Vereador denuncia agressão contra haitiana

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Em sessão de ontem, parte dos vereadores cobrou ações na área de segurança pública e teceu críticas ao governo de Silval Barbosa
Em sessão de ontem, parte dos vereadores cobrou ações na área de segurança pública e teceu críticas ao governo de Silval Barbosa

Na tribuna da Câmara, durante a sessão ordinária de anteontem (21), o vereador Adonias Fernandes (PMDB) denunciou que a haitiana de 31 anos, Milande Soulouque, grávida de três meses, teria sido agredida por um segurança do Supermercado Supercenter no último dia 15 de agosto. Após o fato, Milande registrou um boletim de ocorrência na Delegacia da Mulher e procurou o Movimento Negro, que entrou em contato com o vereador. “Fui procurado pelo Movimento Negro e diante deste fato deixo aqui o meu repúdio”, destacou o vereador.

A haitiana, que está no Brasil há três meses, alega que no dia 15 de agosto foi até o supermercado comprar pão e na saída foi agredida por um segurança do local que a acusou de ter roubado o pão. Segundo ela, o segurança agarrou-a pelo braço e a agrediu nas costelas e na barriga. A vítima fez exame de corpo de delito no Instituto Médico Legal da cidade para a comprovação das agressões. O caso está sendo conduzido pela Delegacia da Mulher.

Milandes Soulouque, que disse apenas querer provar que não é ladra, recebeu o apoio do Movimento Negro e também do Conselho Municipal de Defesa dos Direitos da Mulher, que por meio de sua presidente, Mara Oliveira, disponibilizou um advogado para seguir o caso. “Vamos conversar com a delegada e dar o mínimo de suporte para ela (a vítima) com advogado”, ressaltou a presidente.

Conforme Adonias Fernandes, é uma vergonha que o município não esteja organizado para atender casos de pessoas que não podem arcar com um advogado. “Não precisaria que esta haitiana viesse procurar um político, poderia ter o apoio do próprio poder público, por isso defendo o projeto de minha autoria e do vereador Ibrahim Zaher (PSD), SOS Racismo. Se ele já estivesse funcionando, ela teria todo o apoio necessário”, ressaltou Adonias.

Hoje, segundo dados da Organização Não-Governamental Brasihaiti, são 75 haitianos que vivem e trabalham em Rondonópolis.

OUTRO LADO

A gerente administrativa do supermercado, Andreia Ferreira de Oliveira, afirmou para a reportagem do jornal A TRIBUNA que a equipe do supermercado não identificou, aparentemente, nenhuma agressão no dia 15 de agosto nas imagens gravadas pelas câmeras do local. Andreia deixou claro que o supermercado não compactua “com nenhum tipo de racismo e discriminação”.

De acordo com a gerente, a empresa irá aguardar alguma notificação sobre o caso, o que ainda não ocorreu. “Estamos aguardando uma notificação e se tiver ocorrido a agressão iremos apurar as responsabilidades”, destacou Andreia.

A gerente explicou que na parte interna do supermercado não há seguranças e que estes ficam apenas nos estacionamentos.

PROJETO SOS RACISMO

Está em tramitação na Câmara Municipal o Projeto de Lei 11/2013 que versa sobre a criação de um serviço de assistência jurídica e social para vítimas de discriminação contra raça, etnia ou orientação sexual. Conhecido como SOS Racismo, o PL têm ênfase no combate à discriminação racial contra os negros, que ainda hoje estão sujeitos a práticas de discriminação em Rondonópolis.

O SOS Racismo é de autoria dos vereadores Adonias Fernandes (PMDB) e Ibrahim Zaher (PSD) e, segundo Adonias, funciona como política pública que visa atender aqueles que sofrem discriminação, mas principalmente, a população negra de Rondonópolis, como uma forma de minimizar a dívida social histórica que o País tem com os negros e que jamais será reparada.

O PL cria um espaço de atendimento especializado às vítimas de discriminação com destaque na questão racial. O local terá um advogado, uma assistente social e estagiários que acolherão e orientarão as vítimas de discriminação, disponibilizando assessoria jurídica e social a elas.

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