
A fumaça nos olhos arde na esperança
De ver o sol brilhar.
A respiração está ofegante, fico a tossir.
Não! Não fui eu que pus o fogo a crepitar na mata
Quem queima a mata, mata a vida.
Não sei se choro ou se grito.
Não ponham fogo aqui!
O Pantanal chora seus bichos mortos.
As águas minguaram dos rios.
A chuva não vem.
Não! Não fui eu que quis ver esses desastres
Quem sabe eu ajudei
Para enriquecer as inconsciências
De quem tem para usufruir.
Assim o dia sofre, meus olhos sofrem
A lua se esconde, não brilha no céu.
O azul-celeste do sol brilhante escurece
Mais um ano se passa.
Não! Não fui eu que não aprendi a lição
Foi a ganância dos barões
Que rondam meu arraial.
O que fazer se o dólar está em alta?
Ganhar mais é bem melhor,
Que morram homens e animais.
Não! Não fui eu… mas, a conta bate à minha porta
Se eu não queimo, não refaço economia.
Pagar para quem queima, isso é o que importa.
(*) Isaías Dias é poeta e romancista. Autor do romance A Chalana do Adeus. Membro da ARL. E-mail [email protected]



