–> LIBERADO –> A proposta do Sindicato Rural de Rondonópolis em retomar a Agrishow Cerrado não vingou. O presidente do Sindicato Rural, Miguel Weber, confirmou que a Agrishow Cerrado não será realizada em Rondonópolis no próximo ano. A feira de difusão agrícola e tecnológica fez sucesso na cidade entre 2002 e 2006, parando de ser realizada com a crise agrícola de 2005/2006. Desde o começo deste ano, a nova diretoria do Sindicato Rural vinha articulando a retomada da Agrishow.
Conforme Miguel Weber, a Associação Brasileira de Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), detentora da marca Agrishow, repassou não ter interesse em fazer nova edição da Agrishow Cerrado. A proposta da retomada da feira, em parceria com o Sindicato Rural, foi analisada pelas câmaras setoriais que compõem a referida associação brasileira. Por um lado, Miguel externou ao Jornal A TRIBUNA que a volta da Agrishow Cerrado seria muito importante para a economia de Rondonópolis e da região, devido à grandiosidade do evento.
Por outro lado, o presidente do Sindicato Rural avalia que o retorno da Agrishow Cerrado não seria tão interessante quando se coloca em peso a Exposul, que correria o risco de esvaziar e enfraquecer comercialmente. Com dois eventos de negócios realizados ao ano, repassa que os grandes expositores de máquinas e implementos agrícolas fariam a escolha pela participação em apenas um deles, devido aos custos, provavelmente pela Agrishow Cerrado. Nesse aspecto, vale ressaltar que a Exposul vem se fortalecendo na área de negócios nos últimos anos, batendo recorde de comercialização em 2011: R$ 89,5 milhões.
Para o ex-presidente (2007/2008), ex-vice-presidente (2009/2010) e atual membro do conselho fiscal do Sindicato Rural de Rondonópolis, Ricardo Tomczyk, conhecedor da realidade do agronegócio estadual, a Exposul e a Agrishow Cerrado são duas feiras completamente diferentes. Mesmo assim, ele entende que realmente Mato Grosso ainda não está pronto para receber a Agrishow Cerrado de volta. “É um investimento muito grande. Para a Abimaq, não seria interessante devido à realidade do endividamento agrícola dos últimos cinco anos. Seria uma feira com risco de baixo volume de negócios”, avalia.
Contudo, Ricardo Tomczyk também acredita que a retomada da Agrishow Cerrado seria algo muito bom para a cidade de Rondonópolis, devido à movimentação do setor de serviços, vinda de turistas e atração de investidores. “Para a cidade e para Mato Grosso, a Agrishow Cerrado seria um holofote [serviria para mostrar as potencialidades locais]”, diz. Por sua vez, também reforça que a retomada do evento seria prejudicial à Exposul, que teria a parte de negócios comprometida. “Acho que os resultados excepcionais da Exposul nos últimos anos se devem muito à ausência da Agrishow Cerrado”, acrescenta.
A Agrishow Cerrado era uma feira estritamente de negócios, com grandes lançamentos e difusão de alta tecnologia da área agrícola. No começo deste ano, Miguel Weber chegou a participar de reunião com o presidente da Abimaq, em São Paulo (SP). Na época, a associação havia mostrado bastante receptiva na consolidação da proposta. Vale informa que, em seus tempos áureos, a Agrishow Cerrado, em Rondonópolis, chegou a movimentar em negócios mais do que a feira mãe, em Ribeirão Preto (SP): faturando quase R$ 1 bilhão.



