Não era apenas um muro

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Eleri _UUm muro pode ser apenas um muro. Tem funções diversas, como organizar espaços, separar, conter, proteger, dentre outros. Desde que o homem tomou consciência da sua condição pensante, dentre inúmeras outras inovações, aprendeu a construir. E assim o muro tem sido utilizado em profusão, com o uso de inúmeros materiais, modelos e finalidades.
É bom lembrar que nesse sentido, além dos muros físicos, existem os psicológicos, normalmente denominados de barreiras, mas que diante das circunstâncias do relacionamento humano podem se transformar em verdadeiros muros invisíveis. Tão nefastos, ou mais, do que os de pedra, cimento e ferro.
Mas o ‘muro do momento’ é mesmo um muro físico que já não existe mais. Apenas persiste na memória e lá deve permanecer eternamente, para o bem do mundo moderno, nos fazendo lembrar das barbáries que a ignorância, o individualismo e a falta de inteligência coletiva podem gerar. Há muitos outros exemplos como este, em outras áreas, mas este certamente é um caso particularmente importante para a humanidade.
O muro de Berlim que separava a Alemanha (Ocidental e Oriental) e o mundo em dois (Capitalista e Comunista) foi construído em agosto de 1961 (pela Alemanha Oriental) e derrubado em 09 de novembro de 1989 (28 anos depois), teve 66,5 km de extensão e era composto de 302 torres de observação, 127 redes metálicas eletrificadas com alarme e 255 pistas de corrida para os cães de guarda.
A ordem era atirar para matar qualquer cidadão que tentasse de alguma forma ultrapassar do lado comunista para o capitalista. Poucos sabem até hoje o resultado efetivo dessa barreira. Os dados oficiais de mortos, feridos e presos não são confiáveis, mas se sabe que ultrapassam alguns milhares. Soma-se ainda o flagelo da fome e do frio, além da separação de famílias por décadas.
O muro de Berlim foi derrubado há 25 anos, mas além da importância física, também mantinha e firmava definições psicológicas, políticas, sociais e econômicas. Na prática, dada a sua representatividade e influência mundial provavelmente foi e ainda será por muito tempo um dos mais importantes do mundo. Por isso, não era apenas um muro.
No domingo, dia 09, o mundo (e não somente a Alemanha) comemorou ¼ de século da derrubada do que pode ser chamado de uma das maiores monstruosidades arquitetônicas da sociedade moderna e sinal calamitoso dos resultados do autoritarismo político nos limites da tirania e da insanidade. Símbolo dos horrores da guerra-fria.
A participação de mais de um milhão de pessoas das festividades na capital unificada Berlim, dá mostra do que isso representa. Um exemplo do simbolismo entranhado e o senso de responsabilidade de um povo para não deixar a memória se esvair.
Praticamente todas as principais capitais e cidades do mundo possuem algum monumento em sua memória e fizeram algum movimento nesse dia. Um sinal indelével do que significou a queda do muro, principalmente para o comércio internacional, a remodelagem das políticas socioeconômicas em curso a partir de então, além dos desdobramentos oriundos da democracia.
Reconhecer erros e celebrar avanços deve fazer parte recorrente das nossas práticas, sejam elas no sentido pessoal, empresarial ou como sociedade. Sempre há tempo e espaço para ambos.
Boa semana de Gestão & Negócios.

(*) Eleri Hamer escreve esta coluna às terças-feiras. É professor do IBG, workshopper e palestrante–[email protected]

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