Segundo a Wikipédia, ‘a enciclopédia livre’, o Duolingo é “uma plataforma de ensino de idiomas que compreende um site, aplicativos para diversas plataformas e também um exame de proficiência digital”, estando disponível na própria Web e também para os sistemas iOS, Android, Windows Phone e Linux.
O projeto/método, criado pelo guatemalteco Luis von Ahn e o suíço Severin Hacker (com a ajuda de um grupo de colaboradores), foi desenvolvido na cidade de Pittsburgh, no estado americano da Pensilvânia, e lançado no final de 2011, contando hoje com mais de 300 milhões de usuários em todo o planeta.
Eu, particularmente, já tinha ouvido algumas pessoas falarem (bem e mal) dessa opção para o ensino ou aprendizado da língua inglesa, em especial.
Quem? Na sua maioria, aprendizes iniciantes do idioma bretão, geralmente fascinados por toda e qualquer possibilidade de ‘facilitar o aprendizado’ ou ‘aprender mais rápido’ aquilo que, a prática e a experiência no ramo nos mostram, demora anos (e às vezes uma vida inteira) para acontecer.
Devo confessar que eu vi a ferramenta pouquíssimas vezes, e quase sempre por causa da insistência de alguém. Sendo assim, sempre que sou perguntado sobre o que acho dele (ou do Rosetta Stone, do Babbel, do Busuu etc.), eu respondo que tudo é válido no (longo) caminho rumo ao aprendizado, mas que tudo tem o seu lado negativo também.
Para melhor entender o tema, eu decidi procurar a ajuda de um especialista no assunto, e um dear student, o adolescente Rafael Eichler Torres, de 16 anos, que me garantiu já ter utilizado o Duolingo para melhorar o seu inglês e estudar espanhol, francês, alemão e japonês! Segundo ele, o aplicativo que ele tem no celular tem as versões gratuita e paga (o Duolingo Plus), funcionando como um sistema de ranqueamento (ranking).
Assim, a ‘brincadeira educacional’ é dividida em exatas 10 ligas (leagues, em inglês), que vão do nível bronze ao diamante, cobrindo um total aproximado de 1 000 exercícios e mais de 3 000 palavras durante o ‘curso’ inteiro. Para ele, este é “o aplicativo que está no mercado que oferece o menu mais completo de línguas, cobrindo todas as habilidades linguísticas.”
Ainda um pouco na dúvida, eu decidi acessar o site duolingo.com e lá eu fiquei sabendo tratar-se, segundo eles, de “um ótimo jeito novo de aprender um idioma,” pois “aprender com o Duolingo é divertido e viciante”.
Fica claro, no site, que cada lição é um jogo e que as aulas são “curtinhas” – podendo-se usar cronômetro em algumas circunstâncias, inclusive. Mais do que isso, são citadas diversas categorias, que cobrem, de acordo com o progresso do usuário/jogador, tópicos como saudações, família, trabalho, hobbies, planos e animais, dentre outros, e aspectos linguísticos como ortografia, pronúncia e tradução de palavras e frases, inclusive com o uso de imagens ou textos para aprender estruturas novas. É uma espécie de ‘autodidatismo interativo’, por assim dizer.
O grande porém nesse conto de fadas, com base em outros relatos que eu obtive, é que muitas palavras e frases aparecem descontextualizadas e em lições fragmentadas, mnemonicamente (para não dizer enfadonhamente) repetidas e repetitivas, algo que não costuma contribuir muito com o quesito motivação e muito menos com aquilo que chamamos de ‘aprendizagem qualitativa’.
Aliás, um fato curioso é que, até hoje, eu nunca vi alguém que estivesse no nível avançado de inglês por causa do Duolingo. A maioria daqueles que o utilizam está (penando) no nível básico, enquanto que raros são aqueles que migraram para as atividades do nível intermediário, teoricamente mais exigente. A maioria desses learners/players brasileiros, na verdade, logo desiste da empreitada, e não percorre o percurso duolingamente sugerido.
Por que será, hein?
(*) Jerry Mill é mestre em Estudos de Linguagem (UFMT), presidente da Associação Livre de Cultura Anglo-Americana (ALCAA), membro-fundador da ARL (Academia Rondonopolitana de Letras), associado honorário do Rotary Club de Rondonópolis e autor do livro Inglês de Fachada



