Rondonópolis não pode esperar: Campus/Unemat é Desenvolvimento, Saúde e Futuro

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(*) Eliane Barbosa

Discutir a consolidação do campus da Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat) em Rondonópolis é tratar de desenvolvimento regional em sentido amplo. A universidade pública não é apenas um espaço de formação acadêmica; é motor econômico, instrumento de inclusão social e eixo estratégico para o futuro. Em uma cidade que já ocupa posição de destaque na economia mato-grossense, a ausência de um campus plenamente estruturado representa uma limitação que precisa ser superada.

Sob o ponto de vista econômico, os impactos são evidentes. Um campus consolidado movimenta recursos, gera empregos qualificados, amplia a circulação de renda e fortalece setores como habitação, alimentação, transporte e comércio. Cidades com forte presença universitária tendem a se tornar mais inovadoras, mais competitivas e mais preparadas para enfrentar oscilações econômicas. A universidade cria um ambiente favorável ao empreendedorismo, à pesquisa aplicada e à atração de investimentos.
Rondonópolis já é referência no agronegócio e na logística, mas crescimento sustentável exige investimento contínuo em capital humano. Uma universidade forte qualifica a mão de obra local, reduz a evasão de talentos e garante que jovens da região tenham acesso ao ensino superior público e gratuito sem precisar migrar. Isso representa economia para as famílias e fortalecimento da própria cidade, que passa a reter profissionais formados aqui.

O impacto social é igualmente significativo. A universidade pública é uma das principais ferramentas de mobilidade social no Brasil. Ela amplia horizontes, rompe ciclos de exclusão e cria oportunidades reais de ascensão profissional. Cada curso ofertado significa portas abertas para estudantes que, muitas vezes, são os primeiros de suas famílias a ingressar no ensino superior.

Há ainda um ponto crucial que precisa ganhar centralidade nesse debate: a formação de profissionais da saúde. Rondonópolis e toda a região sudeste/sul do estado demandam ampliação e qualificação das equipes multidisciplinares, especialmente no atendimento a doenças crônicas e reumatológicas, como artrite reumatoide, lúpus e fibromialgia. Essas condições exigem acompanhamento integrado, com médicos, fisioterapeutas, enfermeiros, psicólogos, terapeutas ocupacionais e assistentes sociais.

Sem formação local consistente nessas áreas, o sistema de saúde enfrenta sobrecarga, filas e dificuldade de atendimento especializado. Investir em cursos da área da saúde e fortalecer linhas de pesquisa e extensão voltadas às doenças reumatológicas é garantir diagnóstico precoce, tratamento adequado e qualidade de vida para milhares de pacientes. A universidade pode ser protagonista na construção de protocolos regionais, na capacitação de profissionais da rede pública e na integração entre ensino, pesquisa e atendimento comunitário.

Além disso, um campus estruturado contribui diretamente para a melhoria dos serviços públicos. Forma professores para a educação básica, engenheiros, administradores e, sobretudo, trabalhadores da saúde comprometidos com a realidade local. Quando a cidade forma seus próprios quadros técnicos, reduz dependências externas e fortalece políticas públicas mais eficientes.

Também não se pode ignorar o papel cultural e científico da universidade. Campi são espaços de debate, produção artística, eventos acadêmicos e projetos de extensão que dialogam com a comunidade. Eles ampliam o capital cultural da cidade e promovem cidadania ativa.

Consolidar o campus da Unemat em Rondonópolis não é apenas uma reivindicação educacional; é uma decisão estratégica. Trata-se de investir em desenvolvimento econômico, justiça social e fortalecimento da saúde pública. Já pagamos impostos que estão indo, apenas, para outras regiões do Estado. E crescimento de uma região não se sustenta apenas na força produtiva, mas na capacidade de formar pessoas, gerar conhecimento e cuidar de sua população.

(*) Eliane Barbosa Rocha, presidente da Associação Gente de Fibra MT (Agefibro/MT), mulher com fibromialgia, mãe, avó e professora

 

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