
Hoje…
pare por um instante.
Não apenas sinta o perfume —
permita-se ouvir
o que ele sussurra sobre você.
Houve um tempo
em que ele falava alto, por todos,
em que bastava um gesto no ar
para ocupar cada espaço,
como quem precisava ser notado.
Ontem, talvez,
você nem escolhesse.
Apenas seguia —
o que era esperado,
o que marcava presença,
o que dizia sem pausa: “estou aqui”.
Mas hoje…
há algo mais silencioso.
Hoje, o perfume te pergunta, com calma:
quem é você
quando o mundo se aquieta
e ninguém está olhando?
Ele já não precisa anunciar sua chegada,
nem disputar atenção.
Ele repousa em você,
como uma presença discreta,
quase um segredo —
fiel ao que você é.
Perceba…
não é mais sobre intensidade,
mas sobre verdade.
Não é sobre agradar aos outros,
mas sobre se reconhecer por dentro.
E amanhã…
amanhã nasce das escolhas de hoje.
Do que você permite ficar,
e do que, enfim, decide deixar ir.
Talvez ainda exista o impulso
de buscar aprovação
em fragrâncias que não contam sua história.
Mas há também um outro caminho —
mais íntimo, mais seu.
Assumir, sem pressa,
a própria essência.
Porque o tempo mudou…
e, em silêncio,
você também pode mudar com ele.
Hoje, o perfume já não fala por todos.
Ele apenas acompanha —
e revela, suavemente,
quem você é.
(*) Leônidas Neto é professor e morador de Rondonópolis, graduado em Direito e Pedagogia, com pós-graduação em Direito Público, Ensino da Matemática e Mídia, Tecnologia e Comunicação na Educação Básica
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