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A confiança dos empresários industriais brasileiros voltou a cair em julho e atingiu o menor patamar desde junho de 2020, período marcado pelos efeitos da pandemia de covid-19. O Índice de Confiança do Empresário Industrial (Icei) recuou 2,3 pontos, passando de 46,7 em junho para 44,4 pontos neste mês.
O resultado representa a segunda queda consecutiva do indicador e mostra uma intensificação do pessimismo dentro do setor. Em junho de 2020, última vez em que o índice esteve abaixo do nível atual, o Icei havia alcançado 41,2 pontos. A média histórica do indicador é de 53,3 pontos.
Com o novo recuo, os empresários da indústria completaram 19 meses seguidos sem demonstrar confiança. O Icei permanece abaixo dos 50 pontos desde janeiro de 2025, formando a segunda maior sequência negativa da série histórica. O período mais longo ocorreu durante a recessão econômica de 2015 e 2016.
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A escala do índice varia de zero a 100 pontos. Resultados acima de 50 indicam confiança, enquanto valores abaixo desse limite revelam falta de confiança. Quanto mais distante o indicador estiver dos 50 pontos, mais disseminado é o sentimento positivo ou negativo entre os empresários consultados.
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Produção, emprego e investimentos podem ser afetados
A manutenção do pessimismo por um período prolongado pode comprometer decisões importantes das empresas. Segundo o gerente de Análise Econômica da CNI, Marcelo Azevedo, a falta de confiança tende a provocar redução da produção e do número de empregados, além de adiamento ou cancelamento de investimentos produtivos.
O Icei funciona como um indicador antecedente da atividade industrial. Isso significa que ele não mede diretamente a produção realizada no mês, mas ajuda a sinalizar possíveis mudanças de tendência, uma vez que decisões de contratação, produção e investimento costumam ser influenciadas pelas expectativas dos empresários.
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Situação atual é avaliada como pior
Os dois componentes que formam o índice apresentaram queda em julho. O Índice de Condições Atuais recuou 0,7 ponto e chegou a 41,6 pontos, indicando que os empresários consideram que a situação da economia e de suas empresas está pior do que há seis meses.
A percepção negativa é mais intensa em relação à economia brasileira. Esse componente caiu 1,3 ponto e atingiu apenas 34,7 pontos. Já a avaliação sobre as próprias empresas recuou 0,3 ponto, passando para 45,1 pontos.
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Os resultados mostram que, embora os industriais também enxerguem piora dentro de seus negócios, a avaliação sobre o cenário econômico nacional é consideravelmente mais desfavorável.
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Expectativas têm maior queda desde 2022
O movimento mais forte ocorreu nas expectativas para os próximos seis meses. Esse componente caiu 3,1 pontos, de 48,9 para 45,8 pontos, registrando o maior recuo desde novembro de 2022, quando a queda havia sido de 10,8 pontos.
A expectativa em relação à economia brasileira diminuiu 3,8 pontos e chegou a 37,2. Já o indicador relacionado ao desempenho das próprias empresas caiu 2,7 pontos, passando de 52,8 para 50,1 pontos. Com isso, o otimismo que ainda existia em relação aos próprios negócios praticamente desapareceu, deixando o componente próximo da neutralidade.
Segundo Marcelo Azevedo, a piora das expectativas pode estar relacionada ao aumento das incertezas externas. Entre os fatores mencionados pelo economista está a possibilidade de retomada de tarifas norte-americanas sobre produtos brasileiros. A avaliação, entretanto, representa uma interpretação da CNI e não uma relação causal medida diretamente pela pesquisa.
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Mais de mil empresas participaram
A edição de julho do Icei ouviu 1.118 empresas entre os dias 1º e 7 do mês. A amostra foi formada por 442 indústrias de pequeno porte, 411 de médio porte e 265 grandes empresas. O levantamento foi concluído em 10 de julho e divulgado nesta segunda-feira (13) pela Confederação Nacional da Indústria.
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