Ana Flávia Nunes, de 13 anos, passa por um tratamento severo, baseado em quimioterapia e radioterapia, para combater um tumor no sistema nervoso central. Desde que a sua família descobriu a doença, mudou-se de Salgueiro, em Pernambuco, para São Paulo. “ Vim para me tratar”, conta a menina. “Mas, no caminho que faço entre a casa em que estou morando e o hospital, sempre passo pelo Playcenter (na zona oeste). De tanto olhar, fiquei com essa vontade de conhecer o lugar.”
O desejo de Aninha foi realizado ontem pela Make A Wish (Faça um Desejo), uma ONG que existe desde 1980 nos Estados Unidos e que atua no Brasil há apenas oito meses. A Make A Wish, como seu próprio nome diz, trabalha na realização dos sonhos de crianças com doenças graves. “Graves, sim. Terminais, não. Porque nossa esperança é de que, com o desejo realizado, essa criança comece uma recuperação”, diz a diretora executiva da ONG, Lêda Tannus.
A Make a Wish brasileira tem em seu currículo dez sonhos realizados. Entre eles, o de Vitor, que queria brincar na praia; o de Matheus, que quis conhecer o goleiro do Palmeiras, Marcos; e o de Bruna, que queria andar em um cavalo branco chamado Anjo.
“As pessoas entram em contato com a gente e contam os sonhos de seus filhos. Depois, realizamos entrevistas com a família, os médicos e com as próprias crianças. Apuramos o que realmente elas querem”, fala Leda. De acordo com ela, não existe sorteio ou lista de espera. A ONG pode ser acionada por meio do site www makeawish.org.br.
Não demorou para Ducijane Nunes, de 33 anos, mãe de Aninha, conhecer a ONG. “Quando soube do desejo dela, procurei esse pessoal. Era um presente que eu queria dar para a minha filha.” O pai, o caminhoneiro Manuel Marcondes, de 39, completa: “Ela sempre foi guerreira e corajosa. Nunca teve medo de nada.”
Aninha tem total consciência da luta que está travando. “Quando tudo isso acabar, quero voltar para a minha cidade (Salgueiro), para os meus amigos e familiares. Quero voltar para a escola”, diz. Aninha pretende fazer faculdade de Direito, ser juíza ou promotora. “Não sei de onde veio essa minha vontade. Vai ver é porque gosto de assistir ao jornal na TV.”



