Borória: Fazenda Velha de Rondonópolis

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Fazenda Velha – (Foto: Maike Moreira)
Artista plástico Maike Moreira e sua obra

Falar da história de Rondonópolis é um pouco desafiador até para sua própria população. Será que os habitantes da cidade realmente conhecem a história da cidade? Fazendo uma pesquisa rápida na internet nota-se que não é difícil encontrar escritos e relatos sobre a história e cultura dos povos antigos que habitavam nossa terra. Contudo, será que a população sabe que, parte desta história está correndo risco de ser apagada?

Em Rondonópolis ainda temos uma das primeiras habitações que deu início ao povoado não índio no início do século XX. Chamada de “Fazenda Velha” essa casa hospedou o grandioso Marechal Rondon no qual foi homenageado com o nome da cidade. Quando Rondon vinha à região para exploração e construção da Linha Telegráfica de Mato Grosso ele se hospedava na Fazenda Velha. Tudo começou ali, nessa fazenda. Mas atualmente ela corre risco de desaparecer.

Devido a obra da avenida W11 que ligará a BR-364, nosso registro cultural, a Fazenda Velha, poderá ruir com as diversas máquinas transitando ao seu entorno e causando inúmeros tremores que chegam a escala Richter, e como a estrutura está extremamente debilitada com rachaduras e sem o telhado, recebendo chuva e sol, isso corrobora para deixá-la ainda mais frágil. O curioso é que a área que receberá a avenida ligando a BR já teve até a licença ambiental liberada para início das obras asfálticas, mas a liberação de tombamento de patrimônio histórico da Fazenda Velha ainda se encontra em processos burocráticos esperando o aval do prefeito da cidade de Rondonópolis.

O que a população precisa refletir é: por qual motivo ainda não foi liberado o tombamento histórico para que assim aconteça a reforma da estrutura da Fazenda Velha?

Será que querem tremer primeiro o ambiente para que caia logo e não tenha mais o que fazer?

Temendo esse risco por parte do governo municipal, fui até o local da Fazenda para ver seu estado e colher alguns materiais para posteriormente produzir uma obra de arte que registre um pouco de nossa história. Foi recolhido no próprio chão do local, aos pedaços e estilhaços, tijolo da estrutura da parede, telha e parte da casa de cupim que estava na estrada até chegar na sede.

Esses materiais foram triturados até virarem pó, misturados com aglutinante e produzido uma espécie de tinta natural. Com essa tinta foi produzido a obra de arte no qual nomeei: Borória: “A Fazenda Velha de Rondonópolis” em homenagem a cidade e ao local.

Mas, essa obra tem objetivo específico de chamar a atenção do público quanto ao questionamento:

Vamos mesmo perder um pedaço de nossa história por causa de motivos e burocracias políticas?

Nossos primórdios ficarão registrados apenas nessa obra de arte e algumas poucas fotografias ou podemos contar com a prefeitura para a restauração e sobrevivência dessa importante referência histórica da cidade?

 

(*) Maike Moreira de Souza, professor de Arte na Rede Estadual. Formado em Artes Visuais

 

 

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1 COMENTÁRIO

  1. Do adobe das paredes da casa/sede da Fazenda Velha que datam seguramente mais de cem anos o professor e artista plástico Maike Moreira de Souza elaborou uma obra de arte. Esta manifestação criativa extrapola o agora e integra um tempo que se foi e se mantém na memória daqueles que conheceram a casa, as pessoas e os muitos cotidianos.
    Este trabalho artistico é reminiscência e testemunho do material usado na casa; é representação de uma história que estava na vala do esquecimento ou desconhecimento da maioria dos moradores de Rondonopolis.
    Uma homenagem ao patrono do município, Rondon e, ainda e em especial ao povo bororo da ancestralidade e do presente.
    Quantas análises provocam esta pintura! Quantos fios de história e de memória se entrecruzam no agora! E a fotografia grita, mostrando a casa em decomposição . Por que os proprietários abandonaram a casa? Por que Não atendem aos apelos da sociedade que querem sua preservação? Por que a Prefeitura não toma providências para impedir que se acabe? Será o fim deste testemunho histórico?

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