

1– SENHORES E SENHORAS,
encerramos o Papo da semana passada prevendo que a Companhia de Desenvolvimento de Rondonópolis (Coder) continuaria na crista da onda das discussões e prometemos seguir acompanhando o desenrolar dos fatos.
Pois bem, após a decisão liminar do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJ/MT), concedida pela desembargadora Vandymara Galvão Ramos Paiva Zanolo, no último dia 16 de julho, suspendendo as duas votações pelos vereadores na reunião da Câmara, do projeto autorizativo para o prefeito Cláudio Ferreira (PL) iniciar o processo de liquidação da empresa pública, ao contrário a Coluna sentiu foi que houve uma certa diminuição da fervura do assunto, que vinha esquentando os debates políticos de semana a semana por essas terras de Rondon.
Do Paço Municipal, não se ouviu quase nada mais a respeito da liquidação da Coder. Sem muitos detalhes, o A TRIBUNA conseguiu apurar nesta sexta-feira (25) que o município já ingressou com recurso no TJ/MT contra a decisão judicial que suspendeu a votação do projeto pela Câmara e, consequentemente, impede que se avance com o processo de liquidação e extinção da companhia, que tem 48 anos de existência.
POR OUTRO LADO,
a Câmara Municipal, mesmo ainda dizendo que aguarda notificação da justiça, sobre a suspensão da votação, como mostrou o A TRIBUNA, já se antecipou e solicitou que a desembargadora Vandymara Galvão Ramos Paiva Zanolo reconsidere a decisão liminar em relação ao projeto de lei, de autoria do executivo municipal, que trata da liquidação da Companhia de Desenvolvimento de Rondonópolis (Coder), que foi devidamente aprovado.
O pedido assinado pelo Procurador Aristóteles Cadidé foi feito na última sexta-feira (18), por meio de uma manifestação da Procuradoria da Casa de Leis, nos autos do agravo de instrumento impetrado pelo Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Rondonópolis (Sispmur).
Na sua manifestação, a qual o A TRIBUNA teve acesso, a Câmara afirma que, embora não seja alvo da ação e nem do agravo de instrumento do Sispmur, a sua manifestação visa contribuir para esclarecer os fatos, uma vez que se trata de uma ação legislativa sendo questionada.
“O agravo em análise visa a suspensão de atos estritamente legislativos praticados por esta Câmara no exercício de sua competência constitucional indelegável”, diz trecho da manifestação, apresentando, em seguida, que a tramitação do projeto de lei teria seguido todos os requisitos legais previstos no Regimento Interno.
A Câmara também argumenta que o mandado perdeu objeto, já que a decisão liminar da desembargadora foi concedida cerca de 20 minutos após o término da sessão extraordinária, onde ocorreu a segunda votação do projeto.
2- AINDA NO ÂMBITO DA CÂMARA,
a intenção de alguns vereadores de instaurar uma Comissão Especial de Inquérito (CEI) para passar a limpo a Coder, se na semana passada a sensação da Coluna era de que o ímpeto pela abertura do colegiado havia murchado, agora é de afirmar que não vai mesmo prosperar.
Ou seja, morreu antes de nascer, mesmo o vereador Adilson Naboreiro (MDB) dizendo que ainda não jogou a toalha: “se depender de mim, a CEI da Coder será instalada na Câmara Municipal”. Mas, lógico, não depende só dele.
Pois, o pedido de abertura para ser apresentado no plenário necessita de ao menos sete assinaturas, conforme prevê o Regimento Interno da Casa de Leis. Todavia, somente quatro assinaram.
Por outro lado, o requerimento, caso seja apresentado, para ser aprovado em plenário precisa ter ao menos 11 votos dos 21 vereadores. Algo que dificilmente será alcançado neste momento.
Além de Naboreiro, o pedido conta com o respaldo dos vereadores Marisvaldo Gonçalves (Republicanos), Renan Dourado (Republicanos) e Investigador Gerson (MDB).
PELOS CORREDORES
se comenta que a avaliação de muitos vereadores é de que antes de partir para uma CEI é necessário aguardar o relatório sobre a situação da Coder que deve ser confeccionado pela mesa técnica do Tribunal de Contas do Estado (TCE), criada, no início deste ano, a pedido do prefeito Cláudio, justamente para levantar a situação da empresa pública, que se encontra em uma grave crise financeira, com uma dívida que ultrapassaria a casa dos R$ 260 milhões, segundo auditoria feita pela controladoria do município.
Há ainda quem reclama que os vereadores propositores dessa CEI jogaram mais para galera. Isto é, não tem intenção de que a CEI prospere de fato, pois não fizeram esforço algum para que fossem obtidas as assinaturas necessárias para criação da comissão.
DIVERGÊNCIAS À PARTE
a Coluna entende que a criação de uma CEI seria importante para passar a empresa pública a limpo e apurar as causas da grave crise financeira que a companhia chegou, e, se houver culpados, que os mesmos possam ser responsabilizados. E é lógico que culpados existem, e são peixes graúdos da nossa política, que há muito tempo manipulam a CODER para acomodar muita gente dos seus grupos.
3 – MUDANDO DE ASSUNTO,
Senhoras e Senhores, como várias vezes já foi mencionado neste espaço, “política é como nuvem”, expressão atribuída ao político mineiro Magalhães Pinto, para demonstrar como a cena política é volátil e pode mudar rapidamente.
Pois é, o vice-governador Otaviano Pivetta (Republicanos), que pretende concorrer à sucessão do governador Mauro Mendes (UB), vinha sendo dado como carta fora do baralho nos bastidores da política mato-grossense.
Como esta Coluna chegou a comentar, os papos na roda politica da capital era de que o governador poderia recuar do acordo com o seu vice e não renunciar mais no início do ano para concorrer o senado na eleição do próximo ano.
O que esta Coluna, diga-se de passagem, nunca acreditou que pudesse acontecer, apesar do histórico de Mendes, que quando prefeito de Cuiabá, com boas chances de reeleição, em 2016, acabou recuando e só voltando a disputar uma eleição em 2018, quando ganhou o seu primeiro mandato de governo do Estado.
ALÉM DISSO,
comentava-se também que um plano B já estaria sendo discutido pelo entorno de Mendes, a fim do grupo político continuar ocupando espaço de poder na política mato-grossense. Nomes como o do senador Jaime Campos, que também é do UB; assim como também o diretor-presidente da Nova Rota Oeste, Cidinho Santos, que é filiado ao PP; e do presidente da Assembleia Legislativa, deputado Maxi Russi, que está de saída do PSB para ingressar no Podemos.
Sentido a fritura e falta de respaldo ao seu nome, Pivetta chegou a declara à imprensa que não iria “esbravejar e gritar” para concorrer ao governo do Estado, que chegou a definir como sendo a sua missão de vida no momento.
Ele via a sua pré-candidatura colapsar, principalmente após vir a público de que teria encaminhado uma denúncia à Controladoria-Geral do Estado que levou à investigação de 14 deputados estaduais por um suposto esquema na execução de emendas parlamentares na Secretaria de Agricultura Familiar, durante o período eleitoral do ano passado, o que acirrou o clima com a Assembleia Legislativa e a insatisfação de aliados mais próximos do Palácio Paiaguás.
EIS QUE
após Mauro entrar em cena e abrir diálogo com os deputados estaduais, para baixar a temperatura da tensão política entre os poderes, o cenário começou a mudar.
Depois disso, veio o reforço dos barões do agronegócio, os primos Blairo e Eraí Maggi, em apoio público às pretensões de Pivetta de suceder a Mendes no comando do Paiaguás, a partir do próximo ano.
Os sinais de que Pivetta voltou com tudo para o jogo da sucessão estadual foi o evento que movimentou a cena política na semana que passou. Um almoço na chácara do megaempresário Eraí Maggi, na zona rural de Cuiabá, que reuniu o governador paulista Tarcísio Freitas (Republicanos) com grandes nomes importantes do PIB do Agronegócio de Mato Grosso e líderes políticos.
COTADO PARA SER
candidato a presidente no ano que vem, Tarcísio, que é do mesmo partido de Otaviano, veio ao Estado para participar do casamento da filha do ex-senador Cidinho Santos, que preside o conselho da Nova Rota do Oeste.
De quebra, aproveitou a visita para se aproximar deste segmento importante da economia nacional e deixou boa impressão entre os presentes.
Apesar das incertezas do seu futuro político, já que publicamente diga que será candidato à reeleição, Tarcísio vai sendo empurrado cada vez mais para a disputa presidencial, representando o campo da direita, já que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) se encontra inelegível até 2030 e com uma eminente condenação a caminho no processo que corre no Supremo Tribunal Federal contra ele por participação em atos acusados de golpistas que resultaram nos episódios de 8 de janeiro de 2023.
PELO QUE
se comenta nos bastidores, apesar do presidente estadual do PL Ananias Filho e do prefeito cuiabano Abilio Brunini (PL) terem participado do almoço na chácara de Eraí, a visita de Tarcísio gerou incômodo entre os bolsonaristas mais radicais do Estado, já que não teria citado o nome do seu padrinho político.
OUTRO DETALHE
que chamou a atenção de muitos, conforme chegou ao ouvido da Coluna, foi a ausência do pré-candidato do PL ao governo do Estado, o senador Wellington Fagundes, que tem dito a interlocutores que não pretende recuar desse propósito de concorrer ao cargo máximo da política estadual, que disputou em 2018 e perdeu para o governador Mauro Mendes.
Fagundes, que vem buscando “colar” a sua imagem em Bolsonaro, que ainda possui grande aceitação por Mato Grosso, sonha em atrair para ser a vice na sua chapa na disputa pelo Paiaguás a vereadora por Cuiabá, Samantha Iris, que é esposa do prefeito cuiabano Abílio Brunini, um dos símbolos do bolsonarismo no Estado. Pivetta, por sua vez, também namora com Abilio e sonha em trazer o PL para aliança que pretende construir.
As peças, caros Senhoras e Senhores, estão se movimentando e vamos continuar por aqui acompanhando a mexidas no tabuleiro político.



