
Em tempos de tantas mudanças culturais e familiares, refletir sobre a paternidade na vida do adolescente é mais do que oportuno, é uma necessidade. A Logoterapia e Análise Existencial, desenvolvida por Viktor Emil Frankl, nos ajuda a compreender que o ser humano é movido, sobretudo, pela busca de sentido. E é justamente nesse ponto que a presença paterna se torna profundamente significativa e fundamental na vida da criança e do adolescente.
A adolescência é a fase em que o menino e a menina começam a perguntar, ainda que de forma silenciosa: “Quem sou eu?”, “Para onde vou?”, “Qual é o sentido da minha vida?” Nesse caminho, o pai ou uma figura paterna não é apenas aquele que provê ou corrige, mas aquele que aponta direções de sentido, ajudando o adolescente a interpretar a vida com responsabilidade, propósito e sentindo.
Do ponto de vista logoterapêutico, o pai exerce uma função essencial e fundamental ao testemunhar valores. Mais do que discursos, é o exemplo vivido que comunica ao adolescente que a vida tem sentido mesmo diante das dificuldades, dos desafios… Quando o pai assume realmente as suas responsabilidades, enfrenta desafios com dignidade e vive com coerência, ele ensina ao adolescente que a existência não é vazia, mas carregada de significado ou sentido.
Outro aspecto importante é a presença que confirma o valor da vida do filho. O adolescente precisa sentir que sua existência importa, que ele é importante, que ele é amado… A atenção, o diálogo e o acompanhamento paterno funcionam como um “espelho existencial”, no qual o adolescente reconhece que sua vida tem valor e merece ser vivida com responsabilidade. A ausência dessa presença pode, em alguns casos, abrir espaço para o chamado “vazio existencial”, descrito por Frankl como uma sensação de falta de sentido, frequentemente preenchida por comportamentos de risco ou busca de prazeres imediatos, e aqui entra a questão das drogas, uma sexualidade desregrada, pornografias, automutilação, suicídio e outros.
Além disso, o pai ajuda o adolescente a compreender os limites não como repressão, mas como caminhos que orientam para o bem. Na visão logoterapêutica, a liberdade humana está sempre ligada à responsabilidade. O adolescente precisa aprender que suas escolhas constroem sua história e a figura paterna pode ser decisiva nesse aprendizado.
No entanto, é importante reconhecer que a paternidade vai além do vínculo biológico. Em muitos contextos, outros homens avôs, tios, padrinhos, educadores, padres assumem esse papel e tornam-se referências de sentido na vida do adolescente. O essencial é que exista alguém que olhe, escute, acompanhe e aponte caminhos.
Diante disso, a paternidade, sob a luz da Logoterapia, revela-se como uma missão profundamente humana e espiritual: ajudar o adolescente a descobrir que sua vida tem sentido, que ele é responsável por suas escolhas e que, mesmo diante das dificuldades, sempre existe um “porquê” pelo qual viver.
Em uma sociedade marcada por tantas incertezas e inseguranças, a presença de um pai firme, amoroso e consciente de sua missão pode ser a diferença entre o vazio e o sentido, entre a desorientação e o caminho.
(*) Pe. Wender Souza dos Santos é vigário da Paróquia São José Operário, logoterapeuta e analista existencial – @pe.wender
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