Educação política, justiça e transformação social

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(*) Prof. Dr. Ademar

A sociedade que insiste em permanecer no estágio político da gritocracia, injustiça e desigualdades sociais. Porém, com pouco investimento na educação cidadã, para que o cidadão possa a compreender que está em condição de exercer direito e de fato o seu direito de definir os seus direitos humanos. É bem verdade que o que resulta do analfabetismo funcional, é a produção de frutos da miséria econômica, política, cultural e espiritual. Por isso, que o povo ouve o discurso político, movido pela maldade, olha a realidade mais não compreende, o porquê do investimento na destruição da vida dos pobres.

O mundo em que vivemos, pautado pela corrupção, violência, mercadorização e espetacularização da vida, desafia a todos para que invista na educação que resgata o significado de ser justo e verdadeiro. Para não cair em cilada é preciso observar como mobiliza, o jogo do poder e o discurso sobre o poder que impacta na sua vida cotidiana. É urgente militância política para que seja efetivada política pública de saúde, educação, segurança, moradia e infraestrutura, para melhorar a vida do povo na comunidade.

Da mesma forma, que diante a usurpação de símbolo da nação, para servir uma ideologia política extremada. Hoje, faz-se necessário investimento na formação na e para a cidadania, para que a geração de humano não renuncia a luta pelo resgate do que significa, o pertencimento a uma nação soberana. É importante que a prática democrática, alimenta o imaginário de cada pessoa, como sujeito livre e comprometido, com a construção de uma sociedade justa, solidária e fraterna. A reconstituição do bem-comum, como valor ético-moral que consolida uma representação política e social, que de fato empenha com o desenvolvimento integral do povo e da nação.

O tempo da eleição é o momento singular, para olhar atento de que projeto político de sociedade e governança estão sendo apresentados à nação, sobretudo, na questão da soberania. É importante cotejar os diferentes projetos que estão sendo apresentados. É da tua competência, elucidá-los e discernir, que direção quer seguir. É preciso desvelar a concepção de sociedade, ser humano, educação, saúde, moradia, economia, trabalho, criança, juventude, idoso e relação com o mundo, que estão sendo propostos ao coletivo da sociedade.

Pensando no aspecto da política de educação pública, enquanto educador com tese de doutorado, fundamentada na teoria da educação pensada por Freire, compreendo que o indivíduo que critica a educação, como ato político. Apresenta-se como agente da ideologia da ignorância social, para que os movimentos sociais não tomam consciência de que educação é uma política pública e necessária a geração oriunda da camada popular. Até compreendo que para além da ação de má-fé. Pode ser que tem dificuldade de distinguir política e prática ideológica de politicagem ou está mal-intencionado. Para quem, somente pensa em exterminar e destruir a soberania da nação, a educação como ato político de humanização e libertação não faz sentido, tampouco tem valor.

A pessoa humana é sujeito e objeto da educação, situada num contexto histórico. O que subentende que o indivíduo é síntese do diverso aberto. No contexto histórico, em que atua o educador, a escola pública está sendo desenhada para acomodar o desejo do paradigma da racionalidade neoliberal, capitulada pela pedagogia da guerra, delineada pela moral e disciplina abstrata, que foca simplesmente em resultados. Este modelo de gestão da educação pública, retira o humano da centralidade da educação. O que está no território de disputa é o currículo, concepção de ser humano e cidadania, prática pedagógica e processo de ensino e aprendizagem, como ideologia negacionista da emancipação humana, sobretudo, da capacidade de formação para ler o mundo a partir das razões dos oprimidos, como base de uma “nova geopolítica do conhecimento”.

O negacionista de educação é um ato político, defende a pedagogia de guerra e modelo de escola da tecnologia digital, que separa a educação da realidade de vida do estudante, além de fazer associação com a ideia de neutralidade. O indivíduo que age na educação com o víeis de neutro não entende, o que é educação cidadã, tampouco, sabe distinguir política pública de educação de ideologia da politicagem da pauta de costume. A escola que de fato se constitui como pública, democrática, crítica e emancipadora, não existe espaço para pedagogia de guerra. Porque na escola pública, como espaço da sociedade civil, a sua razão de ser é democrática, porque numa gestão participativa, a comunidade educativa tem voz e vez, segue o que está constituído na carta política, conhecida como projeto político pedagógico da escola. Numa escola democrática, a formação, a organização do trabalho pedagógico, a prática docente, o processo de ensino e aprendizagem, fundamentam-se na pedagogia histórico-crítica, balizada no método dialético-dialógico e comprometida humanização libertadora.

A finalidade da educação, ontem, hoje e sempre, tem a sua razão de ser quando investe na construção da prática da liberdade, como vocação ontológica humana. O que justifica ser um ato político, porque fundamenta-se no exercício de uma educação como justiça social. Compreendo como Freire, que somente tem sentido “a educação para decisão, para responsabilidade social e política”. O que significa que “não há educação fora das sociedades humanas e não ser humano no vazio”. Porque o humano “existe no tempo. Está dentro. Está fora. Herda. Incorpora. Modifica. Temporaliza-se”. Quem não é tardo de inteligência entende a natureza da educação. É evidente que a lógica política que orienta o modelo de educação, que defende o poder do mais forte contra o que defende a igualdade que fundamenta na dignidade, como princípio da emancipação humana, sem dúvida, que colide com o que propõe a educação cidadã freiriana.

A geração que descarta compreender a política, enquanto bem sublime de caridade. Assim como, a esperança na vida, não tem futuro. Porque essa é a condição de homem-massa, que resulta em vítima da autofagia de sua própria existência. Entre capitulação, entreguismo ao império e pitaco na educação. Queira ou não, o mundo precisa, mover-se na direção da democracia popular e defesa da soberania da nação. A educação que aniquila a criatividade do estudante é a que está estruturada ao paradigma, que veicula a ideia de neutralidade e que insiste em colocar o indivíduo no labirinto da desesperança, como aparato que desqualifica a sua humanização emancipadora.

Para quem somente pensa em exterminar e destruir a soberania da nação, a educação como ato político de humanização e libertação não faz sentido, tampouco tem valor. Ao contrário, o que educa politicamente a nação, para que o povo exerça a cidadania plena, não punirá o povo com ato de violência, tampouco, incita a fazer adesão ao golpe tupiniquim de estado.

(*) Dr. Ademar de Lima Carvalho é professor de teoria da educação moderna e contemporânea/PPGEDU/UFR

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