
Rui Barbosa, famoso advogado, político, jurista e diplomata do início do século passado dizia que “a família é a célula mater da sociedade”, reforçando reflexões realizadas ao longo da história por filósofos e estudiosos das mais diferentes áreas do conhecimento. De fato, a família é a primeira sociedade da qual participamos e onde somos formados para a vida comunitária, com laços indissolvíveis: ninguém deixa de ser filho ou de ser pai ou mãe… são laços que perduram por todas as nossas vidas. Assim sendo, os valores que sustentam essa instituição maravilhosa devem ser cuidados com muito zelo, mas o que acompanhamos neste novo milênio é um bombardeio permanente contra os valores familiares.
As novas descobertas tecnológicas, científicas e culturais; as novas ocupações no mercado de trabalho; o consumismo exagerado e o sentimento de poder a todo custo, tem gerado práticas que afetam diretamente as questões familiares e educacionais. Aspectos elementares como a condição humana de se nascer homem ou mulher, como um dom precioso de Deus, passam a ser questionados, confundindo o mistério da vida com as escolhas que cada um pode fazer ao longo da vida. Um aspecto é a própria vida; outro é o que queremos fazer com a nossa vida: temos liberdade de escolha e devemos ser responsáveis pelas escolhas que fazemos.
Com sabedoria, as igrejas cristãs seguem a proposta de Jesus Cristo e continuam defendendo a importância do matrimônio fundamentado na união de um homem e de uma mulher e na indissolubilidade dessa união como forma de garantir a geração e a educação de filhos que possam, por sua vez, repassar aos seus filhos toda a riqueza de uma vida familiar. “Por isso o homem deixará seu pai e sua mãe e se unirá à sua mulher e os dois formarão uma só carne” (Gênesis 2,24; Mateus 19,5-6). A formação adquirida na família repercutirá pela vida toda, daí a importância dos pais na educação dos filhos; no repasse de valores que possam contribuir para que cada pessoa se sinta amada e acolhida e assim possa descobrir a sua vocação e atingir sua realização pessoal e profissional.
Neste ano de 2023, a Igreja Católica reflete sobre a família como “fonte de vocações” numa perspectiva do ardor missionário: “corações ardentes, pés a caminho”, lembrando da necessidade de vivenciarmos o transbordamento do amor de Deus em nossas famílias. Diante de tantos desafios cotidianos somos convidados a refletir sobre as nossas práticas: as famílias e a sociedade serão mais equilibradas a partir dos valores que hoje vivencio? Por mais que o mundo nos encante, não devemos esquecer que fomos criados por Deus para uma missão que é de Deus; para vivermos no amor fraterno e incondicional e é na família que temos a oportunidade de descobrir o caminho a seguir. Sigamos com esperança, como o Papa Francisco nos convida: “avancemos famílias, continuemos a caminhar! O que nos é prometido é sempre mais. Não percamos a esperança por causa dos nossos limites, mas também não renunciemos à procura da plenitude de amor e comunhão que nos foi prometida” (Amoris Laetitia:2016, p.198).
(*) Laci Maria Araújo Alves – Historiadora



