museu da rosa, a indígena Bororo Cibáe Modojebádo

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(*) Flávio Feitosa

Rosa, roseira, rosa que não é somente flor, rosa que tem nome de bairro, parque, rua e museu, rosa que em Rondonópolis nunca morou! Mas quem é Rosa? Quem de fato procurou? Quem na Balsa Rosa Bororo viajou…? Quem com este nome te batizou?

Cibáe Modojebádo, indígena da etnia Bororo, usada pelos agentes colonizadores bandeirantes, na condição de “pacificadora”, entre os indígenas e não indígenas.

Cibaé que foi capturada como prisioneira e a mandado do Visconde de Maracajú, foi batizada pelo nome de Rosa. Em 1881, aprisionada com duas filhas, Cibáe é levada a Cuiabá, e adotada pela família de Thomaz Antônio de Miranda, nesse momento começou-se o processo de aculturação e Cibáe Modojebádo, passa ser conhecida por Rosa Bororo, nome civilizado. Uma vez que ao invés de feitos como “pacificadora”, ela instigava a “desarmonia” entre os indígenas e não indígenas, depois de usada pelos agentes colonizadores, fora descartada como inútil, “…Sem merecimento de qualquer consideração…”, essas foram as palavras do comandante de expedições.

Cibáe, foi capturada, aculturada e levada pelos colonizadores para as expedições com o fito de facilitar a dominação dos indígenas, Rosa é vista por uns como traidora dos seus, e por outros, uma heroína que intervia contra a dominação e o único meio era instigar a desarmonia e não ser pacificadora como assim os colonizadores desejavam.

Não cabe julgamentos a Rosa, pois, sobretudo além de ser aculturada, ESSA MULHER DA ETNIA BOÉ foi capturada com duas filhas, e forçada a viver na sociedade capitalista, forçada a aprender costumes e posturas que não pertenciam à sua cultura, Rosa Bororo foi mais uma vítima indígena da máquina colonizadora.

Feito este preâmbulo, o Museu que leva o nome de Rosa Bororo, localizado no centro da cidade de Rondonópolis, traz elementos infungíveis que fazem parte da construção histórica de Rondonópolis. Um acervo com fotografias, objetos pessoais, objetos da cultura indígena, quadros, bustos e outros elementos culturais. Ademais, o Museu preserva também histórias de personalidades que foram importantes para a cidade, como o senhor José Sobrinho e o Marechal Cândido Rondon entre outros; mas, onde está CIBÁE MODOJEBÁDO, a dita Rosa?

É imprescindível pontuar a importância do Museu em nossa cidade, tendo em vista, que os documentos e as fotografias, preservam acontecimentos que foram marcantes para formação da sociedade rondonopolitana. Falar sobre objetos antigos, preciosidades, certamente deleita o coração de qualquer historiador. Não somente historiadores, mas, todos aqueles que apreciam os fatos do passado. Ao se visitar o Museu Rosa Bororo, esperamos encontrar a História daquela que adotaram o nome, ROSA BORORO, mais especificamente CIBÁE MODOJEBÁDO.

Em latim “Museum”, significa, “Biblioteca, lugar de estudo.” Esse significado evidencia que todo museu é um local de estudo, todo museu possuí opções de fontes para estudo, assim deve-se cuidar e preservar os acervos de um museu, para que as pessoas do presente e gerações futuras, tenham acesso a todo acervo.

Ao que se refere cuidados de preservação, o MUSEU ROSA BORORO clama por investimentos municipal para manutenção do prédio que está se decompondo com a chuva. Também precisa de reparos e medidas para a conservação adequada do acervo histórico. Quem visita o museu, certamente já se deparou com o excesso de goteiras e infiltração nas paredes. É de conhecimento de todos que uma infiltração pode causar danos estruturais, deterioração do concreto, mofo e fungos, essa problemática coloca em risco a conservação e manutenção dos objetos que estão na parede como os quadros, as fotografias e a própria estrutura do local.

É preciso URGENTEMENTE a restauração do Museu, uma recuperação do local de forma adequada e técnica. Os responsáveis pelo cuidado do Museu, fazem o possível para manter a preservação do espaço, entretanto, perece do olhar da gestão política. É de se entristecer um espaço que comporta os acervos de fotografias, documentos e objetos não ter um espaço adequado de conservação e comunicação. Fica o questionamento: Por que o poder público não se interessa pelo Patrimônio Histórico e Cultural do Município de Rondonópolis? Por que documentos e obras guardadas?

(*) Flávio Feitosa Chaves é acadêmico do curso de História da Universidade Federal de Rondonópolis (UFR)

 

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