
São mais de 15 profissionais médicos afetados pelos atrasos dos salários desde outubro de 2017.
Com salários atrasados desde outubro de 2017, médicos do Departamento de Ginecologia e Obstetrícia da Santa Casa decidiram, por unanimidade, suspender os atendimentos na maternidade do hospital filantrópico. A decisão foi tomada em uma assembleia realizada no dia 26 de fevereiro e comunicada ao Conselho Regional de Medicina, Secretaria Municipal de Saúde, Secretaria de Estado de Saúde, Ministério Público Estadual e diretoria da Santa Casa.
São mais de 15 profissionais afetados pelos atrasos e, caso não sejam efetuados os pagamentos, o atendimento da maternidade deve ser suspenso ao final do mês de abril. A decisão dos profissionais em oferecer um prazo de 60 dias para que suspendam aos atendimentos se deve ao fato da Santa Casa ser referência em maternidade para todos os municípios da região e o único hospital da região Sudeste de Mato Grosso que oferece atendimento obstétrico de alta complexidade, ou seja, atendimento à gravidez de risco e casos de urgência e emergência.
A informação sobre o comunicado de paralisação foi repassada ao A TRIBUNA pelo médico Jaeder Carlos Pereira Junior, que é o coordenador do Departamento de Ginecologia e Obstetrícia. “O último salário pago é referente a apenas metade do mês de outubro e os médicos não têm sequer uma posição sobre um possível pagamento, um prazo, qualquer informação que seja”, disse o coordenador.
O médico lembrou os investimentos recebidos pela maternidade nos últimos anos, que ampliaram o atendimento da Santa Casa. Atualmente, a maternidade ocupa um andar inteiro do hospital, com centro obstétrico, salas cirúrgicas, enfermarias, salas de apoio às equipes, áreas para internações, tratamento clínico, entre outros. “Mesmo diante de tantos investimentos, tudo pode parar por falta de pagamento de salário… Isso não existe”, desabafa o coordenador.
O hospital sofre há alguns anos com a falta de repasses por parte do Governo do Estado de Mato Grosso, que acabam gerando atrasos nos salários de vários colaboradores da Santa Casa, especialmente os médicos. A reportagem não conseguiu até o fechamento da edição confirmar com a direção do filantrópico qual é o valor atual da dívida. A última informação oficial divulgada pelo Estado sobre repasses para o hospital foi em outubro de 2017, para custeio de atendimento de Unidades de Terapia Intensiva (UTI).



