
Tem gente que jura pela esquerda
como quem defende receita de vó.
Outros garantem
que só a direita funciona.
Pronto.
Já tem gente preparando o comentário.
No sofá,
cada um escolhe um lado
e depois briga pelo controle.
Na cama,
há quem só consiga dormir para a esquerda.
Outros viram para a direita
como se fosse cláusula do colchão.
Na fila do mercado,
sempre aparece um especialista:
— A da esquerda anda mais rápido!
Cinco minutos depois…
troca de fila.
No elevador,
uns apertam o botão da esquerda,
outros o da direita.
No fim,
todo mundo sobe junto.
No futebol,
o ponta da esquerda cruza.
O da direita reclama
que nunca recebe a bola.
O centroavante perde o gol
e a culpa continua sendo dos lados.
No fone de ouvido,
quando para um lado,
o outro também perde a graça.
No carro,
há uma seta para a esquerda,
outra para a direita.
O perigo mesmo
é quem não usa nenhuma.
No chinelo,
os dois lados precisam trabalhar em equipe.
Experimente sair usando só um…
Você não vai muito longe.
Na dança,
um passo para a esquerda,
outro para a direita.
Quem insiste em ficar parado
é que pisa no pé dos outros.
No fim das contas,
o problema nunca foi a esquerda.
Nem a direita.
O problema começa
quando qualquer assunto
vira campeonato de torcida,
onde ninguém escuta,
ninguém muda de ideia
e todo mundo acha
que nasceu campeão.
Se você chegou até aqui
convencido de que este poema
era sobre política…
Relaxa.
Você entrou na discussão
antes mesmo de descobrir o assunto.
E aí…
achou que eu estava falando de quê?
(*) Leônidas Neto é professor e morador de Rondonópolis, graduado em Direito e Pedagogia, com pós-graduação em Direito Público, Ensino da Matemática e Mídia, Tecnologia e Comunicação na Educação Básica
.



