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Mato Grosso deve encerrar a safra 2025/26 com uma das maiores produções de algodão de sua história, mesmo tendo reduzido de forma expressiva a área plantada. O desempenho das lavouras, porém, convive com um cenário menos confortável para o próximo ciclo, marcado por custos elevados e menor distância entre o preço esperado da pluma e o valor necessário para pagar a operação.
A estimativa de julho do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) manteve a área cultivada em 1,38 milhão de hectares, redução de 11,11% em relação à safra anterior.
A produtividade foi revisada para 310,67 arrobas por hectare de algodão em caroço, aumento de 2,19% diante da projeção divulgada em junho. Com isso, a produção estadual deve alcançar 6,41 milhões de toneladas, a terceira maior da série histórica do instituto.
Ao mesmo tempo, o levantamento do Projeto Custo de Produção Agropecuária de Mato Grosso (CPA-MT) mostra que a safra 2026/27 deverá começar com menor margem de segurança. Embora algumas despesas tenham recuado, o custo total da atividade aumentou e permanece acima da receita projetada exclusivamente com a venda da pluma.
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Área encolhe em cerca de 170 mil hectares
Na safra 2024/25, Mato Grosso cultivou aproximadamente 1,55 milhão de hectares de algodão. A estimativa atual indica uma redução próxima de 170 mil hectares em apenas uma temporada.
A retração está relacionada à combinação entre preços menos atrativos para a fibra e custos de produção que permanecem elevados. O cenário leva os produtores a priorizarem áreas com maior potencial produtivo e a avaliarem com mais cautela a disputa do algodão com o milho e outras culturas de segunda safra.
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Mesmo com o recuo, a produção estimada de 6,41 milhões de toneladas permanece em patamar elevado.
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O volume é cerca de 900 mil toneladas inferior ao recorde da safra 2024/25, consolidado pelo Imea em aproximadamente 7,32 milhões de toneladas de algodão em caroço. Ainda assim, supera a maior parte dos ciclos anteriores e se mantém como o terceiro maior resultado da série histórica.
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Dois números de produtividade medem produtos diferentes
Os levantamentos utilizados para analisar produção e rentabilidade apresentam dois indicadores de produtividade: 310,67 arrobas por hectare e 127,52 arrobas por hectare.
Os números não são contraditórios.
A primeira medida representa o algodão em caroço, produto retirado da lavoura antes do beneficiamento. Já a segunda corresponde à quantidade estimada de pluma obtida após a separação da fibra e do caroço.
A relação entre os dois indicadores representa um rendimento de fibra próximo de 41%. Assim, uma lavoura que produz 310,67 arrobas de algodão em caroço por hectare pode resultar em aproximadamente 127,52 arrobas de pluma.
Considerando a área estadual projetada, a produção de fibra deve ficar ao redor de 2,64 milhões de toneladas, enquanto o restante do peso corresponde principalmente ao caroço e a outros componentes separados durante o beneficiamento.
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Mato Grosso responde por aproximadamente dois terços da produção nacional
A Companhia Nacional de Abastecimento projeta uma produção brasileira próxima de 4,06 milhões de toneladas de pluma na safra 2025/26.
A estimativa mato-grossense, calculada pelos parâmetros de produtividade do Imea, corresponde a aproximadamente 65% desse volume.
A comparação reforça a participação de Mato Grosso no abastecimento nacional e nas exportações brasileiras de algodão. No ciclo anterior, o Estado respondeu por cerca de 59% dos embarques nacionais acumulados até março de 2026.
A dimensão da produção também faz com que mudanças na área, na produtividade e na comercialização de Mato Grosso tenham influência direta na oferta brasileira e no fluxo destinado ao mercado externo.
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Colheita avança após início marcado por frio e umidade
A colheita da safra 2025/26 começou de forma mais lenta em algumas regiões de Mato Grosso, após períodos de chuva, frio e umidade elevada.
Até 17 de julho, os trabalhos haviam alcançado 8,36% da área. Uma semana depois, em 24 de julho, o percentual subiu para 13,11%, avanço de 4,75 pontos percentuais.
O tempo mais quente favoreceu a intensificação da colheita depois das dificuldades para a desfolha das plantas e a abertura dos capulhos.
Foram registrados relatos localizados de preocupação com a qualidade da fibra em áreas atingidas por chuvas tardias. Até o momento, entretanto, essas ocorrências não provocaram mudança na perspectiva geral de produtividade divulgada pelo Imea.
A confirmação da produção de 6,41 milhões de toneladas ainda dependerá do avanço das máquinas, do rendimento obtido nas diferentes regiões e da qualidade da pluma entregue para beneficiamento.
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Custeio recua, mas custo total passa de R$ 18,6 mil por hectare
Para a safra 2026/27, o CPA-MT estima despesas de custeio de R$ 10.619,86 por hectare, redução de 1,44% em relação ao ciclo anterior.
O Custo Operacional Efetivo (COE) foi calculado em R$ 15.218,19 por hectare, retração anual de 0,68%.
O Custo Total, entretanto, seguiu na direção contrária e aumentou 1,04%, alcançando R$ 18.658,81 por hectare.
A diferença ocorre porque o custeio representa apenas uma parte das despesas da atividade. Já o custo total incorpora outros componentes econômicos da produção, além dos desembolsos mais imediatos com insumos e operações.
Por isso, uma redução no custeio não significa necessariamente melhora equivalente na rentabilidade final.
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Margem sobre o custo operacional equivale a cerca de R$ 1 mil por hectare
Para calcular o ponto de equilíbrio, o Imea utilizou como referência a produtividade de 127,52 arrobas de pluma por hectare.
Com esse rendimento, o produtor precisaria receber pelo menos R$ 119,34 por arroba para pagar o Custo Operacional Efetivo.
O preço médio ponderado projetado para a safra 2026/27 é de R$ 127,31 por arroba, diferença de somente R$ 7,97 em relação ao ponto de equilíbrio operacional.
Ao multiplicar essa diferença pela produtividade considerada no levantamento, a margem representa aproximadamente R$ 1.016 por hectare.
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Esse valor funciona como um colchão para absorver eventuais quedas de preço ou perdas de produtividade, mas não deve ser interpretado diretamente como lucro.
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Ainda precisam ser considerados os demais componentes do custo, as condições de cada propriedade, a comercialização do caroço e outras receitas ou despesas da atividade.
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Preço projetado não cobre sozinho todo o custo econômico
Considerando apenas a receita da pluma, a produtividade de 127,52 arrobas e o preço de R$ 127,31, o faturamento bruto estimado seria de aproximadamente R$ 16.234 por hectare.
Esse valor supera o Custo Operacional Efetivo em pouco mais de R$ 1 mil, mas fica cerca de R$ 2.424 por hectare abaixo do Custo Total de R$ 18.658,81.
Para cobrir integralmente o Custo Total somente com a receita da pluma, mantendo a mesma produtividade, o preço teria de alcançar aproximadamente R$ 146,32 por arroba.
A diferença não significa necessariamente prejuízo imediato em caixa, pois o custo total inclui itens econômicos mais amplos e a atividade também gera receita com o caroço de algodão. O cálculo, contudo, mostra que a pluma, no preço projetado, não cobre sozinha todos os custos atribuídos ao hectare.
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Queda de produtividade pode consumir rapidamente a margem
A estreita distância entre o preço projetado e o ponto de equilíbrio aumenta a dependência de um bom rendimento na lavoura.
Se a produtividade ficar abaixo das 127,52 arrobas de pluma utilizadas no cálculo, o valor necessário por arroba para pagar o COE sobe. Da mesma maneira, uma queda no preço pode eliminar rapidamente a margem operacional estimada.
Esse cenário aumenta a importância das decisões relacionadas à compra de insumos, escolha das áreas, manejo, contratação de serviços, proteção de preços e momento de comercialização.
Também reforça que uma safra volumosa não garante, isoladamente, melhor resultado econômico para o produtor.
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Produtores antecipam venda de parte da safra 2026/27
A comercialização da pluma da safra 2025/26 chegou a 73,01% da produção estimada, mantendo-se acima da média histórica, embora em ritmo mais moderado diante da retração dos preços nos mercados interno e externo.
Para a safra 2026/27, as negociações antecipadas já alcançaram 29,35% da produção projetada.
O avanço é superior ao observado no mesmo momento de ciclos anteriores e indica uma estratégia de fixação antecipada de parte da produção para reduzir a exposição às oscilações futuras.
A venda antecipada pode proteger parte da receita, mas também exige planejamento para evitar que o produtor comprometa volume acima do que conseguirá colher caso ocorram problemas climáticos ou perda de produtividade.
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Exportações ajudam a sustentar a demanda
No levantamento divulgado em junho, a demanda total pela pluma mato-grossense da safra 2025/26 foi estimada em 2,73 milhões de toneladas.
As exportações permaneciam projetadas em 2,09 milhões de toneladas, enquanto os estoques finais eram calculados em 698,60 mil toneladas.
O mercado externo continua sendo o principal destino da produção estadual. A capacidade de escoamento, o câmbio, as cotações internacionais e o comportamento dos compradores terão influência direta sobre os preços recebidos pelos produtores.
Com grande parte da safra destinada para fora do Estado e do país, eventuais dificuldades logísticas ou redução da demanda internacional podem aumentar a pressão sobre o mercado interno.
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Algodão ganha peso nas exportações registradas por Rondonópolis
A cadeia do algodão também tem impacto direto na economia e na logística de Rondonópolis.
Entre janeiro e maio de 2026, a fibra representou 14,8% das exportações registradas pelo município, diante de participação de 14% no mesmo período de 2025.
Rondonópolis liderou as exportações de Mato Grosso nos primeiros cinco meses deste ano, com aproximadamente US$ 1,2 bilhão em vendas ao exterior.
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O dado não significa que todo o algodão tenha sido produzido dentro do município.
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A cidade funciona como importante polo empresarial, comercial e logístico, reunindo tradings, transportadoras, armazéns e estruturas de escoamento utilizadas pela produção regional.
Com isso, uma safra elevada tende a movimentar transporte, armazenagem e serviços locais, enquanto uma margem mais apertada pode afetar investimentos e decisões de produtores e empresas ligados à cadeia.
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Próxima safra dependerá de produtividade, preço e gestão
Os dois levantamentos apresentam momentos diferentes da mesma atividade.
Na safra atual, a produtividade elevada compensa parte da redução da área e mantém Mato Grosso entre os maiores resultados de sua história.
Para 2026/27, porém, o cenário mostra que o produtor terá menos espaço para absorver imprevistos. O preço projetado permanece acima do custo operacional, mas a distância é pequena e não alcança o custo econômico total da atividade considerando apenas a receita da pluma.
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O resultado final dependerá da combinação entre produtividade, qualidade da fibra, receita obtida com o caroço, câmbio, exportações e capacidade de controle das despesas.
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A definição da área do próximo plantio também deverá considerar se os preços oferecerão remuneração suficiente para justificar uma cultura de alto investimento e elevado nível tecnológico.
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