
Olhar esta cidade irregular
Saudade esmurrando as portas
Ninguém bebendo em boates
Gatilhos mentais sem disparar
Nada me conforta.
Prefiro abrir meu coração
Me declarar pra ela
Daquilo que resta para o resgate
Nem que seja duma alma vazia
Daquela que ama pelo dinheiro
Ainda hoje te esquece.
Nada me faz acreditar
Mesmo esse vento que estremece
Vindo na contra-mão sem cheiro
Como posso apostar?
A imensa cidade parou
Restaram apenas luzes acesas
A meiga garçonete não apareceu
O neon não brilhou
Não há gelo nem limão
O mundo já se rendeu
Tudo em volta dói
Do peito, dos olhos, da solidão
Então.
(*) Francisco Assis Silva é poeta e militar. Email; [email protected]



