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, 21 maio 2024
 
 

Deus, o grande eleitor

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(*) Caio Bruno

Em um país onde a religião e a politica estão cada vez mais integrados e que o Estado Laico está fadado a ser apenas uma teoria, a fé e Deus se tornaram grande ativo político. À esquerda e à direita. É claro que o uso do sagrado como instrumento de controle da opinião pública tem origens históricas, mas no Brasil o fenômeno de forma explícita é recente e tem a ver com o alto crescimento do número de evangélicos, principalmente a partir dos anos 1990.

Atualmente, um candidato a qualquer cargo eletivo tem que dialogar com esse público que, no plano nacional, ainda não elege sozinho o presidente, mas decididamente influencia e muito em uma vitória ou derrota. Por isso, já não se governa mais sem fazer concessões a grupos religiosos e isso é refletido na chamada pauta de “costumes”. São temas ligados à moral cristã como a proibição do aborto, mas também em assuntos bem terrenos como isenção de impostos e outras facilidades para igrejas.

Calcanhar de Aquiles de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) desde que chegou ao poder pela 3ª vez, o eleitorado cristão (mais precisamente o evangélico) o rejeita de forma majoritária mesmo com a melhora em índices econômicos. Uma das explicações é a militância de líderes religiosos, o avanço das fake news e a dificuldade governamental de se comunicar com essa parcela da sociedade.

Para muitas pessoas que integram esse grupo, mais vale a convicção de sua fé e aquilo que seus amigos e líderes falam do que o fato propriamente dito. Um exemplo: se a vida economicamente melhora, não é graças à economia do país, mas sim a Deus que a abençoou. Diante desse contexto, como dialogar com esses brasileiros?

A fórmula que Lula achou foi citar o Pai Eterno repetidas vezes. Durante discurso realizado no último dia 4 em Pernambuco, o presidente citou Deus e “milagre” 27 vezes, uma por minuto em frases como: “Vocês acreditam em Deus? Vocês acreditam em milagre?” e “Deus não é mentira, é a verdade, e não pode usar em vão como eles usam todo santo dia”.

Além disso, seu Governo por meio da Secretaria de Comunicação Social lançou há poucos dias campanha publicitária com o mote “Fé no Brasil” para divulgar suas realizações. Mas não há conteúdo voltado ao público cristão-evangélico propriamente dito. A conexão está somente no uso da palavra “Fé”.

Se essa tentativa de aproximação do presidente com o público religioso dará certo ou não, o tempo e as pesquisas de popularidade é que vão dizer. Mais do que mera conexão e uso de palavras-chave é necessário entender os anseios e as pautas dessas pessoas.

O fato é: Deus veio para ficar na política brasileira.

(*) Caio Bruno é jornalista e especialista em Marketing Político

 

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