
SOJA: influência de Chicago
Os preços da soja subiram durante a semana nas principais praças de comercialização do país, acompanhando os bons ganhos acumulados pelos contratos futuros na Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT). A comercialização melhorou, mas o volume de negócios ainda é incipiente, com os produtores preferindo negociar no mercado disponível. As vendas antecipadas estão praticamente paralisadas.
A saca de 60 quilos teve preço de R$ 67,00 no dia 3 de abril em Passo Fundo (RS), comparado com o valor de R$ 66,50 em 27 de março. No mesmo período, o preço subiu de R$ 64,50 para R$ 67,00 em Cascavel (PR). Em Rondonópolis, o preço passou de R$ 57,50 para R$ 60,00. Em Dourados (MT), a saca avançou de R$ 60,00 para r4 61,50, enquanto em Rio Verde (GO) o preço era de R$ 63,50, acima dos R$ 62,00 da semana anterior.
O mercado interno seguiu a sinalização de Chicago. Os contratos com vencimento em maio acumularam valorização de 2,7% no período, encerrado a quinta na casa de US$ 14,75 por bushel. O aperto nos estoques americanos segue sendo fundamental para a sustentação dos preços internacionais.
Na segunda-feira, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) indicou que os estoques na posição 1º de março ficaram em 26,9 milhões de toneladas. Este volume é o menor em 10 anos para o período. Os estoques apresentados pelo USDA ficaram abaixo da pessimista estimativa do mercado e garantiram a alta.
No mesmo dia, o Departamento divulgou a intenção de plantio para os Estados Unidos em 2014. E o levantamento comprovou os efeitos de uma temporada de ótima comercialização para a soja. Os norte-americanos deverão plantar a maior safra da história, ocupando 81,5 milhões de acres e avançando em áreas anteriormente destinadas ao milho.
MILHO: mercado desuniforme
O mercado brasileiro de milho teve situações adversas no Brasil. Em algumas localidades, a comercialização fluiu; é o caso do Paraná, de São Paulo e de Minas Gerais. Nas demais regiões, com enfoque no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina os negócios foram muito fracos; com consumo apenas pra cobrir necessidades pontuais.
Segundo o analista de Safras & Mercado, Fernando Henrique Iglesias, o importante é que São Paulo, de uma maneira geral, começa a apresentar alta justamente no final da colheita. Os produtores armazenam o final dos seus estoques nos armazéns, causando o escasseamento da oferta e consequentes preços mais altos.
As exportações de milho do Brasil renderam US$ 122,6 milhões em março, com média diária de US$ 6,5 milhões. A quantidade total de milho exportada pelo país chegou a 577,7 mil toneladas, com média diária de 30,4 mil toneladas. O preço médio da tonelada ficou em US$ 212,3.
Entre fevereiro e março, houve uma baixa de 39,2% no valor médio exportado, uma retração de 42,8% na quantidade e uma alta de 6,2% no preço médio. Na relação entre março de 2014 e o mesmo mês de 2013, houve baixa de 72,8% no valor total exportado, perda de 62,2% na quantidade total e desvalorização de 28% no preço médio.
Nesta quinta-feira (03), o porto de Paranaguá registrou preço a R$ 30/31,00, com o Porto de Santos a R$ 31/33,00 para os contratos de agosto e setembro.
No estado do Paraná, a cotação comprador/vendedor em Cascavel ficou a R$ 25,50/26,50 a saca. No Rio Grande do Sul, preço a R$ 28,50/29,50, em Erechim. Em Goiás, preços a R$ 25/26,00, em Rio Verde. Em Mato Grosso, preço a R$ 23/24,00, em Rondonópolis.
BOI GORDO: oferta aumenta
Foi verificado ao longo desta semana um considerável aumento no volume de oferta de boi gordo no mercado interno brasileiro. Segundo o analista de Safras & Mercado, Fernando Henrique Iglesias, o clima favorável para as pastagens criou condições adequadas para a engorda dos animais. Como os preços já se encontram em níveis ótimos para o pecuarista, ele negociou volumes expressivos de boi gordo com peso ideal para o abate com os frigoríficos.
Conforme Iglesias, houve aumento de oferta principalmente nos estados de Goiás e no Mato Grosso do Sul. Em São Paulo, contudo, a situação ainda é muito complicada. Os frigoríficos paulistas têm comprado boi gordo proveniente de outros estados. A expectativa, segundo Iglesias, é que durante abril e também durante o mês de maio haja uma maior oferta de boi gordo, fazendo com que os preços da arroba se alterem de maneira sensível.
Apesar dos preços em queda, vale salientar que o valor da arroba entre abril e maio deve representar novo recorde. O ano de 2014 marca um período de preços atípicos e já há uma grande preocupação em torno do próximo período de entressafra.
Os frigoríficos, de uma maneira geral, conseguiram uma boa frente em suas escalas de abate. No ápice do quadro de escassez de oferta, as escalas chegaram a ficar abaixo de dois dias úteis. No final de março, os frigoríficos já trabalhavam de maneira mais confortável, com escalas de abate posicionadas entre três a quatro dias úteis. Até mesmo os frigoríficos de menor porte têm conseguido comprar de maneira adequada. “A expectativa é que mesmo durante o período de virada de mês ocorra um comedido recuo dos preços de balcão em todo o Centro-Sul do país”, finaliza Iglesias.
A média semanal dos preços em São Paulo, Capital, foi de R$ 125,33 por arroba. Em Mato Grosso do Sul, o preço ficou a R$ 120,66 por arroba, em Campo Grande. Em Minas Gerais, a arroba ficou em R$ 115,00, em Uberaba. Em Goiás, a arroba foi cotada a R$ 118,66, em Goiânia. Finalmente, no Mato Grosso, o preço esteve a R$ 115,00 por arroba, base Cuiabá.
ALGODÃO: preços em queda
A pluma fecha a primeira semana de abril cotada R$ 2,10 por libra-peso no CIF de São Paulo, preço abaixo da semana anterior, quando valia R$ 2,15. “Porém, conforme se aproxima a entrada de produtos da safra 2013/2014 no mercado, a tendência é de aumento do consumo interno da pluma, puxando os preços para cima”, prevê o analista de Safras & Mercado, Rodrigo Neves. “Esse possível aumento se deve à entrada de produto de melhor qualidade no mercado somada à necessidade da indústria de preencher estoques”, explica.



