
São Duzentos anos de Independência do Brasil. A Independência foi bradada por Dom Pedro I, ocorreu em São Paulo, às margens do riacho Ipiranga, em 7 de setembro de 1822 – e não no Rio de Janeiro, sede do governo à época.
A Viagem – Mas o que Dom Pedro veio fazer pelas bandas paulistas?
Com a partida de D. João VI para Portugal, em 1820, devido a Revolução Liberal do Porto, D. Pedro foi nomeado Príncipe-Regente do Brasil. Porém, muitos grupos se insurgiram contra o príncipe e desejavam a volta do Brasil a Portugal, o que poderia provocar a divisão do Brasil em pequenas repúblicas, como ocorreu na América Espanhola – aponta o historiador Diego Amaro de Almeida.
“Para evitar a submissão do Brasil a Portugal ou a desfragmentação do território, Dom Pedro precisava se mostrar um líder capaz de realizar um plano ambicioso de independência de um território de proporções continentais. E, ainda precisava de apoio financeiro.” Na época, o Vale do Paraíba era um dos motores econômicos do País.
Em 1822, algumas províncias do Brasil, como São Paulo, ameaçavam entrar em guerra e Dom Pedro resolve viajar a São Paulo a fim de garantir o apoio dos paulistas à sua causa. Ele veio firmar alianças com os fazendeiros, apaziguar o cenário e preparar terreno para a Independência, afirma o pesquisador Paulo Rezzutti. (epocaneggocios.globo.com).
Com uma comitiva de 30 homens, Dom Pedro parte em 14 de agosto de 1822 da Quinta da Boa Vista, no Rio de Janeiro, rumo a São Paulo. Nessa viagem, realizada através do Vale do Paraíba, o jovem Pedro iniciou a caminhada como príncipe e no final terminou como imperador do Brasil.
“Ao entrar na província de São Paulo, o príncipe fez várias paradas. A primeira delas foi na cidade de Bananal, no Vale Histórico, depois em Areias, em Cachoeira Paulista, Lorena e em Guaratinguetá. Nesses intervalos ele fazia conversações políticas com as autoridades locais”, disse o Padre Inácio Medeiros, C.Ss.R(www.a12.com).
O grupo chegou a São Paulo na manhã do dia 25 de agosto. Foram dias de muito trabalho até o 7 de setembro histórico. Na capital paulista, Dom Pedro convocou novas eleições e governou a província interinamente, recompondo o poder que andava ameaçado
Dom Pedro pede bênçãos à Nossa Senhora Aparecida – Depois de Guaratinguetá, Dom Pedro I tinha novo compromisso público que era visitar a então capela de Nossa Senhora Aparecida, hoje no município de Aparecida. Ali esteve em 20 de agosto de 1822, no pequeno templo que havia sido erguido justamente para abrigar a imagem da santa, encontrada na região em 1717.
Sobre esse fato a historiadora Teresa Pasin afirma que, “O mais bonito foi a demonstração de fé de Dom Pedro como devoto também, de chegar, ajoelhar-se, prostrar-se aos pés da Rainha. Ele rezou mesmo, aos pés do Nicho de Nossa Senhora. Dom Pedro viu na figura da Senhora da Conceição um símbolo de nosso País”, disse a historiadora Tereza Pasin.
Segundo Rezzutti, existem muitos relatos que Dom Pedro de Alcântara teria rezado na igrejinha e feito uma promessa: se tudo corresse bem, ele faria de Nossa Senhora Aparecida a padroeira do Brasil independente.
O fato é que, 15 dias antes de proclamar a Independência, o príncipe regente, o futuro imperador em pessoa, estivera ajoelhado diante de uma imagem que era a rainha dessas terras e pedira a intercessão da Mãe de Deus – com certeza, isto é um dado no mínimo revelador e simbólico.
Ante as ameaças das cortes portuguesas em submeter a liberdade dos brasileiros, Dom Pedro suplicara a intervenção da Virgem Aparecida e a sua força para esmagar a cabeça da serpente, para que o dragão cor de fogo não devorasse os seus filhos (site Padre Paulo Ricardo).
A promessa foi profética: em 12 de outubro de 1822, ao completar 24 anos de idade, Pedro é aclamado Imperador do Brasil pelo povo, data em que hoje é celebrada a grande festa da Padroeira do Brasil.
Houve grande influência externa para que o Brasil voltasse a ser uma mera colônia, todavia a ampla maioria dos brasileiros não desejava voltar a ser dominada por Portugal.
Dos modelos de independência que havia, prevaleceu aquele defendido por José Bonifácio de Andrada e Silva, que propunha que o Brasil se separasse de Portugal, mas que mantivesse a manutenção do regime monárquico constitucional, com a finalidade de preservar a unidade política. A princesa Leopoldina se alia a José Bonifácio, poque também se identificava com a causa da independência; Maria Leopoldina, nascida arquiduquesa da Áustria, princesa Carolina Josefa Leopoldina de Habsburgo-Lorena, nasceu em 22 de janeiro de 1797 e faleceu em 1826. Educada com esmero na corte vienense, desde cedo mostrou interesse pela botânica e mineralogia. Também estudou história, línguas e pintura- deixou várias aquarelas.
Leopoldina casou-se com D. Pedro I, foi a primeira imperatriz do Brasil e, por dois meses, rainha de Portugal. Dessa união ela teve sete filhos, vindo dois deles a serem coroados soberanos: dona Maria II, rainha de Portugal, e dom Pedro II, imperador do Brasil. Leopoldina, pela sua atuação, foi uma das construtoras da independência do Brasil.
Paulo Rezzutti detalha na biografia “D. Leopoldina: A História Não Contada – A Mulher Que Arquitetou a Independência do Brasil,” que Leopoldina não tinha nada da figura caricata e passiva que acabou sendo eternizada nos folhetins. O primeiro decreto da independência foi assinado por Maria Leopoldina, em 13 de agosto de 1822, quando ela foi nomeada chefe de Estado e Princesa Regente interina, quando da viagem do príncipe a São Paulo. Com isso Leopoldina foi a primeira mulher das Américas a desempenhar o papel de Chefe de Estado.
A Independência – Justamente, enquanto Dom Pedro viajava pelo Vale do Paraíba, Leopoldina arquitetava a separação de Portugal. Em agosto de 1822, ela escreveu uma carta para sua irmã na qual dizia que “o Brasil é grande demais, poderoso e, conhecendo sua força política, incapaz de ser colônia de uma corte pequena”.
Contudo, as cortes liberais portuguesas pressionavam cada vez mais Dom Pedro, exigindo a sua volta imediata ao Reino. Esta atitude era uma manobra para que o Brasil perdesse seu status de Reino Unido e voltasse à condição de colônia.
Então, entendendo a gravidade do momento, juntamente com José Bonifácio, Dona Leopoldina convoca o Conselho de Estado e, com as prerrogativas de Regente Interina, ela assina o decreto de Independência do Brasil, em 2 de setembro de 1822.
Em seguida, Dona Leopoldina envia uma carta a D. Pedro, declarando que era chegado o momento de romper com Portugal. O emissário do documento consegue em cinco dias de viagem avistar Dom Pedro e comitiva, bem nas proximidades do riacho Ipiranga, em 7 de setembro de 1822. Indignado com as notícias que recebera, o então Príncipe Regente, Dom Pedro de Alcântara e Bragança desembainha a espada e declara a Independência do Brasil,
“Viva a Independência e a separação do Brasil. Pelo meu sangue, pela minha honra, pelo meu Deus, juro promover a liberdade do Brasil. Independência ou morte!”
Parabéns, Brasil, pelas homenagens conferidas ao seu BI-CENTENÁRIO de Independência. Feliz é a nação que tem NS da Conceição Aparecida como padroeira e a Deus como o seu Senhor. Essas e outras teias invisíveis da história explicam bem mais sobre a independência brasileira do que as teorias do processo em si.
(*) Luci Léa Lopes Martins Tesoro é professora doutora em História Social pela USP, autora do livro “Rondonópolis-MT: Um Entroncamento de Mão Única”.



