Sem elefante branco

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É com bastante preocupação que recebemos a notícia de que, até o momento, a construção da ponte na Avenida W11 não teve ainda o seu prolongamento, do outro lado do Rio Vermelho, que fará a ligação com a BR-364, viabilizado. Temos a ponte em início de construção, já com seus gigantes problemas para acesso ao lado do condomínio Terra Nova e, do outro lado, ainda seguimos sem a garantia de que a avenida que deve ser construída será autorizada ou, pior, se haverá dinheiro para desapropriações e construção de uma obra com mais de 2 km de extensão.

Talvez a questão do dinheiro possa ser contornada, já que a Prefeitura anda realizando obras com recursos próprios, o que demonstra que não há tanta crise assim para os cofres públicos de Rondonópolis. Mas, e os órgãos ambientais? As autorizações para desmatar? Para construir em uma área que aparentemente é abundante de água bem além do Rio Vermelho? E os proprietários das terras aceitarão com facilidade a desapropriação? São inúmeras questões que podem ser levantadas, situações que podem inviabilizar a obra e, até, deixar uma importante ponte sem utilização – o que seria o fim da picada. O próprio Conselho Municipal de Meio Ambiente já recusou um projeto apresentado, quem garante que não irá recusar novamente?

Chama a atenção também a necessidade de levantar uma obra tão grande e cara, sem o planejamento esperado. Para construir essa ponte, o Governo do Estado já não deveria ter em mãos o projeto para a ligação com a rodovia federal e todas as consequências ambientais? E, aproveitando, a Secretaria de Estado de Meio Ambiente pode licenciar uma obra que ainda não tem projeto? No mínimo, podemos observar um desespero em realizar um empreendimento, sem pensar nas demais implicações.

Ninguém é contra a ponte, muito pelo contrário, até porque o desenvolvimento da cidade não pode parar. Nunca fomos contra esse projeto, que pode fomentar uma região esquecida da cidade. O que não pode é ocorrer o gasto de milhões de reais e apenas a ponte não servir para nada, tendo que aguardar todo um projeto de viabilização do prolongamento da Av. W 11 até a BR-364.

E enquanto isso não haveria situações mais graves a se resolver? O Parque Sagrada Família, por exemplo? Já seriam alguns milhões a menos dos R$ 80 milhões que a Prefeitura diz precisar para resolver o problema do bairro. Assim, poderia depois investir em outro tipo de infraestrutura. O que temos é um bairro sem infraestrutura, uma ponte ainda sem ligação a algum lugar e a ideia de jogar o tráfego de veículos pesados em bairros residenciais e, pior, sem asfalto, para aumentar a poeira.

São escolhas feitas por gestores, mas que poderiam ser repensadas. De qualquer forma, a ponte já começou a ser levantada e, agora, o mínimo que se espera é que ela não seja um elefante branco.

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