
O sódio desempenha um papel fisiológico fundamental no organismo, sendo necessário para a manutenção do fluido extracelular, do balanço ácido básico e da atividade muscular e nervosa. Além disso, ajuda a formar gradientes de concentração nas membranas celulares que permitem a captação de nutrientes pelas células da mucosa intestinal e dos túbulos renais.
Em condições normais, a queda dos níveis plasmáticos de sódio desencadeia a produção e liberação de agentes vasoconstritores, como angiotensina II e vasopressina. Ao mesmo tempo, estimula a secreção de aldosterona, diminuindo a perda renal de sódio. Por outro lado, o excesso de sódio aumenta a sede e promove o aumento do volume sanguíneo, que em seguida pode ser restaurado pela excreção de água e sódio, por meio da diminuição da liberação de vasopressina e aldosterona.
Respostas inatas determinam o apetite humano por sal, a principal fonte de sódio na dieta, além de fatores como cultura, paladar, hábitos e o fato de alimentos salgados serem amplamente disponíveis. Em populações que adotam estilos de vida modernos, nos padrões da sociedade ocidental, tem-se observado aumento na pressão arterial. Nesse contexto, evidências de estudos epidemiológicos e de ensaios clínicos apontaram a relação direta entre o excesso de sal na dieta e o desenvolvimento de hipertensão.
Devido à associação entre hipertensão e incidência de doenças cardiovasculares (DCV), postula-se que o consumo de sal pode influenciar a sua ocorrência. Strazzullo et al. (2009) conduziram uma metanálise e encontraram risco 23% maior de acidente vascular cerebral (AVC) e 17% maior de DCV entre os indivíduos classificados nas categorias de maior consumo de sódio nos estudos. Em análise semelhante, Poggio et al. (2014) verificaram a presença de risco 12% maior de mortalidade por DCV.
Se o excesso de sal aumenta o risco à saúde mediante elevação da pressão arterial, o controle da ingestão de sódio comprovadamente também proporciona melhora nos níveis pressóricos. Graudal et al. (2012), em outra metanálise recente, analisaram 167 estudos comparando dietas com diferentes teores de sódio. Em pacientes brancos hipertensos, a restrição de sódio diminuiu a pressão sistólica em 5,48 mmHg e a diastólica em 2,75 mmHg. Em indivíduos normotensos, os decréscimos foram de 1,27 e 0,05 mmHg, respectivamente.
Mas nem todos os pacientes se beneficiam da restrição de sódio. Em um ensaio clínico, foi observada maior mortalidade entre indivíduos com insuficiência cardíaca congestiva que foram aconselhados a seguir uma dieta pobre em sódio. Contudo, a condição clínica dos pacientes foi prejudicada porque estes recebiam altas doses de diuréticos – portanto já se encontravam em estado de depleção de água e eletrólitos. De toda forma, parece ser seguro adotar metas menos rigorosas para a restrição de sódio na dieta neste tipo de situação.
Para a população geral, é bem justificado o esforço para promover o consumo de até 2 g de sódio ao dia (5 gramas de sal), incentivando mudanças no estilo de vida para redução consumo de sal de adição, em conjunto à diminuição da adição de sódio em alimentos processados. Esta abordagem se mostrou viável e efetiva na Finlândia e no Reino Unido, sendo capaz de produzir reduções significativas na ingestão de sódio, com consequente decréscimo nos valores de pressão arterial, nos casos de AVC e nos custos com saúde.




