
Dois residentes do manicômio,
politicando sem direção;
perdidos na sua insanidade,
na busca por uma ilusória verdade.
Um diz ser de esquerda,
o outro se diz de direita,
ambos presentes na mesma cela;
apenas divididos por uma linha reta.
Discutem com fervor,
cada um defendendo sua tese.
Mas é na loucura de suas palavras,
que se revelam suas limitações e suas falas.
O primeiro, em sua demência,
aponta para uma justiça social;
mas ignora as consequências,
em sua luta pelo igual.
Já o segundo, em sua insanidade,
enche a boca para falar em liberdade;
mas esquece dos que estão à margem,
afundados na pobreza e na desigualdade.
Ambos residentes do manicômio,
condenados à loucura eterna,
politicam sem rumo,
sem saber que são vítimas desta guerra.
Enquanto isso, lá fora,
o mundo segue em desordem;
enquanto eles discutem suas opiniões,
os cidadãos clamam por soluções.
Os loucos da política,
tentando impor sua visão,
perdidos em suas próprias ilusões,
sendo eles mesmos, vítimas de suas obsessões.
E assim seguem os dois residentes,
politicando sem descanso;
enquanto a razão e a sensatez,
se tornam apenas um sonho distante.
(*) Jorge Manoel, jornalista, professor, intérprete e poeta



