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Referência no comércio da cidade e região no ramo de roupas, calçados e acessórios, o empresário Benedito Alves Pereira, o Pereira, nasceu em Rondonópolis no dia 14 de abril de 1962, filho do lavrador Lindolfo Alves Pereira (1900-1983) e da dona de casa Mariana Pereira da Silva (1923-2001), ambos de Alterosa (MG), que vieram para Rondonópolis em 1948, depois de passarem pelo estado do Paraná.
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Ele tem apenas dois irmãos: Maria José da Prociuncla e Manoel Alves Pereira, nascido com necessidades especiais.
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“Nosso pai trabalhou com o Marechal Rondon e ajudou na construção daquela ponte em frente do quartel”, contou, num misto de saudade e orgulho.
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Pereira iniciou e concluiu os seus estudos por aqui mesmo. Primeiro na Escola Sagrado Coração de Jesus, de 1969 a 1977, da antiga 1ª à 8ª Série, e depois na EEMOP (Escola Estadual Major Otávio Pitaluga), de 1978 a 1980, onde cursou Contabilidade no 2º Grau.
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Em seguida, em 1974/1975, ele ingressou na turma de Ciências Exatas no campus da UFMT (hoje UFR), mas não concluiu o curso. No total, fez apenas quatro semestres, pois o trabalho e as responsabilidades com a família falaram mais alto.
Ainda criança, entre os 8 e os 13 anos, ele trabalhou como vendedor de frutas e verduras que a própria família plantava e colhia. Além disso, ele saía recolhendo restos de comida (ou ‘lavagem’) pelas redondezas para poder dar aos porcos que a família criava e comercializava para cobrir as despesas da casa.
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“Não foi um período fácil de viver, tanto pelo esforço físico em si quanto pelo bullying que a gente sofria na escola e na rua quando estava com as outras crianças”, comentou.
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Ainda muito jovem, em 1975, Pereira foi servente de pedreiro para o mestre de obras Durvalino.
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“Ele foi o meu primeiro patrão e ainda está vivo aí pela cidade. Eu trabalhei com ele por uns dois anos.
Serviço duro, braçal, de suar a camisa. Porque a construção civil exige muito do corpo da gente. Mas foram dias, semanas e meses de muita aprendizagem quanto a valorizar o suor da gente.”
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O emprego seguinte foi mais leve: vendedor no comércio local, com o gerente Juvanildo Lopes, na loja A Revolução dos Tecidos.
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“Na época, só havia essas três grandes lojas na cidade: a Revolução, as Pernambucanas e a Riachuelo. Eu fui empacotador e depois vendedor, mas só fiquei uns seis meses por lá porque a empresa faliu no país inteiro.
Quanto ao Juvanildo, a quem eu sou muito grato, ele continua vivo e morando na cidade, graças a Deus”, disse.
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Foi por isso que, em 1979, Pereira foi trabalhar na Macledi Calçados e Confecções, dos irmãos José Antônio e Julio Alcides, do Grupo Flamboyan.
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“O gerente era o Elci Pereira de Souza, que ainda está aí pela nossa cidade. Eu trabalhei lá com carteira assinada por 11 anos e fiquei muito amigo dos meus patrões. Tanto, que, quando eu resolvi sair de lá, eles me ajudaram a montar a minha própria loja e me mostraram o passo a passo para ir fazer compras nos grandes centros, especialmente em São Paulo e Goiânia. Pessoas fantásticas!
Eu sou muito grato a eles até hoje, que são grandes amigos que a vida foi generosa o bastante ao colocá-los no meu caminho”.
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Segundo Pereira, a primeira loja, que contava apenas com uma prateleira e uma mesa usada, surgiu em outubro de 1990 e ficava na Rua 13 de Maio, 251, abaixo da Avenida Marechal Rondon. Ela ficou nesse endereço por três anos, mudando depois para um terreno de 4 x 40 m2 (frente e fundo) na Avenida Marechal Rondon, comprado fiado do falecido Milton Stamado, onde ela permaneceu por mais ou menos 10 anos. A primeira funcionária contratada por ele foi a hoje empresária e escritora Flávia Botelho.
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“A segunda loja ficava na Avenida Amazonas, 995-A, ao lado do Bemat na época, onde hoje está a Flamboyan Esportes.
O local foi alugado do livreiro Pedro Cauhy e inaugurado em 1996. Nós ficamos lá por 26 anos, deixando o local no final de dezembro de 2024. Essa loja fica agora na Avenida Amazonas, 1203, num prédio que pertencia ao Antônio e ao Laurindo, proprietários da Bicicletaria Monark”, relembrou.
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Hoje, o Grupo Pereira conta com sete lojas no total, sendo seis em Rondonópolis, todas na Avenida Amazonas, e uma em Primavera do Leste, inaugurada em 2005. Todas climatizadas e em prédio próprio, com exceção apenas da loja que fica na Rua 13 de Maio, esquina com a Avenida Amazonas, imóvel este alugado de uma família que reside em Cuiabá.
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No total, a empresa conta com 103 colaboradores (além dos familiares, incluindo a esposa, os filhos e o sobrinho) e mais de 80 fornecedores.
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“Minha maior felicidade é ver que nós temos colaboradores que estão conosco há quase 30 anos e gostam demais de estar aqui conosco.
Nosso primeiro escalão tem o meu filho Diego, o meu sobrinho Sérgio e a nossa supervisora geral Marileni Kawamura dos Santos Pontes, meu braço direito na empresa há muitos anos pela competência que ela tem e a enorme confiança que eu deposito nela”, confidenciou.
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Quanto ao lado pessoal, Pereira disse ter aprendido muito cedo a ser mais reservado, a tal ponto que ele não costuma comparecer a festas, badalações ou entregas de prêmios da CDL (Câmara de Dirigentes Lojistas) ou da Acir (Associação Comercial, Industrial e Empresarial de Rondonópolis), como aconteceu em 2014, quando ele ganhou o título de Empresário do Ano.
Casado com Maria Neuza Alves Amorim Pereira, natural de Flora Rica (SP), onde ela nasceu no dia 21 de julho de 1972, a união deles já dura 26 anos, tendo sido oficializada no dia 22 de abril de 2016.
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Mariana, a única filha do casal, nasceu em 2003. Além dela, eles têm Lucas Vinícius, filho de Maria Neuza e enteado de Pereira, que tem mais quatro filhos, frutos de outros relacionamentos: as gêmeas Daniela e Gabriela, Fabiana Patrícia e Diego Henrique, que já lhe eram cinco netos (Heloísa, Elias, Antony e Maitê) e dois bisnetos (Orlando e Valentina).
Fato interessante: a maioria dos membros da família mora na mesma casa/chácara ou vizinhança, o que garante maior interação e cumplicidade entre eles.
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Quando não está trabalhando, Pereira disse gostar de duas coisas: briga de galo e pescaria.
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“O galo é um bicho bonito, imponente e combativo. O dono do terreiro. Por isso, ele tem sido o símbolo na logomarca da empresa desde 1996, aparecendo inclusive na nossa hashtag: `O galo cantou, você economizou!`
Porém, com a proibição das rinhas, o jeito foi ir mais vezes para a beira dos rios da região com a minha turma da terceira idade, que inclui os amigos de longa data Keidy, Akira, Edson da Fazendão, Nagai e Narciso da Comapa, dentre outros.”
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Perguntado sobre a Rondonópolis de antigamente e a cidade atual, ele argumentou que ela mudou muito.
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“Além do crescimento no geral ter sido assustador, o poder econômico e de compra da população também evoluiu e é muito grande. A gente se impressiona com todo esse crescimento às vezes. Isso nos faz ter orgulho de Rondonópolis!
Mas ainda há muita coisa a melhorar. É o caso desse monte de fios pendurados nos postes, que poderiam ser subterrâneos. É também o caso da nossa iluminação pública e das atrações de final de ano na região central da cidade.
É preciso tratar as festas de fim de ano com mais seriedade, com início já na primeira quinzena de novembro, pois isso atrai mais pessoas, aumenta o faturamento das lojas e a arrecadação de impostos”, disse.
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“Um dos setores que mais evoluiu por aqui foi o comércio, que se tornou mais ativo e presente no dia a dia das pessoas. Temos boas lojas, bons hotéis, bons restaurantes.
O que falta por aqui é uma vida cultural melhor. Praças mais arrumadas, áreas de lazer e balneários, pois aqui tem água sobrando.
Por que não ter eventos religiosos, corais e sinfônicas ou colocar peixes nas praças? Praça aqui é o que não falta! Então, por que elas não têm banheiros públicos decentes, fontes luminosas e postos da polícia militar pelo menos na região central? Isso não custa caro e garante diversão e segurança para a população.”
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“Por que não deixar as entradas e saídas da cidade mais bonitas? Por que não criar e manter o Centro com zona azul que funciona?
No passado, nós tínhamos carnaval de rua e times de futebol, mas tudo foi acabando pouco a pouco. A gente sente saudade dessas coisas.
Quantas pessoas de fora que vieram aqui só por causa do futebol, por exemplo! Nós não temos teatro, nem show todos os meses. É preciso ter, mas com preços acessíveis, senão o povo não consegue bancar. E pensar que nós já tivemos Chico Anysio, Tom Cavalcante, RPM, João Paulo & Daniel e tantos outros artistas por aqui e o ingresso para vê-los não era exorbitante como a gente vê por aí hoje em dia…”, argumentou.
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“Olha, se eu fosse o prefeito de Rondonópolis hoje, eu valorizava mais os talentos que nós temos em todas as áreas, especialmente o pessoal ligado à cultura. É inacreditável, mas nós perdemos nesse quesito para Poxoréu e Primavera do Leste, que têm pessoas do ramo cuidando dos seus eventos e faturando bastante com isso, pois o público comparece quando as atrações valem a pena e os preços são acessíveis.
Torço para que a cidade melhore neste e em muitos outros aspectos o quanto antes. Às vezes faltam só bons assessores e boa vontade dos nossos governantes.
Nesse sentido, tomara que o (prefeito) Cláudio Ferreira tenha vindo realmente para fazer a diferença!” concluiu.
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Minha mãe TB trabalhou na fazenda do marechal junto com minha vó