

1 – SENHORES E SENHORAS,
vamos começar o Papo de hoje falando sobre a Companhia de Desenvolvimento de Rondonópolis (Coder), a empresa pública responsável por realizar obras e serviços de infraestrutura para o município. Não poderia ser diferente, afinal este foi o assunto que continuou a dominar a política local ao longo desta semana.
Como dissemos aqui lá arás, quando começaram a pipocar rumores de que estava sendo avaliado pelo prefeito Cláudio Ferreira (PL) o fechamento da Coder, este seria um assunto para muitos dias ainda. Pois é, desde o último mês este tema tem polarizado os debates nas rodas de conversas da cidade. E tudo indica que ainda vai longe essa discussão.
AFINAL,
após a Câmara Municipal, na última quarta-feira (16), aprovar por 17 votos favoráveis e apenas quatro contrários, o pedido de autorização legislativa para a sua liquidação, feito pelo prefeito Cláudio Ferreira, o Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJ/MT), por meio da desembargadora Galvão Ramos Paiva Zanolo, atendendo o pedido do Sindicato dos Trabalhadores Públicos de Rondonópolis (Sispmur), que representa também os trabalhadores da Coder, suspendeu liminarmente a tramitação e a votação do projeto encaminhado pelo executivo para a Casa de Leis.
A prefeitura já anunciou que deve recorrer, assim que for notificada, para tentar manter a votação e iniciar imediatamente o processo de liquidação da companhia.
Ainda mais que, além de suspender a tramitação do projeto na Casa de Leis, a desembargadora determinou o envio dos autos do processo à Central de Conciliação e Mediação de 2º Grau do TJMT, a fim de que seja buscado um acordo entre Executivo, Legislativo, trabalhadores e o seu sindicato.
O prefeito, que já demonstrou ser um conhecedor da ciência política, sabe que quanto mais demorar para resolver esta situação da liquidação e extinção da Coder, mais desgastes esta discussão pode provocar. É uma sangria que precisa ser estancada o mais rápido possível, para o seu próprio bem político.
A SITUAÇÃO INSUSTENTÁVEL
que a empresa pública chegou, após vários anos de gestões temerárias que a colocaram numa situação praticamente de insolvência, principalmente, diga-se de passagem, nos últimos oito anos de governo do ex-prefeito Zé Carlos do Pátio (PSB), tornou-se uma grande PROVA DE FOGO para o primeiro prefeito eleito nascido em Rondonópolis, que chegou ao comando do Paço Municipal empurrado por um sentimento de mudança nas práticas de gestão do município que contagiou a maioria do eleitorado rondonopolitano no pleito eleitoral do ano passado.
NÃO CUSTA NADA
refrescar a memória, caro leitor: Rondonópolis viveu por quase uma década sendo administrada sem planejamento e com muitas obras mal executadas, sem prioridades e critérios. Após a eleição, com a derrota acachapante nas urnas, a cidade foi abandonada pela turma do Zé e o caos imperou por todos seus setores.
Nesses primeiros seis meses da nova gestão, o que se viu foi o atual mandatário do Palácio da Cidadania tentando agilizar suas ações administrativas, ciente de que a paciência da população por mudanças na gestão tem data de validade.
Portanto, o prefeito sabe que precisa fazer a população perceber que de fato há uma mudança de verdade na forma de governar a cidade, conforme foi prometido na campanha eleitoral.
ATÉ AGORA,
pelo que se percebe, o Cláudio Ferreira está tendo o voto de confiança da maioria da população. A coluna avalia que isso é muito pela sua postura de falar com sinceridade e mostrar a sua grande vontade de fazer o certo.
A forma que vem tratando a questão da Coder é um exemplo, onde o prefeito corajosamente definiu que, após verificar que ela se encontra em situação falimentar, “deverá ser extinta” e, de quebra, sinalizou em oferecer aos trabalhadores demitidos o pagamento de seus direitos e todo o suporte técnico e institucional do município para criação de uma cooperativa, a fim de absorver os que desejarem se organizar de forma independente para continuar prestando serviço para o município.
Algo semelhante com que já acontece hoje na cidade, com a Coomser, que presta serviço para o Sanear e foi criada por funcionários demitidos da extinta Sanemat, no início dos anos 2000.
A IDEIA,
a princípio, não agrada aos trabalhadores, que em sua grande maioria ingressou na empresa por meio de concurso e, para tentar garantir que a companhia continue de portas abertas, vêm realizando, há algumas semanas, manifestações na Câmara Municipal contra o processo de liquidação da empresa.
Todos a de convir que se trata de uma decisão difícil e dura, afinal a Coder é uma empresa que faz parte da história da cidade e emprega hoje pouco mais de 600 funcionários.
Porém, conforme auditoria interna e parecer técnico encaminhado ao Tribunal de Contas do Estado (TCE-MT), que abriu uma mesa técnica no início deste ano, para analisar o quadro em que se encontra a companhia, a situação é classificada como de colapso estrutural, acumulando uma dívida superior a R$ 260 milhões e está “contabilmente falida”, como chegou a dizer a secretária Municipal de Fazenda, Rane Curto, aos vereadores de Rondonópolis, durante reunião da Ordem do Dia da Casa de Leis, na última terça-feira (15).
OS CRÍTICOS
e adversários políticos da atual gestão, muitos deles com participação efetiva para que a Coder chegasse a este estágio falimentar em que se encontra, estão se aproveitando desta decisão de extinguir o atual CNPJ endividado da Coder para tentar desgastar a gestão de Cláudio Ferreira, buscando criar um clima de instabilidade para os trabalhadores, que se encontram preocupados com o que farão no dia seguinte em que a empresa pública tiver as suas atividades encerradas.
Um dos que mais tem tentado tirar proveito da situação é o ex-prefeito Zé Carlos do Pátio, que nunca teve a coragem de enfrentar a real situação deficitária da empresa, em nenhum dos seus três mandatos na Prefeitura, quando, na verdade, sempre procurou tampar o sol com a peneira diante de uma situação caótica vivida. Aliás, conforme aponta os números do histórico do endividamento da empresa, no relatório entregue aos vereadores esta semana, foram nos anos em que o Zé esteve na prefeitura que as dívidas mais aumentaram.
Aliás, Pátio foi mais um a utilizar da Coder como um verdadeiro cabide de empregos, para abrigar seus cabos eleitorais ou acomodar mais gente, conforme compromissos de campanha politica.
2- VOLTANDO
ao projeto de liquidação da Coder, a coluna observa que o prefeito Cláudio Ferreira passou no seu primeiro teste de fogo na Câmara Municipal. Ele que surpreendeu em eleger com facilidade o seu candidato à presidência da Mesa, vereador Paulo Schuh (PL), no inicio do ano, ainda não tinha enfrentado nenhuma polêmica no legislativo.
Neste seu primeiro teste, ele mostrou grande poder de fogo político, conquistando não apenas o apoio fechado dos sete vereadores eleitos no seu arco de aliança para a polêmica proposta de liquidação da Coder, como também de quem estava em outas chapas que apoiaram seus adversários na disputa pela prefeitura de Rondonópolis ano passado.
É O CASO
do vereador petista Ary Campos, que teve, nesta semana, o seu recurso negado contra a sua cassação no Tribunal Regional Eleitoral (TRE). Ele, que foi eleito na chapa do PT, que apoiou Paulo José (PSB), contrariou a orientação dada pela direção local à sua bancada na Câmara, que era votar contra o projeto.
Também não seguiram a orientação do diretório do partido, os vereadores do MDB. O investigador Gerson e Adilson do Naboreiro ignoraram o pedido de voto contrário à proposta feito pelo presidente local, o deputado Thiago Silva, que ficou em segundo lugar na eleição de prefeito no ano passado.
Os dois votaram com o correligionário vereador Ibrahim Zaher, que ocupa a liderança do prefeito Cláudio Ferreira na Casa de Leis e chegou a dizer ao A TRIBUNA que “a medida é dura, mas necessária”.
A VOTAÇÃO
também evidenciou o enfraquecimento político do ex-prefeito Zé Carlos do Pátio, que ensaia deixar o PSB e sonha fazer da eleição para deputado, no próximo ano, como trampolim para tentar uma possível volta ao comando do Palácio da Cidadania no pleito de 2028.
Dos três vereadores do PSB, apenas Vinícius Amoroso votou contra, também não tinha outra alternativa, afinal presidiu a Coder na gestão do Zé do Pátio. Já Beto do Amendoim e Kaza Grande votaram pela liquidação. Detalhe, Pátio chegou a declarar publicamente que Kaza Grande era o “seu vereador”.
Nos bastidores, os comentários são que os vereadores não aceitaram a tentativa de enquadramento de Pátio em torno do voto contra a proposta de liquidação da Coder.
Outro que não ouviu Pátio é o vereador Welington Pereira, e este talvez seja o que tem a militância política mais próxima do ex-prefeito.
COMO SE NÃO BASTASSE,
o ex-prefeito viu o vereador petista Júnior Mendonça, um desafeto de longa data, ocupar espaço junto aos trabalhadores da Coder. Muitos desses trabalhadores, pelo que se vê, não andam muitos felizes com o Zé, afinal atribuem a ele uma grande parte da culpa para empresa se encontrar atolada em dívidas. O que é de fato.
Zé Carlos do Pátio e Mendonça devem concorrer a uma cadeira na Assembleia Legislativa no ano que. Os dois disputam espaço no eleitorado mais à esquerda.
A coluna avalia que, com o seu posicionamento firme contra a proposta de liquidação da Coder, Mendonça possa até a pegar votos desse eleitorado que poderiam ir para o ex-prefeito.
3- AINDA SOBRE OS
reflexos da situação da Coder, tem o ensaio feito de alguns vereadores de abrir uma Comissão Especial de Inquérito (CEI) para passar a limpo a companhia. Mas, pelo que a coluna observa, deu uma murchada no ímpeto para a sua criação, embora o vereador Adilson Naboreiro tenha dito ao A TRIBUNA que vai insistir para sua instauração.
Vamos seguir acompanhando os fatos, que continuarão na crista da onda por mais esta semana, inclusive com a Prefeitura entrando com o seu recurso no Tribunal de Justiça para manter o resultado do legislativo.




Poderiam expor publicamente as contas ?
A população precisa saber a verdade.