SOJA – reação em Chicago
O mercado brasileiro de soja apresentou melhora no ritmo dos negócios, principalmente na segunda parte da semana, acompanhando a reação das cotações internacionais. Após um início de semana ruim, no balanço semanal, os preços domésticos apresentaram apenas pequenas oscilações.
Em Passo Fundo (RS), a saca de 60 quilos recuou de R$ 59,00 para R$ 58,50 entre os dias 14 e 21 de março. Em Cascavel (PR), a cotação subiu de R$ 55,50 para R$ 56,00. Em Rondonópolis, o preço passou de R$ 47,50 para R$ 48,00. Em Dourados (MS), a saca caiu de R$ 50,00 para R$ 49,00, enquanto em Rio Verde (GO) o preço estabilizou em R$ 50,50. O mercado internacional apresentou dois comportamentos distintos. Após seis sessões consecutivas de perdas, motivadas pelo sentimento de que a demanda mundial pela oleaginosa estaria se deslocando dos Estados Unidos para a América do Sul, o mercado reagiu no dia 20 e consolidou os ganhos no dia 21. Esta reação foi motivada pela notícia do cancelamento de compras que envolviam 2 milhões de toneladas da China no mercado brasileiro.
A percepção dos participantes se modificou. Aparentemente, a demanda permanece nos Estados Unidos, em um período onde normalmente as compras se concentram no Brasil e na Argentina. Isto ocorre pelos problemas de logística, principalmente o atraso nos embarques brasileiros.
BOI: alta registrada
O mercado físico do boi gordo apresenta um perfil de alta dos preços no Centro-Oeste do país, em plena safra. Segundo o analista de Safras & Mercado, Fernando Henrique Iglesias, o bom volume de chuvas na região faz com que o pecuarista retivesse o boi gordo no pasto.
Por conta disso, o boi gordo alcança um bom peso e deve ser negociado apenas no início do mês de abril. Essa situação resulta em uma latente dificuldade na composição das escalas de abate no Centro-Sul do Brasil, justificando a valorização dos preços praticados em diversas praças. Entretanto, a semana iniciou com preços em queda diante do grande volume de ofertas e de uma menor procura. Com o decorrer dos dias, o mercado apontou dificuldade dos pequenos frigoríficos de São Paulo para compor escalas de abate, que vão até quarta e quinta-feira da semana que vem (27 e 28/03).
As exportações de carne bovina do Brasil renderam US$ 227,5 milhões em março (onze dias úteis), com média diária de embarques de US$ 20,7 milhões. A média é 6,2% maior na comparação com os US$ 19,5 milhões obtidos diariamente em fevereiro, quando os embarques de carne bovina totalizaram US$ 350,4 milhões. Em março de 2012, as exportações totalizaram US$ 340,8 milhões, com embarques diários de US$ 15,5 milhões.
Nesta quinta-feira (21), em São Paulo, mercado teve preço em R$ 98,00 livre, a prazo. Em Mato Grosso do Sul, preço a R$ 92,00. Em Minas Gerais, a arroba ficou a R$ 93,00, livre, a prazo. Em Goiás, a arroba foi cotada a R$ 90,00. Em Mato Grosso, preço a R$ 86,00.
O atacado teve poucas mudanças de preços no decorrer desta semana, apresentando alguma valorização nos cortes de dianteiro. Conforme Iglesias, o perfil de demanda tende a ser mais retraído às vésperas do feriado relacionado à Páscoa.
MILHO: queda regional de preços
O mercado brasileiro de milho teve uma semana marcada pelo avanço da colheita da safra verão, pela baixa regional dos preços e pela pressão de venda. Segundo o analista de Safras & Mercado, Paulo Molinari, apesar do excesso de chuvas em algumas localidades, que seguraram um pouco o ritmo dos trabalhos, o interesse de venda continuou, e os preços acabaram caindo na maior parte das praças.
A colheita de milho da safra de verão, na região Centro-Sul, chegou a 41,9% da área estimada até 15 de março, conforme levantamento de Safras & Mercado. A área de cultivo ocupou 5,797 milhões de hectares, contra 5,925 milhões do ano anterior. No ano passado, em igual período, a colheita atingia 44,1%. Por sua vez, o plantio da safrinha de milho evoluiu para 87,9% da área estimada, conforme levantamento de Safras & Mercado para a região Centro-Sul. Em igual período do ano passado, o índice era de 89,3%. Safras trabalha com uma área de 7,378 milhões de hectares, contra 6,964 milhões do ano anterior.
Nesta quinta-feira (21), no Porto de Paranaguá, o preço esteve em R$ 30/31,00 comprador/vendedor. No Rio Grande do Sul, preço em R$ 28/28,50, em Erechim. Em Mato Grosso, Rondonópolis, teve preço a R$ 17/21,00. Em Goiás, preço cotado R$ 26/28,00, em Rio Verde.
ALGODÃO: margem para alta
A escalada do preço segue intensa no mercado doméstico de algodão. A indicação no CIF de São Paulo está por volta de R$ 2,05 por libra-peso, a maior desde 21 de junho de 2011. Comparado ao mesmo período do mês passado, a alta acumulada é de 13,9% e, em relação ao mesmo momento do ano passado, de 32,3%.
Segundo o analista de Safras & Mercado, Élcio Bento, a forte apreciação da fibra resulta do descompasso entre a oferta e a demanda interna. “Os produtores estão concentrando as atenções na comercialização da soja e no desenvolvimento das lavouras de algodão da safra nova”. No entanto, além da situação de aperto no abastecimento interno, a firmeza dos preços no Brasil é corroborada pela elevação das cotações da fibra no mercado internacional e pela recente valorização do dólar em relação ao real. Na ICE Futures o contrato spot (maio 2013) rompeu o suporte de 90 centavos de dólar por libra-peso pela primeira vez desde abril de 2012. Comparado ao mesmo período do mês anterior, apresenta valorização de 11,69%. No mercado cambial, a valorização em relação ao mês anterior é de 1,32%. Assim, em reais, a alta da principal referência do mercado internacional para o algodão foi de 13,17%, muito próximo da apresentada no mercado nacional (13,9%).



