SOJA: preços em alta
Mesmo com o avanço do plantio e a lentidão na comercialização, os preços da soja seguiram em ascensão no Brasil no mês de novembro. As cotações futuras firmes na Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT) e o dólar valorizado frente ao real contribuíram para a elevação dos referenciais domésticos.
Em Passo Fundo (RS), o preço médio subiu de R$ 73,65 em outubro para R$ 74,35 em novembro. Em Cascavel (PR), a cotação passou de R$ 72,85 para R$ 73,90. A média também avançou de R$ 64,80 para R$ 67,35 em Rondonópolis. Em Dourados (MS), o preço médio subiu de R$ 66,35 para R$ 69,20. Em Rio Verde (GO), o preços médio de novembro foi de R$ 70,20, superando a média de R$ 68,05 de outubro.
Os contratos com vencimento em janeiro da Bolsa de Chicago tiveram média de US$ 12,94 em novembro, contra US$ 12,86 por bushel em outubro. Apesar da safra cheia se confirmando nos Estados Unidos, a boa demanda pela oleaginosa garantiu mais um mês positivo. O dólar comercial abriu o mês a 2,234 e vai encerrando na casa de R$ 2,325.
Apesar do quadro de superoferta mundial de soja, os preços da commodity deverão oscilar em torno de US$ 12,50 por bushel, na Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT) nos próximos meses, patamar que permanece acima da média histórica de US$ 12,00. A projeção foi feita pelo analista de associado de Safras & Mercado, Flávio França Júnior.
“Acima disso, em US$ 13,50, US$ 14,00, somente se houver alguma novidade, que prejudique a produção mundial da oleaginosa”, afirmou o analista. Segundo ele, os preços futuros em Chicago só não recuam mais devido à perspectiva de boa demanda mundial, principalmente por parte da Ásia, mais precisamente dos compradores chineses.
Após bater na casa de US$ 17,00 no ano passado, devido ao pânico – não confirmado – em relação à oferta americana, o mercado de soja passa por um período de ajustes. “Os preços ainda estão em patamares altos, mas passamos por um relativo quadro de equilíbrio entre os fundamentos”, explicou.
Em relação ao impacto do mercado financeiro na formação do preço da soja em Chicago, França Júnior sugere o acompanhamento de pelo menos três variáveis: ações, petróleo e câmbio. “Petróleo e ações têm forte correlação com o mercado de commodities agrícolas. Se os dois estiverem subindo, como agora, as indicações são favoráveis à soja”. Já com o dólar, ocorre o inverso. “Dólar firme contra outras moedas indica preços americanos mais caros e impacto negativo sobre Chicago”, completou. Para a safra nova, a paridade para venda antecipada entre abril e maio indica um quadro mais conservador. Para Rondonópolis (MT), a projeção é de preços entre R$ 45,50 e R$ 47,50, mas ainda assim acima da média de R$ 40,00. “O importante agora é acompanhar as variáveis que poderão alterar este quadro de acomodação dos preços”, concluiu o analista.
MILHO: fracos negócios
O mercado brasileiro de milho teve um mês basicamente com fraquíssimos negócios e preços estáveis. Isso se explica pela ausência de comprador e vendedor na comercialização. Segundo o analista de Safras & Mercado, Fernando Henrique Iglesias, isso se deve a um comprador abastecido e a um vendedor que aguardava preços mais altos para fixar preços e, enfim, negociar.
Já nos últimos três dias, começou a entrar mais oferta disponível, e o produtor a fixar preços, mostrando uma postura mais aberta para negociar. Entretanto, os preços ficaram praticamente estáveis, e saíram poucos negócios. Ontem, a oferta sumiu novamente do mercado, e o mesmo ficou paralisado. As exportações de milho do Brasil renderam US$ 520,8 milhões em novembro (15 dias úteis), com média diária de embarques de US$ 34,7 milhões. A média é 1% menor na comparação com os US$ 35,1 milhões obtidos diariamente em outubro de 2013, quando os embarques de milho haviam rendido US$ 806,9 milhões. Em novembro do ano passado, as exportações totalizaram US$ 1,071 bilhão, com média de US$ 53,6 milhões em embarques.
A média de preços em novembro do milho no porto de Paranaguá foi de R$ 25,84, diante do fator câmbio e da Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT). No estado do Paraná, a cotação em Cascavel ficou a R$ 21,17. No Rio Grande do Sul, preço a R$ 25,94, em Erechim. Em Minas Gerais, preço em Uberlândia a R$ 24,00. Em Goiás, preço a R$ 20,11, em Rio Verde. Em Mato Grosso, Sorriso, o preço encerrou a R$ 11,78.
BOI: restrição de ofertas
No mercado físico do boi gordo, o quadro de restrição de oferta se prolongou. Com isso, os frigoríficos não conseguiram compor suas escalas de abate de maneira satisfatória. O resultado desse encurtamento é a alta dos preços de compra em boa parte do país.
Segundo o analista de Safras & Mercado, Fernando Henrique Iglesias, os frigoríficos de menor porte seguem apresentando maiores dificuldades na composição de suas escalas de abate. Alguns deles operam com capacidade reduzida. Na contramão desse movimento, os frigoríficos de maior porte ainda apresentam um quadro mais confortável, fazendo valer o uso dos confinamentos próprios e dos contratos a termo firmados no início do ano. A segunda quinzena de novembro vem se mostrando mais aquecida. É natural que isso ocorra, considerando que o recebimento da primeira parcela do décimo terceiro ocorre justamente durante esse período. Por conta disso, os frigoríficos precisam compor os seus estoques de maneira adequada, a fim de atender plenamente a demanda.
A estiagem prolongada no Centro-Oeste do país provocou o atraso da engorda do boi de pasto. Por conta disso, esse boi de pastagem deve chegar tardiamente ao mercado. Esse quadro de restrição ocorre justamente no momento em que a demanda se mostra mais efetiva. Nessa linha, o mercado aguarda por boa alta dos preços.
A média mensal de preços em novembro em São Paulo foi de R$ 109,75.Em Mato Grosso do Sul, o preço ficou a R$ 106,34. Em Minas Gerais, a arroba ficou a R$ 106,27. Em Goiás, a arroba foi cotada a R$ 104,58. Em Mato Grosso, preço esteve a R$ 96,55.
O mercado atacadista de carne bovina está operando com bom volume de vendas, preços estáveis, porém, trabalha-se com possibilidade de elevação de preços face ao aumento da procura, principalmente dos cortes mais nobres. Esse quadro indica previsão de que poderá ocorrer elevação de preços.
A média mensal de preços em novembro no atacado foi de R$ 8,87 nos cortes de traseiro e de R$ 5,31 nos cortes de dianteiro.



