O perfil do empreendedor

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Eleri _UPoucos assuntos da área de negócios têm sido tão discutidos atualmente quanto o empreendedorismo. Por definição, entende-se o empreendedor como alguém disposto a empreender, começar algo novo, mudar o estado das coisas, influenciar o ambiente com sua capacidade de imaginar e realizar.
Normalmente, tem-se a pretensão de padronizar o perfil, definindo um tipo clássico. Ocorre que na prática não é assim tão simples. À medida que se avança temos melhores oportunidades para discernir sobre quem são, como atuam e o que os faz diferentes.
Mas antes de tudo é importante observar a tipologia dos empreendedores para na sequencia tentar avaliar a si, sobre o seu próprio perfil. Um grande estudioso do assunto é o prof. José Dornelas, com livros seminais sobre o assunto e referência recorrente no meio. A tipologia que ele estabelece e que replico aqui parece muito coerente e útil. Até porque primeiro desmistifica a ideia de perfil-padrão associado a empreendedores famosos que diante de determinadas circunstâncias criaram grandes empresas e se tornaram milionários.
A ideia equivocada de tornar os demais uma possível cópia do modelo que funcionou é como utilizar os craques milionários do futebol como padrão para todo garoto que sonha se tornar um jogador profissional. Apenas a minoria efetivamente chega lá. Há muito investimento e planejamento para isso.
Assim como no futebol, nos negócios precisamos entender o que ocorre com a grande massa de empreendedores para poder realmente tornar essa área efetivamente de contribuição socioeconômica para a humanidade.
Nessa tipologia apresentada pelo prof. Dornellas, num total de oito, inicia-se pelo mais tradicional de todos: o Empreendedor Nato. Aqueles que do nada criaram grandes empresas e as tornaram referências em suas áreas de atuação, quando não em vários setores. Normalmente não possuem grande formação e começaram cedo a trabalhar, mas apresentam uma visão a frente do seu tempo.
O segundo, muito presente também é o Empreendedor que Aprende, ou Inesperado, uma vez que não demonstra inclinação para empreender, mas que diante de uma oportunidade ou de um convite, muda os rumos da sua vida. Além da pró-atividade, clássica dos empreendedores, normalmente possui boa formação e carreira relativamente estruturada.
O terceiro tipo é o Empreendedor Serial. Um sujeito que a adrenalina não baixa na veia. Irrequieto, está sempre envolvido na criação de algo novo imediatamente após implantar o anterior. É comum relatos de histórias de fracasso o que na sua concepção se tornam experiências para aprendizagem.
O Empreendedor Corporativo por sua vez, é o que podemos chamar de empreendedor interno, focado na renovação e criação de novos negócios para a empresa. Têm um perfil cujo foco são as métricas e os resultados, e por isso muito desejados pelas empresas de ponta, normalmente as grandes.
O Empreendedor Social é o quinto tipo e sua missão de vida é construir um mundo melhor para as pessoas. Seu foco são os empreendimentos de causas humanitárias com comprometimento singular, sem ter o retorno financeiro como combustível e sim viabilizar oportunidades para os que não possuem.
Como sexto, é apresentado o Empreendedor por Necessidade. Antes um problema social para o país (os últimos dados sobre o tema dão mostras de que ele tem diminuído em detrimento do empreendedor por oportunidade), cria o seu próprio negócio porque não possui alternativa.
O Empreendedor Herdeiro, sétimo tipo, recebe a missão de perpetuar a empresa da família e representa um caso à parte, porque se insere também no tema da sucessão familiar. Essa é uma área cada vez mais importante e mais discutida tanto nos meios acadêmicos como empresariais.
E por fim, o oitavo é o Empreendedor Normal. Aquele que segue o processo empreendedor baseando-se acima de tudo no planejamento para lograr êxito. Embora desdenhado com relativa frequência, é um dos tipos que mais está crescendo na atualidade, motivado pelo desenvolvimento estruturado do empreendedorismo no país. Principalmente em função das incubadoras e aceleradoras de empresas.
Como disse no início, agora é importante conhecer o seu perfil, buscando identificar suas características de compreensão do ambiente, atitudes, conhecimentos, habilidades empreendedoras e gerenciais. Isso dará uma boa medida sobre o que você fará ou deverá fazer.
Boa semana de Gestão & Negócios.

(*) Eleri Hamer escreve esta coluna às terças-feiras. É professor do IBG, workshopper e palestrante–[email protected]

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