
Um sonho, de produção de algodão em sistema agroflorestal, é possível e está se tornando realidade em áreas próximas de Cuiabá.
É o que indica uma pesquisa que vem sendo conduzida desde o início deste ano pelo Centro Tecnológico Vocacional em Agroecologia (CVT-Agroeco) na Fazenda Experimental da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), localizada no município de Santo Antônio do Leverger.
A conclusão dos pesquisadores mostra que a cadeia produtiva do algodão orgânico pode crescer de forma que atenda a demanda pelo produto no mercado têxtil com uso de matérias-primas, técnicas e manejos ecológicos, gerando dessa forma, menor impacto socioambiental.
Além disso, o cultivo dessa matéria-prima pode vir a ser mais uma opção para os produtores que já trabalham com agroflorestas, gerar renda, contribuir com o desenvolvimento das comunidades da Baixada Cuiabana de forma sustentável e com baixo impacto socioambiental.
Essas informações foram apresentadas no começo da semana, na sede da Associação dos Docentes da Universidade Federal de Mato Grosso (Adufmat), em Cuiabá, pela equipe do projeto Floresta de Algodão pertencente ao CVT/Agroeco da UFMT, pelos representantes das empresas parceiras durante a terceira capacitação do projeto para cerca de 60 produtores rurais que já participam de outras iniciativas e trabalhos com sistemas agroecológicos.
A difusão de conhecimento sobre todos os protocolos que vêm sendo adotados na área de meio hectare cultivada com a variedade BRS Aroeira (de ciclo curto de cerca de 160 dias e adaptado às condições do cerrado) vem sendo realizada pela equipe do projeto para os agricultores.
De acordo com o pesquisador e coordenador do projeto, professor Henderson Nobre, as capacitações são momentos de mostrar quais são os métodos recomendados e os resultados dessas práticas.
“Mais uma vez, partilhamos conhecimentos sobre a metodologia que adotamos para o cultivo de algodão em um novo círculo virtuoso baseado nos princípios da Agroecologia: holístico, com foco na biodiversidade abaixo e acima do solo. Nessa capacitação, mostramos como se deu o monitoramento da área e os procedimentos que foram usados para a colheita. No pós-colheita faremos o tratamento da pluma do algodão. Tem um método especial para colher, para tratar e armazenar o algodão agroecológico”, explicou.
Com protocolo testado na área experimental, o objetivo do projeto é levar o algodão regenerativo para agricultores da Baixada Cuiabana. “Pretendemos espalhar essa tecnologia para as áreas de agricultura familiar, fazendo o próximo plantio em dezembro deste ano em áreas mais consolidadas com técnicas e ferramentas para que o agricultor possa plantar o algodão orgânico dentro de sua propriedade”, afirmou Rafael Laranja, pesquisador e coordenador executivo do Projeto Floresta de Algodão.
Para o diretor do escritório de Inovação Tecnológica da UFMT, professor Raoni Teixeira, o evento mostrou a capacidade que a universidade tem para vencer as barreiras para uma aplicação prática dos conhecimentos.
Segundo ele, inovação não acontece porque aquilo que está sendo produzido é muito tecnológico, com muita tecnologia. Inovação tem a ver com transformação, com mudança, com chegar na ponta para as pessoas.
“Esse projeto é muito inovador porque ele está chegando na ponta e está transformando o jeito que as pessoas que estão lá na ponta estão fazendo. Inovação é chegar, é usar o conhecimento e chegar nas pessoas que vão usar. Produzir algo que vai ser pouco utilizado é pouco inovador, por mais tecnológico que isso seja. Sob a perspectiva mundial de inovação este projeto tem bastante inovação e fiquei muito feliz como diretor do escritório de inovação tecnológica em poder acompanhar a divulgação dos resultados”.
CADEIA PRODUTIVA – Além de criar alternativas para desenvolver a cultura do algodão agroecológico, o projeto Floresta de Algodão pretende contribuir para o fomento da cadeia produtiva a partir da pesquisa até o mercado têxtil que tem uma grande demanda por esse produto. Na indústria da moda, o algodão é uma das principais matérias-primas.



