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Rondonópolis
, 19 maio 2024
 
 

Livro ao sabor de café

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(*) Hermélio Silva

Eu olho para uma planta, no meio de milhares, e vejo a sua robustez, verde escuro, com galhos dividindo espaço com frutos e folhas. Os frutos verdes e vermelhos-maduros em cachos e ao mesmo tempo nos ramos. Mudo a vista de lado, e manuseio um equipamento miúdo, mas muito grande para com o mundo atual, parece querer imitar Deus com sua presença em todo o espaço e tempo. E, chegaram à torrefação do seu fruto, que tem vários tipos de grãos, e é servido quente e raras vezes frio, também, com outras misturas principalmente ao leite, que chamamos de café-com-leite ou pingado.

O aparelho já resume nalguns cliques tudo que eu quero saber sobre café. Apresenta um turbilhão de informações a seu respeito, e me chamou a atenção a sua filtragem em pano, a mais comum e outras, como em papel filtro. Muitos já cantaram em prosa e em verso sobre seus cheiros, sabores, energias e que é bom para o coração. Alguns fervem o café antes da coagem, outros abominam tal ação.

Cá com minhas dúvidas, investigo o dispositivo eletrônico portátil, que não precisa manusear páginas impressas, como outrora aprendi a fazer e resisto em não reaprender na forma táctil digital. Só que ao fazer isso, a resistência desiste e a insistência para fazer o toque na tela é a mais natural possível, uma vez que a facilidade da pesquisa é mil vezes melhor.

Já tomei até sorvete com café, e para ser verdadeiro sou o primeiro a elaborar no seio da minha família, isso mesmo, elaborar o café em casa, até já construí uma fórmula própria, sem contar que até poema já fiz com o segredo da receita, o que deixa de sê-lo. O aroma é mais elogiado pela família, que os adjetivos da feitura, após bebericarem tal bebida, quente e adocicada com os ingredientes particulares de cada um dos tomadores: açúcar, xilitol, adoçante ou amargo mesmo sem adição qualquer.

A grande dúvida do início do novo milênio é sobre a mudança do livro impresso para o digital. Sou defensor do impresso. Sei que não temos leitores contumazes, não formamos novos e as leituras digitais em pequenas doses, como se café fossem, são estimulantes para que a maioria mude ou aprenda a conviver com a nova rotina que se avizinha, da superficialidade, pois, ali nos pequenos textos acham todas as informações sobre o assunto que buscam e pensam que as conseguiram, como se verdade fosse, e não atentam para as matérias robustas, precisas e com fontes fidedignas. Leem e entendem as lides do jornalismo, como se fosse a matéria completa.

Uma coisa boa vai ficar, pois ao discutirem nas redes sociais com os nominados sábios, letrados, jurisconsultos, sapientes de diversos assuntos, além de estudiosos de fato, beberão na fonte das pesquisas, mesmo que eletrônicas, para dar continuidade à discussão, sem ficar navegando à deriva nesse mar revolto das plataformas digitais, acaso não optem por emudecerem. Aí, sim, imperará a produção de conteúdo de qualidade, o que por si, já me anima como incutido de levar o saber, a literatura e o fazer cultural na sua mais ampla forma. Digital ou impresso, griô ou camelô, ontem ou hoje, agora ou amanhã.

Vou tomar um café, para dar um tempo e finalizar esse texto, porque o porquê ainda me induz ao passado, à insistente fala interna que às vezes verbalizo, não mais com tanta certeza: gosto do cheiro do livro impresso.

Só falta, amanhã pela manhã, a publicitação de uma matéria rica, dizendo que os novos aparelhos eletrônicos trarão o cheiro do café, quando iniciarem uma leitura, para incutir na nossa cabeça, que o cheiro do livro em papel, já pode vir junto ao dispositivo digital também, assim que abrirmos uma página de quaisquer livros.

Vai ser difícil a concorrência do livro impresso com o digital e a comparação com o café. O tempo urge, a síndrome de Nagali pode aparecer, a catarata ataca, precisamos de fontes maiores e, mais uma, um clique apenas facilita o retorno à leitura digital, porque aumentar o tamanho das letras é apenas um gole de café, desculpa, um aperto no monitor.

(*) Hermélio Silva é escritor e membro fundador da Academia Rondonopolitana de Letras, cadeira número 6

 

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