
1 – SENHORAS E SENHORES,
o PAPO desta semana começa falando do encerramento de um ciclo e quando inicia um novo capítulo para o MDB em Mato Grosso.
Na noite da última quinta-feira (21), em convenção realizada em Cuiabá, com a presença do presidente nacional, deputado federal Baleia Rossi (SP), o ex-prefeito de Rondonópolis e ex-governador Carlos Gomes Bezerra, fundador e histórico líder do partido no Estado, passou o bastão do comando da legenda para uma nova geração, que promete modernizar e ampliar a presença do MDB no cenário político mato-grossense.
A deputada estadual Janaína Riva foi eleita por aclamação presidente estadual, tendo na vice-presidência o seu colega de Assembleia Legislativa, o deputado rondonopolitano Thiago Silva, nascido para a política no movimento comunitário, que se desenvolveu sob influência e incentivo de Carlos Bezerra, quando governou a cidade, lá no início dos anos 80.
A PASSAGEM DO BASTÃO
do comando do MDB em Mato Grosso, além de simbolizar o fim da era Bezerra, significa uma virada histórica da sigla, que terá pela primeira vez uma mulher no seu comando. Bezerra sempre teve um viés mais para a esquerda e agora, tendo no comando Janaína e Thiago Silva, jovens emergentes da política estadual, a sigla deve caminhar mais na linha de centro-direita para as eleições de 2026, que é o perfil político dos dois.
Nas últimas eleições, Janaína Riva foi a deputada estadual mais votada do Estado, superando os 80 mil votos e se prepara, agora, para concorrer a um cargo majoritário em 2026, a princípio o Senado, quando estarão em disputa duas das três vagas que Mato Grosso tem na “Câmara Alta” do país.
Já Thiago Silva, que deve buscar o terceiro mandato na AL, sem Janaína na disputa dessa vez, é apontado como um dos puxadores de votos para a legenda, uma vez que, além da boa votação que sempre teve em Rondonópolis, por conta dos seus muitos projetos destinados para cá, conta também com ampliação da sua base eleitoral para vários municípios do Estado, graças aos trabalhos desenvolvidos nos seus dois mandatos. Assim como foi em 22, a expectativa é que ano que vem, Thiago Silva aumente os seus votos além das divisas da “Terra de Rondon”.
MAS VOLTANDO AQUI
na história emedebista, o Carlos Bezerra foi um dos principais nomes na construção do partido em Mato Grosso, se não o maior. Com sua força política junto de outras lideranças locais, a sigla nasceu como oposição à considerada ditadura militar, então sustentada pela Arena (Aliança Renovadora Nacional), numa época que imperava o bipartidarismo no país.
Ao longo de seis décadas, Bezerra ajudou a fortalecer a presença do MDB no Estado e contribuiu para o crescimento e a viabilização do partido, que se tornou uma das principais forças políticas de Mato Grosso.
Nunca um partido em Mato Grosso foi comandado por tanto tempo por uma mesma pessoa, como foi o MDB por Bezerra. Ele ficou na presidência nos últimos 30 anos de forma ininterrupta. Porém, quando não esteve atuando oficialmente como presidente, alguém de sua inteira confiança lá estava.
Como na vida tudo tem o seu começo e fim, Carlos Bezerra depois de seis décadas disputando eleição e ocupando cargos públicos “pendurou as chuteiras”. Sai da vida pública aos 83 anos para “vadiar”, como o próprio disse, lá na “Cidade Maravilhosa”, onde tem passado a maior parte do tempo ao lado de sua esposa Teté Bezerra.
“Agora a minha meta é vadiar. Vou aproveitar o resto da minha vida, desfrutar um pouco. Nesses quase 60 anos, isso aí (política) foi minha vida. Então, acho que tenho o direito de me dar esse luxo de vadiar”, disse Bezerra, que de líder estudantil preso pela ditadura militar no início dos anos 70, tornou-se depois Deputado Estadual, Deputado Federal (cinco mandatos), prefeito de Rondonópolis (dois mandatos), Governador de Mato Grosso e Senador da República. Um longo curriculum político, talvez o maior do Estado.
MAS, COMO A POLÍTICA
está no sangue, Bezerra já adiantou que volta e meia vai aparecer para opinar.
“Enquanto estiver vivo, eu vou estar ajudando. Dando o meu pitaco. Não é porque eu deixei o cargo que eu vou cruzar os braços. Como cidadão (não vou deixar) de exercer meus direitos políticos. Desde a infância que eu faço isso. Não é agora que eu vou parar e deixar de fazer. Cargo, poder, eles são menos importantes. O importante é você cumprir o seu dever. É o que eu sempre vou fazer”, disse Bezerra.
Os últimos anos, após não conseguir se reeleger, em 2022, para um sexto mandato como deputado federal, ficando na 1ª suplência, Bezerra enfrentou seguidos problemas de saúde e o peso da idade chegou, o que o levou a passar o bastão do MDB, comandado com mão de ferro estes anos todos, ou melhor, com a famosa “mão de pilão”.
Há quem o ama e quem o odeia. Porém, não dá para falar de política em Mato Grosso sem passar por Carlos Bezerra. Sem medo de errar, a Coluna arrisca dizer que, ao lado de Dante de Oliveira e Júlio Campos, é o político mato-grossense de maior expressão na nossa história.
Com toda certeza, Bezerra também é o maior político da história de
Rondonópolis, cidade que o recebeu ainda nos anos 70 e assistiu seus passos importantes para a consolidação de sua consagrada carreira política.
Aqui, inicialmente, Bezerra, que nasceu em Chapada dos Guimarães, atuou como advogado e na sua Cerâmica São Carlos.
Na cidade, o líder estudantil fundador do MDB, o popular “Manda Brasa”, preso pelo regime militar, sob acusação de querer propagar o “comunismo” em Mato Grosso, algo que sempre negou ser, mas sim trabalhista, inspirado por Getúlio Vargas, chegou à Prefeitura de Rondonópolis em 1982.
Porém, antes disso, foi deputado estadual e federal. “Fui preso pela ditadura por isso, porque era líder estudantil e eles achavam que eu era comunista. Nunca fui comunista, mas fui trabalhista. Getúlio Vargas foi o meu grande líder, que me trouxe para essa posição política”.
APÓS UMA VITÓRIA
surpreendente, em 1982, Bezerra fez da Prefeitura de Rondonópolis a sua grande vitrine, que o alçou quatro anos depois à condição de governador do Estado. Depois, ele voltou a ser prefeito, senador e deputado federal por quatro vezes consecutivas. Em Brasília, nunca foi um parlamentar de baixo clero, sempre teve atuação destacada.
Em Rondonópolis, a sua passagem pela Prefeitura, nos seus dois mandatos, deixou marcas, influenciando a política local por muitos anos ao impulsionar gerações de líderes dentro do MDB. Vários ex-prefeitos da cidade, por exemplo, militaram ao lado de Bezerra como Percival Muniz, Zé Carlos do Pátio e Rogério Salles.
Enfim, Rondonópolis não tem como esquecer o grande político que foi Carlos Gomes Bezerra, que agora se aposenta e passa a morar no Rio de Janeiro.
2 – MUDANDO DE ASSUNTO,
após quase oito meses da gestão Cláudio Ferreira (PL), já pode sentir algumas mudanças em relação ao seu antecessor, o ex-prefeito Zé Carlos do Pátio.
Enquanto Cláudio ainda prepara grandes obras estruturantes que Rondonópolis tanto precisa e espera há anos, algumas pequenas intervenções já melhoram a vida do cidadão no seu dia a dia.
Em relação às grandes obras, as notícias vindas do Palácio da Cidadania são de que o prefeito Cláudio Ferreira já assinou a autorização para a licitação de contratação da empresa que executará a construção de uma moderna policlínica na região da Vila Operária.
Um investimento estimado em R$ 40 milhões, o maior já feito na área da saúde do município. Também já está em fase de finalização o projeto à construção de uma ponte sobre o Ribeirão Arareau, a fim de desafogar o tráfego de veículos na Avenida Rotary Internacional (a antiga Brasil).
Sem contar nos estudos já em andamento para construção de um viaduto na rua Fernando Correa, no entrocamento com as avenidas dos Estudantes e Lions Internacional, nas proximidades da ponte Aroldo Marmo de Souza.
E já se percebe que o serviço de revitalização do pavimento asfáltico, com a aplicação de microrrevestimento, em andamento em algumas vias da cidade, apresenta ter uma melhor qualidade do que foi realizado no passado.
E por falar em qualidade, somente esta semana o A TRIBUNA trouxe a informação que duas empresas responsáveis por obras mal-executadas e inauguradas pela gestão do ex-prefeito Zé Carlos do Pátio foram multadas pela Secretaria Municipal de Saúde.
A UPA já está recebendo uma reforma para melhorar as condições de atendimento da população, assim como também o “Hospital da Lions”, que podia ser chamado de tudo, menos de hospital. Aquele velho hotel que foi adquirido pelo prefeito Zé do Pátio para virar uma unidade hospitalar.
Outra iniciativa em destaque da nova gestão foi o recente lançamento do aplicativo “Rondonópolis na Palma da Mão”, uma plataforma digital que centraliza diversos serviços públicos, notícias e canais de atendimento ao cidadão.
A ideia é oferecer, com esta ferramenta, mais autonomia e agilidade à população, eliminando a necessidade de deslocamentos até o Paço e filas para resolver pendências.
Entre as funcionalidades disponíveis para o cidadão estão: emitir e consultar o IPTU; Solicitar alvarás, certidões e acompanhar processos administrativos; Consultar o estoque de medicamentos na rede municipal; Verificar resultados de exames laboratoriais; Consultar o Diário Oficial e o sistema REFIS; Acessar links de serviços das concessionárias Energisa e Sanear; Utilizar o serviço de transporte urbano “Cadê o Busão?, além de outras utilidades ao cidadão rondonopolitano.
UMA OUTRA INICIATIVA
que a Coluna destaca como uma pequena intervenção, mas que resulta em melhorias para a vida do cidadão rondonopolitano são os reparos de valetas existentes em cruzamentos de ruas e avenidas no quadrilátero central da cidade, que tantos desconfortos causaram aos motoristas durante os oito anos da administração do Zé Carlos do Pátio.
Um exemplo é a valeta na esquina da Avenida Cuiabá e a Rua Dom Pedro II, que foi solucionada no final da semana passado – e que causava um grande transtorno aos motoristas, que tinham de passar muito devagar para não danificar seus veículos, resultando em congestionamento naquele ponto.
Outros cruzamentos com o mesmo problema já estão recebendo, ou receberão, o mesmo serviço. São obras simples e de recorrentes reclamações, como também o excesso de quebra-molas pela cidade, reportadas muitas vezes pelo A TRIBUNA, que não eram enxergadas pelo gestor anterior. Agora, estão sendo solucionadas e trazendo mais conforto para quem circula pelas ruas da cidade.
Até essas simples ações do prefeito Cláudio Ferreira vêm expondo o quanto foi péssima a administração do José Carlos do Pátio, apesar de ser um engenheiro civil e, pasmem Senhoras e Senhores, quando deixou a Prefeitura ainda anunciou que reassumiria a sua cadeira de professor universitário na UNEMAT no curso de Administração Urbana.
O PAPO POLÍTICO acha que “o Rei vai ficar nu” e terá até dificuldades na sua candidatura a deputado estadual no próximo ano.



