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SOJA: mercado nacional parado
 
A primeira semana de maio apresentou poucos negócios e preços entre estáveis e mais baixos no mercado brasileiro de soja. Com a colheita praticamente encerrada e diante de uma safra recorde, os produtores seguiram retraídos, sem encontrar motivação para negociar devido ao comportamento negativo da Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT). As cotações internas só não caíram mais em função da boa valorização do dólar comercial frente ao real.
Entre os dias 28 de abril e 5 de maio, a saca de 60 quilos pouco oscilou em Passo Fundo (RS), seguindo estável em R$ 44,00. Em Cascavel (PR), o preço recuou de R$ 43,00 para R$ 42,00 no período. Em Rondonópolis (MT), a cotação também caiu, passando de R$ 39,50 para R$ 39,00.
O principal fator de pressão para os preços domésticos foi o comportamento da Bolsa de Chicago. Nos sete dias terminados na quinta-feira, os contratos com vencimento em julho acumularam desvalorização de 2,37%, baixando de US$ 13,53 para R$ 13,21 por bushel. O impacto só não foi maior porque o dólar compensou as perdas de Chicago, subindo 2,65% e passando de R$ 1,583 para R$ 1,625.
O desempenho dos principais referenciais na composição dos preços domésticos tem a mesma origem. Fundos e especuladores internacionais liquidaram posições no mercado internacional de commodities e buscaram investimentos mais seguros. Ao liquidar posições, o mercado deu claros sinais de que a aversão ao risco está aumentando. Tudo devido à preocupação com o futuro da economia mundial, que não está crescendo no ritmo esperado.
Além de seguir outras commodities, a soja ainda convive com alguns fatores fundamentais baixistas. O principal deles é o enfraquecimento da demanda pela soja norte-americana. Com a entrada de uma safra recorde na América do Sul, os compradores, principalmente a China, voltam seu foco para a oleaginosa produzida no Brasil e na Argentina, que apresentam preços bem mais competitivos.
Completando o cenário de baixa, há o andamento da nova safra americana. O plantio do milho segue bastante atrasado na comparação com o ano passado e com a média. Dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) indicam que, até 1o de maio, a área plantada chegou a 13%, enquanto na semana anterior era de 9%. Em igual período do ano passado a área plantada equivalia a 66% e a média para o período é de 40%. Com o adiamento da semeadura, cresce o sentimento no mercado de uma maior transferência de área do cereal para a oleaginosa. Com isso, o aperto na oferta mundial da oleaginosa poderá ser menor do que o esperado inicialmente.
BOI: preços mais baixos

O mercado físico do boi gordo já vem apresentando uma melhor oferta de animais ao longo das últimas semanas. Conforme o analista de Safras & Mercado, Fernando Henrique Iglesias, após a lentidão provocada pelo feriado de páscoa, os negócios começaram a apresentar um melhor ritmo. Com isso, o avanço das escalas de abate dos frigoríficos na maior parte do país foi notável. Em consequência da melhor escala, os preços cederam na maior parte do país.
A chegada de frentes frias ao país é o principal responsável pela melhor oferta que vem sendo verificada em grande parte do Brasil. Com o frio, as pastagens têm seu processo de deterioração acelerado, o que praticamente inviabiliza a retenção de boi gordo nas pastagens. Dessa forma, a oferta torna-se superior.
Mesmo com os preços cedendo na maior parte do país, os pecuaristas estão obtendo bons ganhos por conta do peso do animal, que está retido nas pastagens há algum tempo. A expectativa é de cotações ainda mais baixas na maior parte do país ao final do período de safra. “A oferta de boi gordo deve apresentar melhora gradual no decorrer das próximas semanas”, explicou o analista. Alguns frigoríficos de maior porte optaram por se ausentar do mercado a fim de conseguir um melhor preço pela carne no mercado atacadista, na tentativa de manter a oferta de carne bovina ajustada
Nesta quinta-feira (05), em São Paulo, mercado esteve em R$ 101/102 arroba, livre, a prazo contra R$ 102 do início da semana (02). Em Mato Grosso do Sul, preço a R$ 95,00 contra R$ 96,00 arroba de segunda (02), livre, a prazo. Em Mato Grosso, preços estáveis, a R$ 93/94,00 arroba, livre, a prazo contra R$ 94,00 a arroba do início da semana.
O mercado atacadista ainda não apresentou consideráveis alterações dos preços; sinal de que a boa oferta de boi gordo está se sobrepondo à demanda sazonal inerente a esta semana.
ALGODÃO: preço volta a despencar

Como ocorreu durante todo o mês de abril, o mercado brasileiro de algodão teve mais uma semana baixista no início de maio. Com pouco interesse de negócios nesta quinta-feira (05), tanto pelos vendedores quanto por compradores, a indicação nominal no disponível CIF de São Paulo, para pagamento em 08 dias, ficou por volta de R$ 2,40 por libra-peso, estável em relação à quarta-feira (04). Na semana anterior, a libra-peso valia em torno de R$ 2,90.
Segundo o analista de Safras & Mercado, Élcio Bento, os agentes estão em ritmo de espera, para ver se o forte ajuste da quarta-feira foi suficiente para o mercado encontrar um equilíbrio e interromper a trajetória de queda, ou se ainda há espaço para retrações.
Em relação ao mesmo período do mês passado, o produto nacional apresenta perda de 36%. Em dólares, a retração é de 38%. Em Nova York, as cotações recuaram 39% em 30 dias. “Além das variáveis internas, como a proximidade da safra, os preços domésticos sofrem com a pressão vinda do mercado internacional”, explica Bento.
A Bolsa de Mercadorias de Nova York (ICE Futures US) para o algodão encerrou as operações desta quinta-feira com preços em forte baixa. O contrato julho de 2011 fechou em 146,86 centavos de dólar por libra-peso, com perdas de 4,65 centavos, ou de 3,06%. Uma liquidação de commodities – diante da firmeza do dólar e do desapontamento com os dados de emprego nos Estados Unidos – provocou a baixa nos contratos futuros.
Para completar o quadro negativo, o relatório de exportações semanais dos Estados Unidos, divulgado pelo Departamento de Agricultura do país (USDA), mostrou cancelamentos de compras pela sexta semana consecutiva. As vendas líquidas norte-americanas de algodão (upland), referentes à temporada 2010/11, iniciada em 8 de agosto, ficaram em -6.500 fardos na semana encerrada 28 de abril, contra o saldo semanal anterior de -43.900.

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