A divulgação do pensamento do Ministro da Justiça José Eduardo Cardozo, esta semana, reconhecendo o estado precário, calamitoso e “Medieval” (expressão do próprio ministro), de todo o sistema prisional brasileiro, só vem a reforçar o que todo mundo já sabia: o sistema é obsoleto, está um caos e não recupera ninguém.
O sistema penitenciário nacional, segundo um estudo da Anistia Internacional, é conceituado como degradante e desumano. A falta de uma política penitenciária, bem como de investimentos pesados no segmento, tem ao longo dos anos deteriorado todo o sistema, que vem minguando e criando bolsões de excluídos da sociedade, que apesar das condições desumanas como são tratados, ainda não cumprem as suas penas, não se recuperam, nem se ressocializam, e não pagam as suas dívidas com a sociedade, como deveriam.
Por outro lado, a sociedade acaba pagando, sendo vítima duas vezes pela falha administrativa governamental. Em Mato Grosso a situação não é diferente. Se o próprio secretário de Justiça de Mato Grosso, Paulo Lessa, também veio a público esta semana e afirmou que o “sistema prisional do Estado é como um paciente na UTI em estado terminal, a um passo do óbito”, então porque é que ninguém faz nada de concreto para resolver a situação? Se todo mundo, incluindo os governantes, têm conhecimento do problema, por que não resolvem? Infelizmente estas perguntas continuam sem respostas, e a situação continua se agravando. O volume de presos, provisórios e com condenação, já ultrapassa a casa do meio milhão em todo o país. É uma massa de gente que, mais cedo ou mais tarde, vai retornar ao convívio social, e como não estão recuperados e nem devidamente ressocializados, vão se constituir em mais um grande problema para a própria sociedade.
O Brasil precisa avançar mais, mas de forma concreta, e não de forma subjetiva como apregoa a propaganda governamental, onde no papel o país está uma maravilha. É preciso romper com a hipocrisia institucional e fazer o país acontecer de fato, na realidade, e não apenas nos devaneios e sonhos delirantes de alguns políticos. O país precisa encontrar mecanismos e estabelecer políticas reais para resolver o problema. Também é preciso acabar com essa história de faz de conta, do tempo da carochinha, onde o governo finge que faz e a população finge que acredita, e tudo continua na mesma. Se não mudar esse raciocínio, nada vai mudar por aqui, infelizmente!



