

1- SENHORAS E SENHORES,
mais uma semana se passou e continuamos com o passeio pelo palco da política rondopolitana, em especial pelos corredores do Palácio da Cidadania e da Câmara Municipal, que começa a demonstrar que realmente, como prometeu o novo presidente vereador Junior Mendonça, os tempos de “Puxadinho do Executivo”, onde se atendia todos os desejos do prefeito Zé do Pátio, ficaram para trás.
Esta atuação, segundo ficou sabendo a Coluna, levou o prefeito a se mexer e a buscar um contato mais próximo dos vereadores. Mas, antes de aprofundar nesta conversa, vamos falar de outro assunto.
O NOSSO PAPO
começa com um questionamento: será que antes das “águas de março fecharem o verão”, com a famosa lendária enchente de São José, lá pelo dia 19 de março, o prefeito José Carlos do Pátio, que gosta de dizer que ninguém o pauta, concluirá a sua prometida reforma de secretariado?
A Coluna faz este questionamento, pois na semana que passou o demissionário secretário de Gestão de Pessoas, Fernando Becker, foi indicado por Pátio para voltar à diretoria jurídica da Companhia de Desenvolvimento de Rondonópolis (Coder). O nome passou, sem grande surpresa, pela sabatina realizada pela Câmara de Vereadores, na tarde de quarta-feira (8), e, com isso, ele desempenhará na gloriosa Coder a mesma função que já teve entre os anos de 2017 e 2021.
O QUE CHAMOU ATENÇÃO
mesmo é que o advogado Becker, ao pedir demissão da Gestão de Pessoas, alegou compromissos de ordem pessoal e que havia um acordo com o prefeito de ficar na função somente até o começo desde ano.
O que mudou de lá para cá para continuar no serviço público, ainda não se sabe…
Com a oficialização da saída do secretário demissionário, nos corredores do Palácio da Cidadania o nome mais forte no bolão de apostas segue sendo de Carla Carvalho, atual adjunta da Saúde. Ela já esteve à frente da pasta, antes da chegada de Becker.
VOLTANDO AO QUESTIONAMENTO
inicial, a Coluna acredita que sim, Pátio, em que vale ressaltar que não gosta de ser pautado, principalmente pela imprensa, deve, enfim, concluir a reforma do seu staff.
Além da Secretaria de Gestão de Pessoas, ele deve anunciar o nome do novo secretário de Esportes. Na verdade, pelo que se ouve pelos corredores do Palácio da Cidadania se trata de uma mulher.
O prefeito, inclusive, já teria até se sentado para fechar questão com uma velha conhecida: a professora de Educação Física aposentada, Suzan Meire Moretti Binha, que chefiou a pasta entre 2009 a 2012, na primeira gestão de Pátio.
Antes, o prefeito já havia, como já é de conhecimento público, feito duas mexidas, que foram provocadas pelo pedido demissão do Capitão Argemiro Ferreira, após mais três anos no cargo de presidente da Coder.
O pedido de demissão veio após o capitão Argemiro se sentir fritado, ainda como rescaldo do processo eleitoral de 2022, onde Pátio apoiou com unhas e dentes a eleição do atual presidente petista Luiz Inácio Lula da Silva. Enquanto o seu diretor da Coder foi na direção contrária, vestiu a camisa da reeleição do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Para substituir o Capitão Argemiro no comando da Coder, o escolhido de Pátio foi o até então seu secretário municipal de Meio Ambiente, Marcus Vinícius Neves, oriundo também do exército brasileiro, precisamente do 18 GAC.
Para o seu lugar, no Meio Ambiente, designou Camila Dourado, que era assessora jurídica da Secretaria Municipal de Habitação e Urbanismo. De confiança dele, o nome causou surpresa e desagradou os seus mais fiéis e radicais apoiadores, os famosos Kamikases.
COMO SE VÊ
no frigir dos ovos, bem fiel ao seu estilo, a famosa dança das cadeiras, prometida pelo Prefeito desde o ano passado, deve ficar mesmo restrita ao seu grupo político. O que deixa claro, na opinião da Coluna, o desejo dele em manter a gestão controlada com mão de ferro e a dificuldade que tem o atual gestor para atender algumas promessas da campanha politica passada, quando tinha prometido alguns cargos na sua gestão.
COM ISSO,
esses acordos políticos de Pátio, que se comenta nos bastidores, firmados com os partidos da Federação Esperança, como PV, PC do B, que o apoiaram em 2020, não devem ser cumpridos.
Além disso, tem ainda o PT, que preside a Federação e não esteve no palanque de releição de Pátio, mas que ele vinha dizendo, pelo menos publicamente, há algum tempo que gostaria de ter a sigla dentro da sua gestão. Porém, pelo menos por hora, os petistas de Rondonópolis não estarão compondo o primeiro escalão da atual administração.
Aliás, não são somente as siglas da Federação que devem continuar de fora da gestão. Como já foi dito por aqui, também estarão os chamados de velha guarda do PSB, o novo partido do prefeito, que já estavam na sigla antes da chegada de Pátio e o seu grupo político no ano passado.
Tudo indica que as expectativas do grupo pelo cumprimento de um acordo com o gestor municipal no sentido de abrir espaço no primeiro escalão para eles (velha guarda do PSB) foram frustradas.
A Coluna avalia que esta postura do prefeito em não cumprir acordos políticos com os partidos pode dificultar as articulações para apoios à candidatura do seu fiel escudeiro, o presidente do Sanear, Paulo José Correia, escolhido por ele para disputar pelo seu grupo político a sua sucessão em 2024.
DE VOLTA
à conversa secretariado de Pátio, esta semana ficou evidente, o que já se comentava nos bastidores da política da terra do velho Marechal Rondon, a insatisfação de vereadores, principalmente dos que foram eleitos no palanque de reeleição de Pátio, com o fato de que alguns secretários estariam sendo turbinados pelo prefeito para disputarem em 2024 uma das 21 cadeiras da Câmara de Vereadores.
Antes restita aos bastidores, a insatisfação tornou-se pública durante a discussão do projeto em que o prefeito pedia autorização do legislativo para o empréstimo de R$ 100 milhões junto ao Banco do Brasil, visando fazer investimentos em várias áreas.
O projeto passou, não no tempo desejado por Pátio. Para passar o regime de urgência do projeto, que já estava na Casa aguardando ir ao plenário há três semanas, foi necessário uma forte movimentação do líder do prefeito na Câmara, vereador Reginaldo Santos (SD), que um dia antes articulou a ida do secretário de Finanças, Rodrigo Silveira, até a Ordem do Dia, para responder questionamentos dos vereadores sobre o projeto.
Mesmo com a ida do secretário, um grupo de vereadores, capitaneado pelo vereador subtenente Guinâncio (PSDB), uniu-se, durante a discussão do projeto, para tentar derrubar a urgência e forçar a Prefeitura utilizar parte do dinheiro para atender demandas de infraestrutura antigas da cidade.
Mas, após muita discussão e argumentação do líder do prefeito, além, é claro, o executivo usar todo o seu poder de influência para o convencimento, o projeto foi aprovado.
Contudo, sem antes alguns vereadores deixarem claro na tribuna da Casa que querem mais respeito do prefeito em relação ao papel que cumprem como legisladores e, ao mesmo tempo, a insatisfação com os secretários, que com o apoio do chefe do executivo, movimentam-se para disputar uma cadeira na Câmara.
Esta insatisfação pôde ser traduzida pelo duro recado dado pelo vereador dr. Jonas Rodrigues (SD) na tribuna da Câmara. Sem citar nomes, ele disparou que certo secretário municipal deveria deixar a rede social Tik Tok de lado um pouco e ir para as ruas ver a falta de infraestrutura de alguns bairros.
Apesar dele não dizer o nome do secretário, está claro que o recado foi para o secretário municipal de Infraestrutura, Vinícius Amoroso, que tem forte atuação nas redes sociais e não é segredo para ninguém nos corredores do Palácio da Cidadania, deve disputar a vereança.
Além dele, que começou na prefeitura como menor aprendiz, foi galgando espaço na administração pública e hoje tem muito respaldo junto ao prefeito, os nomes da secretária municipal de Governo, Ione Rodrigues, e o do diretor Geral da Coder, Marcus Vinícius, são outros que estariam sendo incentivados por Pátio para disputar a Câmara.
2 – MAS ANTES DE NOS DESPEDIR
voltamos para o assunto que tratamos no início do nosso papo. A postura de maior independência que a Câmara vem adotando de uns tempos para cá acendeu o sinal amarelo no Palácio da Cidadania.
A Coluna ficou sabendo que o prefeito iniciou um trabalho para tentar uma aproximação maior com a Câmara e no início da semana jantou com os vereadores, na casa do gestor do Gabinete de Segurança (Gasp), Valdemir Castilho, o Biliu, um dos seus articuladores políticos.
A Coluna ficou sabendo que todos os vereadores foram convidados para o jantar, que teve no cardápio principal um suculento churrasco, mas nem todos compareceram.
O prefeito levou para o encontro, que não tinha uma pauta definida, a maioria dos seus secretários com o intuito, segundo ele, de promover uma maior interação da gestão com os vereadores.
E aí vem o questionamento final: a Câmara, que já deu mostras estar disposta a ter uma postura de independência, voltará, seduzida pelos “belos olhos” ou pelos suculentos churrascos do prefeito, a desempenhar um papel o de “Puxadinho do Executivo”, atendendo tudo, sem discussão alguma, o que executivo manda? ISTO É ASSUNTO para acompanharmos nos próximos capítulos.



