Em meio às toneladas de lixo amontoadas, algumas famílias ou pessoas conquistam o sustento mensal a partir da separação de materiais recicláveis e reutilizáveis no “lixão” de Rondonópolis, na região da Mata Grande. Existem mais de 70 pessoas cadastradas para a separação do lixo doméstico, mas uma média de quase 30 pessoas efetivamente atuam por conta própria nessa atividade no local. Há pessoas que conseguem, em certas ocasiões, obter até dois salários por mês nessa atividade.
Os catadores de materiais recicláveis em meio ao lixo orgânico seguem, principalmente, as máquinas que esparramam o material que chega a toda hora no “lixão”. Assim, fica mais fácil achar o material aproveitável. A maior produção de lixo reciclável é obtida em função dos fins de semana, quando as famílias se reúnem, fazem festas e churrascos, assim como mais eventos ocorrem na cidade. Nesses períodos, a produção desse tipo de lixo aproveitável chega a ser o dobro da produzida no meio de semana.
A disputa no “lixão” é por materiais recicláveis, como papelão, plástico, garrafas pets, cobre e latas de alumínio. O pioneiro no local é o catador João Adarc Pereira, de 57 anos e com 22 anos na atividade. Além dele trabalham no “lixão” mais um filho, um genro, uma nora e a mulher. O papelão e o pet são vendidos para uma empresa de São Paulo, já os demais materiais para empresas de reciclagem da cidade.
A renda mensal de João Adarc, a partir da atividade no “lixão”, varia entre 1,5 salário e 2 salários por mês. “Não tenho vergonha de trabalhar aqui; é um trabalho como outro”, responde. Uma vantagem é poder fazer o próprio horário. Apesar do desenvolvimento de Rondonópolis, afirma que, antigamente, sempre achava objetos de valor no “lixão” – como relógios e aparelhos eletroeletrônicos em funcionamento – e hoje isso é mais difícil.
Outro que obtém renda em meio ao lixo é o catador Rubens de Jesus Lima, de 27 anos e há cerca de 01 ano no local. Antes trabalhava em uma fazenda da região, mas a renda era muito pouca. “Aqui está dando… Lá na fazenda só aproveitavam de mim”, avalia. Ele é solteiro e calcula que consegue com a separação do lixo um pouco mais de um salário mínimo. “Não penso em arrumar outro serviço; eu acostumei”, relata, informando que começa o serviço por volta das 5h da manhã.
Além do mau cheiro, as moscas e as garças fazem parte do cenário desses trabalhadores. Mas o catador José Geraldo Franco Dias, de 46 anos e há quatro meses no local, alega estar satisfeito com a atividade. “Trabalhava na cidade, ganhava pouco e o patrão me humilhava. Aqui passei a ganhar mais e não tenho humilhação. Aqui todo mundo é igual”, explica, informando que um sobrinho dele também trabalha no “lixão”. Ele diz que vende, por exemplo, o cobre a R$ 9,00 e o alumínio a R$ 2,20 o quilo. Tem mês que ganha até dois salários. “É cansativo; tem de trabalhar muito”, pondera.
LIXÃO – O “lixão” de Rondonópolis recebe lixo domiciliar, lixo industrial, material orgânico e dos “Ecopontos”. Não recebe lixo hospitalar nem embalagens de agrotóxicos. O depósito de pneus é coordenado por órgão ambiental.



