O sucesso

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Maria Regina Canhos Vicentin - opiniao - 01-03-11Estava pensando com os meus botões sobre a ideia contemporânea de sucesso: carro zero, tecnologia de ponta, muito dinheiro, prestígio e poder. No contraponto, lembrei do título de um livro, “o sucesso é ser feliz”. A questão é que julgamos “ser feliz” em se tendo “carro zero, tecnologia de ponta, muito dinheiro, prestígio e poder”; mas, nem sempre é assim…

“Ter” é muito bacana. Quem não deseja desfrutar de uma vida melhor, recheada de coisas gostosas e prazeres intensos, ainda que passageiros? Eu diria que a maioria das pessoas almeja por isso ao menos em alguns momentos da vida; outras, em todos. Também não vejo problema algum nisso. A questão complica, no entanto, quando focalizamos somente nesse ponto. Apenas “ter” não assegura “ser feliz”, embora traga inúmeros momentos de prazer e alegria. Por que será que isso acontece? Porque o “ter” dissociado do “ser” carece de sentido.

Queremos “ter” para provar que somos suficientemente bons, merecedores e valiosos, ainda que na realidade não o sejamos. Precisamos mostrar para as pessoas em geral, amigos e familiares que conseguimos “coisas”, “títulos”, “premiações”, para que venhamos a experimentar a sensação de reconhecimento e mais valia. Assim, embora talvez cheguemos a perceber através desta explicação que “ter” não é o “fim em si”, mas um “meio” para alcançarmos nossos objetivos, na prática é difícil chegarmos a essa conclusão sozinhos, por isso continuamos perseguindo o “ter”.

A situação fica mais complicada na medida em que verificamos que para “ser feliz” muitas vezes necessitamos abrir mão de “ter” coisas, sucesso, prestígio e poder. Ora, mas se era exatamente isso que se achava necessário “ter” para “ser” feliz… Agora endoidou de vez. Contudo, se prestarmos atenção, vamos perceber que é isso mesmo: lutamos para “ter”, e quando “temos” verificamos que para “ser” devemos aprender a abrir mão do que conquistamos para continuarmos a “ser felizes” sem apego, em liberdade. É um exercício difícil e complexo. Muitos não conseguem abrir mão de suas posses e poses.

“Ser” implica compreender que as coisas existem para serem utilizadas de acordo com a sua finalidade e, posteriormente, descartadas para que possam ser usufruídas por outras pessoas, às vezes, bem mais necessitadas que nós. Nosso valor não deveria estar atrelado aos títulos ou bens que possuímos, mas à pessoa que somos. “Ser feliz” é compreender tudo isso e aproveitar as oportunidades que temos para rever conceitos e paradigmas. A ampliação do nosso nível de consciência só é possível se aceitamos acolher o novo em nossa vida. É possível “ter” e “ser”? Lógico que é! Contudo é importante treinar o desapego, cientes de que as coisas servem apenas para serem usadas, e têm um tempo definido de permanência em nossa vida, que pode ser maior ou menor dependendo dos objetivos que nos foram traçados pelo próprio Criador. Aproveite a vida. Viva! Isso é o sucesso!

(*) Maria Regina Canhos é escritora, e.mail: [email protected]

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