Vida religiosa consagrada

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O chamado de Deus  para o serviço do Reino é também uma expressão do Pentecostes, pois nele acontece a unidade na diversidade. “Muitos são os dons, porém o carisma é o mesmo”. A Vida Consagrada é composta de mulheres e homens que se deixaram consagrar pelo Espírito de Deus a fim de viverem em plena liberdade na doação e partilha dos seus dons. Na Bíblia, o chamado de Deus para cada profeta deixou elementos essenciais: unção, visão, toque, purificação, escuta, diálogo, misericórdia e enfim… para cada um/a Deus fez com que o chamado acontecesse levando em conta o ritmo de compreensão, a realidade, os desafios e os limites do/a vocacionado/a.
Olhando a história da Vida Consagrada após o Concílio Vaticano II, percebe-se  que ela sempre esteve preocupada com a própria renovação e aos sinais dos tempos. Ainda hoje quando se vai para frentes missionárias o objetivo maior é a defesa da vida, seja em forma de pastoreio ou em realização de projetos tendo em vista a cidadania e a alteridade das pessoas.  Assim os/as consagrados/as vão construindo sua história em meio aos grandes desafios do mundo complexo e plural da realidade social e da Igreja.
A Palavra de Deus os/as impulsiona a avançar com os “olhos fixos em Jesus” (Hb 12,2) movidos/as pelo Espírito que os/as consagrou e enviou a anunciar a Boa nova. Milton Shwantz, biblista atuante CEBI – Centros de Estudos Bíblicos, diz que: “o cristão necessita da Bíblia e do jornal. A Bíblia para dizer como Deus ama apaixonadamente  a humanidade. O jornal para dizer como vive essa humanidade que Deus tanto ama”.
A missão de todos/as é a defesa da vida pelas parcerias e mutirões,  principalmente  para  com a  Casa Comum: o planeta terra. O desafio de reeducar o consumo  do uso e reuso da água, o profetismo  e até o martírio por  enfrentar algumas autoridades que assumem os cargos públicos com ideais diferentes das necessidades dos cidadãos, a realidade das florestas com desmatamento e queimadas.
“A Vida Religiosa Consagrada  não tem apenas uma história para contar, mas também uma história para construir”. Por isso, a marca da Vida Consagrada continua sendo o firme seguimento de Jesus na perspectiva de que o Reino aconteça e o mal desapareça do meio dos filhos amados e filhas amadas de Deus. A comunidade religiosa começa o dia com a oração comunitária, é nesse pequeno gesto de sentar-se junto ao redor da “Fonte Inspiradora”: Palavra de Deus,  que  um mútuo espelhar-se de vida e Bíblia acontece e todos os trabalhos e palavras do dia são canalizados para a vida, a misericórdia, o amor e a partilha.
A vida em comum foi um aprendizado que as primeiras comunidades receberam de Jesus e também a Vida Consagrada pratica na sua vida e missão.  O partilhar não apenas coisas, objetos, mas os diferentes saberes e também as fraquezas tudo faz parte de um grande ofertório que se apresenta a Deus na dinâmica da fé e na vivência dos votos de Pobreza Castidade e Obediência. Tudo é fruto do amor de Deus, tudo se transforma em Eucaristia que no encontro com o outro vai santificando e purificando a vida e fazendo acontecer a proposta de Jesus: Caminho Verdade e Vida para todos/as.
As gerações que se apresentam para serem padres ou irmãs precisam sentir o apelo da doação, é necessário querer gastar-se. Jamais alguém se torna um missionário se tem medo de gastar seu tempo, de envelhecer, não conseguir viver sem posses, ou mesmo se gosta apenas de trabalhos que o faz aparecer e receber méritos e ascensão social. No trabalho pelo Reino acontecem atividades a qual só Deus as vê que gestos são verdadeiros beijos em leprosos, aquele beijo que transformou a vida de  São Francisco de Assis. São Francisco fugia do leproso, sentia repugnância devido ao cheiro forte e a sujeira… Certo dia o leproso se aproximou de Francisco  e os dois se olharam fixamente e aconteceu algo de Deus, Francisco venceu tudo que sentia: medo, nojo, frieza, indiferença e conseguir abraçar e beijar o leproso numa alegria que só a fé explica, só o amor a vida, só a irmandade universal, só os objetivos de uma nova sociedade poderiam fundamentar tal aproximação. Ele sentiu-se liberto, pois no leproso, Francisco encontrou Jesus.
Na missão dos padres e irmãs acontecem gestos que só o amor à vida explica tal ação de Deus na vida daquele/a consagrado/a. Por isso, “provocados/as por uma nuvem de testemunhas a Vida Consagrada reafirma sua identidade mística profética e reaviva a paixão pelo Reino defendendo e promovendo a vida, assumindo a causa dos empobrecidos e construindo relações humanas, fraternas e solidárias”.

(*) Irmã Lucelene Maria Vasconcelos, Catequista Franciscana, formada em letras-espanhol e professora nas Escolas Dom Vunibaldo e Sagrado Coração de Jesus

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